terça-feira, 2 de novembro de 2010

O DIA DE TODOS OS MORTOS.

O dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. É um dos cultos mais antigos, presentes  em quase todas as religiões.
A princípio era ligado aos cultos agrários e de fertilidade: para os mais antigos, os mortos eram como sementes, e por isso eram enterrados com vistas à ressurreição.
O dia dos Mortos, na prática da Igreja católica,surgiu como uma ligação  suplementar entre mortos e vivos e o mundo acabou aderindo tal prática.
Desde o século 1º os cristãos rezam pelos falecidos, a princípio os mártires. No século IV  já encontramos a Memória dos Mortos na celebração da missa. Mais foi  a partir do século XIII que o dia anual dos mortos é comemorado no dia 02 de novembro, porque no dia 1º é a "Festa de Todos os Santos".

31/10- Véspera do dia de Todas as Almas: em inglês "All Hallow's Eve"  (reduziu-se para "Halloween") - celebra  todos os que morreram  e foram condenados ao inferno ( esse dia não é reconhecido no calendário cristão ou católico)
01/11 - Dia de Todas as Almas ou Todos os Santos : celebra todos os que morreram  em estado de graça e não foram canonizados.
02/11 - Dia de Todos os Mortos ou Finados : celebra todos os que morreram.

No Rio de Janeiro, e em muitas cidades do Brasil,o dia dos mortos é objeto de uma cerimônia verdadeiramente imponente, durante a qual é impossível não se  experimentar alguma comoção. A igreja de São Francisco de Paula, também chamada de Cáritas a mais procurada entre os fiéis, pois é célebre pelos milagres atribuídos  à imagem do seu patrono, que se supõe restituir a vida aos moribundos e, também, pela espécie de proteção  que São Francisco concede aos ossos que não pode salvar. Ao entrar pela capela, passará por uma longa galeria, cujas paredes estão cobertas  de votivas e de quadros representando pessoas enfermas em seus leitos, ou indivíduos sofrendo diversos acidentes. A todos São Francisco aparece descendo do céu sobre uma nuvem. Acredita-se que se livra sempre do perigo  aqueles quem desta maneira se mostra. Nada é mais variado que estes ex-votos: pernas, braços, cabeças, seios e outras partes do corpo humano, executados em cera com espantosa veracidade.


A morte é o inevitável fim, o ponto final, a passagem desta para a outra, que não sabemos se  melhor ou  pior. É ainda o maior mistério da vida.
Muitos contos de fadas terminam como "viveram felizes para sempre". Na vida real em que para sempre não existe, o máximo que se pode almejar é ser feliz até morrer.
A morte faz parte da vida e está dentro da categoria das pouquíssimas certezas  que podemos ter. Um dia ela chega, e isso serve para todos. O que nos diferencia uns dos outros é a forma de encará-la.
Nas culturas ocidentais, a partir do século XIX há uma mudança de mentalidade influenciada pelo iluminismo. Com o avanço do individualismo, diminui-se a imposição do enterro dentro dos templos. Nascem aí os cemitérios. Mas a morte como tema literário é uma marca do período romântico.
Ao longo da civilização ocidental, a morte ainda é um dos principais tabus, é tudo pelo qual se evita falar por pudor, crença ou superstição: uma interdição de ordem cultural e social.
Por causa disso foram criadas diversas  supertições em torno da morte:

• Quando morre uma pessoa, deve-se abrir todas as portas para a alma sair. Fecham-se porém os fundos da casa. A alma deve sair pela frente. A casa não deve ser fechada antes de sete dias pois o fel (as vísceras) do defunto só se arrebentará nesse prazo. Então a alma vai para o seu lugar. A novena de defunto é para a alma ir para onde foi destinada.

• Não se deve chorar a morte de um anjinho, pois as lágrimas molharão as suas asas e ele não alcançará o céu.

• Quando numa procissão, o féretro pára defronte de alguma porta de uma casa, é isso presságio de morte de alguma pessoa dessa casa.


• Homem velho que muda de casa, morre logo.

• Acender os cigarros de três pessoas com um fósforo só, provoca a morte da terceira pessoa. Outra versão: morrerá a mais moça dos três fumantes.

• Derrubar tinta é prenúncio de morte.

• Quando várias pessoas estão conversando e param repentinamente, é que algum padre morreu.

• Perder pedra de anel é prenúncio de morte de pessoa da família.

• Quando uma pessoa vai para a mesa de operação, não deve levar nenhum objeto de ouro, pois se tal acontecer, morre na certa.


• Doente que troca de cama, morrerá na certa

• Se acontece de se ouvir o som de uma coruja, é sinal de má notícia.

• Defunto que fica com o lóbulo da orelha mole, é indício de que um seu parente o segue na morte.

• Quando o defunto fica com os olhos abertos é porque logo outro da família o seguirá.

• Não se deve trazer terra do cemitério quando se volta de um enterro, pois ela traz a morte para a casa.

E vai por aí vai ...

Ao contrário de nós e não muito longe daqui, todos os anos durante a noite do dia 1º de novembro, os nossos irmãos mexicanos têm um encontro muito importante com a morte. 
Povoados inteiros vão aos cemitérios para honrar os restos de seus finados.Levam flores, comida, doces, velas e tequila. As tumbas se vestem de festa porque nesta noite, os defuntos vêm de visita.
Os mortos revivem nas lembranças dos vivos, que evocam suas maneiras de ser, seus gostos, suas virtudes e defeitos. 
Entre as almas esperadas e os vivos, se estabelece um diálogo intenso. Mas, a celebração também é feita em muitos lares mexicanos, com o tradicional Altar dos Mortos, que é uma oferenda feita para honrar aos familiares falecidos, já que segundo a crença popular, eles visitam seus lares e suas famílias neste dia.


É uma celebração feita de forma festiva, pois leva a idéia de renovação da fertilidade. O culto aos mortos no México é uma maneira de dizer que a memória de seus seres queridos ocupa o lugar sagrado que corresponde a um altar, onde são levadas flores, adornos, doces e alimentos, cada um dos quais tem um significado especial. 
Postas junto ao altar tradicional dos santos ou na mesa principal da casa, a oferenda mostra variações regionais, ao mesmo tempo que compartilha certos elementos formais. Uma mesa ou prateleira coberta com uma toalha, preferencialmente branca com bordados que na atualidade, em algumas ocasiões foi substituído por uma toalha de plástico estampado, são a base para qualquer altar na República Mexicana. Na frente ou atrás da mesa, em algumas ocasiões se pendura flores de papel, papéis recortados, que acompanham as fotografias dos parentes que se foram, geralmente colocadas entre vários vasos de flores, especialmente as "cempoatxóchitl", conhecidas no Brasil como cravos de defunto. Na frente da mesa, sobre uma esteira nova, pode-se colocar um ou mais incensários.


Também pode integrar a oferenda alguma vestimenta ou objeto emblemático do defunto. São colocadas imagens de santos e velas para iluminar as oferendas, a comida favorita do morto é preparada e colocada no altar, geralmente em vasilhas de barro, junto com sua bebida preferida.
Caveiras de açúcar, pães especiais (pan de muerto, que tem formato de gente e é decorado com tirinhas brancas que representam ossos), frutas e doces são colocados no altar. 
Os quatro elementos, água, terra, fogo e ar, também  são representados no altar. A água vem numa pequena vasilha, presença física, para que o morto possa lavar-se após chegar do longo caminho poeirento que separa o reino dos vivos do reino dos mortos. O fogo aparece na chama das velas e a terra vem representada por seus frutos. O ar é representado pelo papel de seda (papel picado), devido a sua leveza.

A festa de mortos é uma das tradições mais enigmáticas da cultura mexicana. Mistura de antigas crenças indígenas e elementos da religiosidade católica, é, por definição, uma mostra do sincretismo que caracteriza a cultura do México.
Assim, enquanto para os europeus, a simples menção da morte é um tabu, como a recusa do pensamento pudesse evitar o acontecimento, o mexicano se familiariza com a idéia desde a mais tenra idade.


A visita anual dos mortos não é uma ocasião de luto, mas sim motivo para celebrar uma grande festa, na qual as famílias contam piadas e também choram. Nesta noite, a vida e a morte são uma só coisa. Os defuntos apenas se adiantaram no caminho que todos empreenderemos.
Assim como os astecas deviam agradar aos seus deuses do passado, os mexicanos têm de agradar seus antepassados, que esperam as oferendas, e as lembranças... 


( Fonte: Consulado Geral do México )

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Bem, seja lá como for, enquanto  a morte não vem a gente se inspira e cria. 
Assim, quando ela chegar - a indesejável das gentes - é certo de que estaremos plenos  de literatura e de poesia.

Que a PAZ e o BEM estejam sempre conosco .

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A MISSA DOS MORTOS.

A Missa dos Mortos é uma das lendas mais tradicionais do Brasil.

Existe um registro muito popular de fatos dessa natureza que aconteceu na Cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, no começo do século XX, por volta de 1900, numa pequena Igreja que ficava ao lado de um cemitério, a Igreja de Nossa Senhora das Mercês, de Cima.
Quem presenciou uma dessas missas, foi o zelador e sacristão da Igreja. Ele chamava-se João Leite e era muito popular e querido em toda aquela região.
Conta-se que numa noite, já deitado, ele viu luzes na Igreja e pensando que fossem ladrões foi investigar. Para sua surpresa, viu que o templo estava cheio de fiéis, lustres acesos e o padre se preparando para celebrar uma missa.
Estranhou todo aquele movimento, os fiéis de roupas escuras e cabeça baixa. Ainda mais uma missa aquela hora sem que nada soubesse.
Quando o padre se voltou para dizer o "Dominus Vobiscum", ele viu que seu rosto era uma caveira. Viu que também os coroinhas eram esqueletos vestidos. Saiu apressado dali e viu a porta que dava para o cemitério escancarada. Do seu quarto, ficou ouvindo aquela missa do outro mundo até o fim.
Nomes comuns: Missa das Almas, Missa das Almas Penadas

Origem Provável: É sem dúvida originária da Europa. Em Portugal e Espanha, por volta da idade média, já se conheciam lendas com estas características. Os romanos antigos acreditavam que os fantasmas dos parentes mortos se reuniam de tempos em tempos.
Assim, eles, como também os Mouros espanhóis, celebravam a Festa dos Mortos. O objetivo era espantar os fantasmas errantes dos mortos.

Em Portugal é conhecida como "A Missa das Almas", e na Espanha como "La Misa de las Animas".

No caso brasileiro, é uma lenda muito comum em todo interior do país, embora seja citada como, primeiramente relatada em Ouro Preto, Minas Gerais, na Igreja de Nossa Senhora das Mercês de Cima.

Também em Minas Gerais, na cidade de São João Del Rei, na Matriz de N. S. do Pilar existe um relato. Nesse caso, aconteceu com uma viúva moradora do lugar. Ela teria assistido a uma dessas missas e perdeu a noção do tempo. Assim, quando o sino bateu doze vezes a meia-noite tudo desapareceu, ficando ela sozinha completamente desorientada.

De acordo com a crença de alguns, a pessoa que presencia uma dessas missas, está perto de morrer ou seria um aviso de que vai morrer alguém conhecido dela.
Outros afirmam que é um sinal de longevidade.

domingo, 31 de outubro de 2010

DOCE OU TRAVESSURA ?

 As comemorações do "Halloween" são mais comuns nos países anglo-saxônicos, em especial nos Estados Unidos. No Brasil, a confraternização do “Dia das Bruxas” vem se tornando cada vez mais conhecida e praticada pela sociedade.
 Entretanto, observamos que algumas pessoas torcem o nariz para tal  evento, por entender como uma manifestação distante da nossa cultura. No fim das contas, muito se diz a respeito, mas poucos são aqueles que examinam minuciosamente os significados e origens de tal festividade. 
O halloween no Brasil é chamado de "Dia das Bruxas". Sua celebração também acontece  no dia 31 de outubro, dia que antecede o dia dos finados. Acredita-se que  na passagem dessa noite, as almas saem de seus túmulos, e partem pelas ruas amedrontando todos aqueles que estão por perto.
O "halloween" infiltrou-se em nossa sociedade importada da globalização. Apesar de sua pequena influência, a festividade pode ser vista em escolas, cursos de inglês, clubes, casas noturnas e shoppings centers de várias cidades, mas não adquire força, embora todo esforço do comércio para que isso aconteça.
Muitos nacionalistas dão créditos a influência do imperialismo cultural americano, porém alguns brasileiros localizados em São Luiz do Paraitinga (cidade paulista), decretaram o dia 31 de outubro como o "dia oficial do Saci Pererê", em protesto a inclusão do "halloween". A maioria das manifestações critica a posição dos brasileiros em importar a cultura americana, já que o país tem grande diversidade cultural que não é aproveitada e comemorada. Apesar de todo o esforço da imprensa em destacar essa festividade norte-americana, a festa é, em sua grande maioria, comemorada pela elite e por pessoas que vivem apenas do que é estrangeiro. No Rio de Janeiro as manifestações são caracterizadas por placas espalhadas pela cidade opondo tal prática, e ainda em pedido ao retorno das considerações brasileiras, o de dar valor e importância as crenças nascidas no país.
Desde a Antiguidade, observamos que várias festividades populares eram cercadas pela valorização dos opostos. Um dos mais claros exemplos disso ocorre com o carnaval, festa popular que antecede toda a resignação da Quaresma. No caso do "halloween", desde muito tempo  a festividade acontece um dia antes da “festa de Todos os Santos” e, por isso, tem seu nome inspirado na expressão "All hallow's eve", que significa a “véspera de "Todos os Santos”.
Pelo fato do 1° de novembro estar cercado de um valor sagrado e extremamente positivo, os celtas -  antigo povo que habitava as Ilhas Britânicas -, acreditavam que o mundo seria ameaçado na véspera do evento pela ação de terríveis demônios e fantasmas. Dessa forma, o “halloween” nasce como uma preocupação simbólica, onde a festa cercada por figuras estranhas e bizarras, teria como  objetivo o de afastar as influências dos maus espíritos que ameaçariam suas colheitas. 
No processo de ocupação das terras européias, os povos pagãos trouxeram esta influência cultural em pleno processo de disseminação do cristianismo. Inicialmente, os cristãos celebravam  "Todos os Santos" no mês de maio. Contudo, por volta do século IX, a Igreja promoveu uma adaptação, e a festa sagrada  foi deslocada para o 1° de novembro. Por ter essa relação intrínseca ao mundo dos espíritos, o "halloween" foi logo associado a figura de bruxas e feiticeiras.
Na Idade Média, elas se tornaram ainda mais recorrentes, na medida em que a Inquisição perseguiu e matou várias pessoas com a desculpa de exercerem a bruxaria. Da mesma forma, os mortos também se tornaram comuns nesta celebração, por não mais pertencerem a essa mesma realidade etérea: acreditava-se que os espíritos das pessoas perseguidas e mortas pela Inquisição, um dia voltariam para se vingar.
Entre todos os desalmados, destaca-se a antiga "lenda de Stingy Jack". Segundo o mito irlandês, Jack teria convidado o diabo para beber com ele no dia do halloween. Após se fartarem em bebidas, o astuto Jack convenceu o capeta a se transformar em uma moeda para que a conta do bar fosse paga. Contudo, ao invés de saldar a dívida, Jack pregou a moeda em um crucifixo. Para se livrar da prisão, o diabo aceitou um acordo em que prometia nunca importunar Jack. Dessa forma, ele foi libertado, e como combinado, nunca mais importunou o homem. Entretanto, Jack quando morreu não foi aceito nas portas do céu por ter realizado um trato com o demônio. Ao descer para o inferno, também foi rejeitado pelo diabo por ter sido passado para trás. Vendo que Jack estava solitário e perdido, o demônio lhe entregou um nabo com carvão, que lhe serviu de lanterna.
Ao chegarem à América do Norte, os irlandeses trouxeram a festa do halloween para as Américas, e transformaram a lanterna de Jack em uma abóbora iluminada com feições humanas. Os disfarces e máscaras, seriam usados como uma forma de evitar que fossem reconhecidos pelos espíritos que vagam neste dia. 
Atualmente, nos Estados Unidos, as fantasias são utilizadas por crianças, que batem as portas exigindo guloseimas no lugar de alguma travessura contra o proprietário da casa. Já no Brasil, devido a incorporação de nossos costumes,  a festa assume outra roupagem.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA COLOREM A VIDA DOS MORADORES DE RIO DAS CONTAS / BAHIA.

 Agora você vai embarcar para a pequena localidade de Rio de Contas, a cidade mais antiga na Chapada da Diamantina, na Bahia.Com o clima frio, as pessoas gostam de uma cachacinha local para se aquecer.
São as histórias de família que vêm lá de longe, que colorem as vidas dos moradores.
Foi aqui que bandeirantes encontraram ouro na segunda metade do século XVII, fizeram pouso, construíram as primeiras moradas, ergueram a primeira igreja da Chapada Diamantina em 1718, e batizaram o lugar de Santo Antônio do Mato Grosso, em homenagem ao santo padroeiro. Aqui também instalou-se a primeira freguesia do alto sertão da Bahia, e é hoje um lugar de gente hospitaleira e tranquila.
No meio da rua, puxo uma prosa com seu Zé, morador antigo, que um dia arriscou deixar a vila, mas o coração o trouxe de volta ao lugar onde nasceu.
Dona Terezinha ( quilombola), carrega a puresa e a simplicidade da gente daqui. Apesar de nunca ter saído do povoado, tem o coração aberto para as mudanças. Ela mostra com orgulho o lugar onde nasceu, conta que a infância foi alegre no arraial, e lembra a festanças na época da mocidade:

- Não tinha luz, nós fazia fogueira e tinha muito namoro.

A cantiga de roda é ensinada as crianças como parte da batalha para preservação da cultura:

- É a cultura dos nossos pais, avós, bisavós... É o canto do nosso povo.

Ponto a ponto, o bordado conhecido como "crivo rústico", é feito em sacos de açúçar. Acredita-se  que chegou  com as mulheres dos colonos no século XVIII, e foi ensinado as escravas mais próximas das senhoras. As negras do quilombo aprenderam com capricho o bordado, que até hoje é fonte de renda das mulheres do povoado.
O artesanato em madeira ajudou a sustentar famílias inteiras, e fez nascer um novo ofício. Leônidas é um guardião da arte de transformar madeiras em peças de uso domésticos, aprendeu o ofício aos 11 anos.
Sem ouro e sem diamantes, a agricultura é hoje o forte na região. Em uma fazenda, a lida com a cana dura o ano inteiro. Há 10 anos, Aparecido usa a foice com habilidade durante a colheita, e pode assim acreditar numa vida melhor.
Ao pé da serra é fabricada a primeira cachaça orgânica do Brasil. Cada passo é produzido artesanalmente. A colheita é feita sem queimada, permitindo que a cana brote de novo, preservando o solo. Uma cana especial, que rende mais caldo, e não recebe agrotóxico na plantação.
Parte do bagaço é usada na caldeira para o aquecimento do alambique, a outra parte segue para adubação. Os resíduos retornam ao solo, contribuindo para a produção orgânica da fazenda. Após a fermentação, a cachaça vai para o alambique. 
Depois de pronta, essa cachaça artesanal chega hoje para cinco países, levando um pouco do sabor e do velho costume de negros e garimpeiros da Chapada.

( Fonte: Via Brasil)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A LENDA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA / A ORIGEM DO DIA DAS CRIANÇAS.

Tudo começou no ano de 1717, onde três pescadores - Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso - , moradores nas margens do rio Paraíba, no Município de Guaratinguetá/São Paulo, cansados e desanimados por não terem apanhado peixe algum, depois de várias horas de trabalho, rumavam de volta  quando, lançando mais uma vez a rede, retiraram das águas o corpo de uma imagem sem cabeça. Em um segundo arremesso, encontraram também a cabeça da imagem de terra cozida. Impressionados, experimentaram mais um lance da rede. Naquele momento, foi tão abundante a pescaria que encheram as canoas.
A pesca, quase milagrosa, despertou neles grande curiosidade em relação à imagem, que limparam com muito cuidado.
  Verificaram que se tratava de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura. Com cuidado, colocaram a imagem no oratório de sua pobre morada, e diante dela, começaram a fazer suas orações diárias.
A lenda conta que os pescadores, após terem trazido à terra firme o corpo e, em seguida, a cabeça,a silhueta frágil da Virgem tornou-se extremamente pesada.
Não tardou para a Virgem Santíssima a mostrar, por novos sinais, que tinha escolhido esta imagem para distribuir favores especiais a seus devotos.
A partir daí, na tradição brasileira, a Virgem Aparecida, sob o vocábulo de sua Imaculada Conceição, é a Santa Mãe, padroeira das mulheres grávidas e dos recém-nascidos, dos rios e do mar, do ouro, do mel, da beleza e da sedução. Ao longo dos anos, a devoção à Virgem da Imaculada Conceição “Aparecida” se ampliou, e numerosas graças foram obtidas.
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- A ORIGEM DO DIA DAS CRIANÇAS -

- por Rainer Sousa (Historiador) -

O Dia das Crianças é uma data comemorada em diferentes países. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) convencionou o dia 20 de novembro para se comemorar o dia das crianças.

A escolha desta data se deu porque nesse mesmo dia, no ano de 1959, o UNICEF oficializou a Declaração dos Direitos da Criança. Nesse documento, se estabeleceu uma série de direitos válidos a todas as crianças do mundo como alimentação, amor e educação. No caso brasileiro, a tentativa de se padronizar uma data para as crianças aconteceu algumas décadas antes.
Em 1923, a cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, sediou o 3º Congresso Sul-Americano da Criança. No ano seguinte, aproveitando a recente realização do evento, o deputado federal Galdino do Valle Filho elaborou o projeto de lei que estabelecia essa nova data comemorativa. No dia 5 de novembro de 1924, o decreto nº 4867, instituiu 12 de outubro como data oficial para comemoração do Dia das Crianças.
Entretanto, a data não se tornou uma unanimidade imediata. Somente em 1955, começou a ser celebrada a partir de uma campanha de marketing elaborada por uma indústria de brinquedos "Estrela". Primeiramente, Eber Alfred Goldberg, diretor comercial da empresa, lançou a chamada “Semana do Bebê Robusto”. O sucesso da campanha logo atraiu a atenção de outros empresários ligados à indústria de brinquedos.
Com isso, lançaram uma campanha publicitária promovendo a “Semana da Criança” com o objetivo de alavancar as vendas. Os bons resultados fizeram com que esse mesmo grupo de empresários revitalizassem a comemoração do “12 de outubro” criado pelo deputado Galdino.
 Dessa forma, o Dia das Crianças passou a incorporar o calendário de datas comemorativas do país.


A PAZ entre os povos só acontecerá no dia  em que cada um  respeitar as diversidades religiosas e culturais: a PAZ não está nesta ou naquela direção, e sim naquilo que fazemos com o entendimento daquele caminho que escolhemos trilhar.
Se quisermos dissiminar a PAZ no Planeta, temos que aprender a respeitar as diferenças. Afinal, somos todos iguais perante os olhos do Criador.

domingo, 10 de outubro de 2010

ÔCHE, DEU BODE !


Quem nunca ouviu falar no bode Bito, um dos mais importantes símbolos da cidade de Riachão do Dantas ?
Pois é, eu fui até lá buscar essa história para vocês.
Foi assim:
Comprado pelo seu dono, ele deveria ser transformado numa buchada, prato típico da culinária nordestina brasileira, mas acabou virando atração na cidade e ganhando fama nacional e até internacional.
Riachão do Dantas é uma cidade localizada a 99km de Aracaju e, coincidência ou não, esse animal acabou ajudando a divulgar a localidade, que possui pouco mais de 20 mil habitantes.
Participante ativo de todos os eventos da comunidade, bode Bito - que não perdia um enterro, desfile ou procissão - veio a falecer no dia 29 de julho de 2007, aos 18 anos, deixando a população inconsolável.
Ele era tão querido pelo povo, que ganhou até uma estátua na entrada da cidade em sua homenagem. Verdade !
Mas os moradores se queixam que ele não teve uma despedida à altura de sua fama, pois o bode não deixava de acompanhar todos os cortejos fúnebres que aconteciam.

É pessoal, o bode Bito se foi, mas sua história ficará para sempre.
Inclusive aqui.
 

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

EX-VOTO - MANIFESTAÇÃO CULTURAL DE UM POVO.


Misto de devoção e fé, o ex-voto é uma manifestação da criação artística de um povo que testemunha não apenas a sua religiosidade, como ainda nos fornece elemetos importantes acerca da vida das comunidades.
O ex-voto é a designação erudita, onde podem ser enquadrados nossos milagres e promessas. São oferendas feitas aos santos de particular devoção ou, especialmente, indicados por alguém que obteve uma graça ou milagre implorados, como um testemunho público de gratidão.
Ex-voto - do latim: por força de uma promeça, de um voto- é depositado em local público ou de acesso coletivo - igrejas ou capelas - e apresenta uma série de formas testemunhais para pagamento de promessas ou em agradecimento a uma graça alcançada:
representação iconográfica (pintura ou fotografia) da graça ou milagre obtidos, como ameaça de morte, doenças curadas, perigos evitados, milagres que salvam propriedades de incêndios, secas, enchentes, pragas, dívidas.
O bem recuperado é retratado colocando-se numa legenda a narrativa do milagre, e a identificação do agraciado e do agraciador; representação em forma de escultura retratando normalmente uma doença curada;
inscrições em tábuas, mármores ou outro material "nobre" do testemunho ou gratidão pela graça alcançada;
bens como jóias, dinheiro, objetos preciosos de uso litúrgico e até capelas construídas em agradecimento, como é o caso da Nossa Senhora do Ó, em Sabará, Minas Gerais; elementos simbólicos como velas e flores;
cruzes usadas em peregrinações;
representações de casas, edifícios e chaves de carros, acompanhadas de bilhetes referindo-se a aquisição do bem ou sobrevivência em desastres ou acidentes;
carteiras de cigarros e garrafas de bebidas agradecendo o abandono do vício;
representação de várias espécies de animais narrando a gratidão do proprietário pela cura do animal ou proteção de grave perigo.
Foi uma prática muito recorrente no Brasil colônia e principalmente na região de Minas Gerais.
O hábito de oferecer ex-voto continua vivo para grande número de fiéis nas diversas camadas da população. Com o advento da fotografia e do ex-voto de cera semi-industrializada, desapareceu a preocupação de apresentar uma obra estética.
Com isso, pode ter perdido um pouco em valor artístico, mas não deixou de ter um grande significado como forma de expressão da religiosidade, fé e esperança da cultura de um povo.

Quando estou viajando e visito uma igreja, a primeira coisa que procuro é a sala destinada a ex-voto.
Fico parada olhando e imaginando as diversas histórias que estão por trás de cada peça ali depositada.

E você, já teve alguma graça alcançada ?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A LENDA DO BARBA-RUIVA.

Num pequeno povoado pertinho da lagoa de Paranaguá, no Piauí, vivia uma senhora com suas três filhas. A mais nova das moças namorava um jovem que lhe prometera casamento, e em que ela depositara toda sua esperança de felicidade.Um dia, a moça sentiu que estava grávida.
Tudo bem, se não fosse o jovem ter ido trabalhar em outras terras e nunca mais ter voltado. Talvez tenha morrido, talvez tenha mandado uma carta que nunca chegou, talvez, isto, talvez, aquilo... A verdade é que a moça viu que teria o filho sozinha.
Ela passou a viver muito triste pela ausência de seu amor, e também muito envergonhada. Como havia de enfrentar os vizinhos sendo mãe solteira? Naquele tempo, era um escândalo uma moça ter um filho sem ser casada...
Depois de muito refletir, decidiu que, assim que o bebê nascesse, ela o colocaria dentro de uma bacia de cobre e o jogaria nas águas do rio. E foi o que fez logo que o menino nasceu.
Atenta a tudo que acontece nos seus domínios, a mãe-d’água ficou indignada com a atitude da jovem mãe. Como podia ela entregar o filho recém-nascido ao reino das águas? Então pegou o menino em seus braços e levou-o com ela.
Mas estava tão furiosa, que as águas se revoltaram, fizeram ondas enormes e alagaram as margens, engolindo as árvores, e se estenderam tanto pela terra, mas tanto, que o rio transformou-se numa lagoa cristalina com um imenso espelho de 15 quilômetros de largura. Foi assim que, da ira da mãe- d’água, formou-se a belíssima e vasta Lagoa de Paranaguá.
Mas a mãe do bebê não podia esquecer seu filhinho. Vivia amargurada com sua atitude. Ah, se pudesse saber onde estava o seu menino, e o que lhe acontecera!... Noite após noite, ela ia até a beira da lagoa e ali ficava de olhar parado sobre as águas, na esperança de que a luz do luar indicasse onde ele estaria. Porém o luar nada lhe dizia, nada lhe mostrava. Contudo, se seus olhos nenhum sinal podiam descobrir, seus ouvidos podiam perceber o som estranho vindo do fundo da lagoa, um choro de criança novinha, parecia um bebê querendo mamar.
O caso começou a ser falado e comentado; todos queriam ouvir o choro que vinha das águas. Mas, pouco a pouco, as pessoas foram se afastando daquele lugar e ninguém mais quis construir casa perto da lagoa. É que achavam muito triste ouvir, uma noite atrás da outra, o choro de uma criança novinha.
E assim os dias foram se seguindo às noites, no permanente passar do tempo, até que uma noite o bebê deixou de ser ouvido. Estaria o encanto terminado? Todo mundo começou a se aproximar cada vez mais da lagoa.
Ora, numa certa manhã, as moças que costumavam vir ali lavar roupa viram surgir das águas a figura de um menino, que sorria para elas um sorriso alegre como só os bebês têm. Tomaram um susto tão grande , que fugiram largando a roupa lá, e só voltaram à tarde. Aí, no mesmo lugar, a figura surgiu novamente, só que agora era de um moço bonito, de barba ruiva, que correu para abraçá-las. Mais um susto e mais uma corrida para bem longe dali. Quando caiu à noite, as moças voltaram para buscar a roupa, certas de que não teriam mais nenhuma visão. Mas... eis que de, novo, no mesmo lugar, elas vêem aparecer a mesma figura, desta vez com um homem de barba ruiva.
Desde esse dia, muitas pessoas já o viram e, curiosamente, ele não quer conversa com os homens, mas quando vê uma moça corre para ela - não para fazer mal, somente para abraçá-la e beijá-la. Como não sabem as suas intenções, as moças têm medo de Barba-Ruiva e não se atrevem a itr lavar roupa sozinhas.
Pobre Barba-Ruiva! Só está em busca de carinho e de alguém que quebre o seu encanto. Como isso pode acontecer? Bem, é preciso que surja uma mulher corajosa, que não tenha medo de se aproximar de Barba-Ruiva e jogar água benta sobre sua cabeça. No dia em que isso acontecer, Barba-Ruiva voltará a ser gente, como deveria ser desde que nasceu.
Onde estará a mulher, jovem ou não, que seja decidida e corajosa o bastante para desencantá-lo? Pelo visto ainda não nasceu.
Enquanto isso, o Barba-Ruiva continua seguindo a sua sina pelas águas espelhadas da Lagoa de Paranaguá.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A ÁRVORE DA VITALIDADE: O GUARANÁ.



Um casal de índios pertencentes a tribo Saterê- Mauê (AM), viviam junto por muitos anos sem ter filhos, mas desejavam muito ser pais. Um dia eles pediram a Tupã para dar-lhes uma criança a fim de que pudesse então, completar aquela felicidade. Tupã, o rei dos deuses, sabendo que o casal era cheio de bondade, atendeu o desejo trazendo a eles um lindo e saudável menino.

O tempo passou rapidamente e o menino cresceu bonito, generoso, forte e bom. No entanto, Jurupari, o deus da escuridão, sentia uma extrema inveja do menino e da paz e felicidade que ele transmitia, e decidiu ceifar aquela vida em flor.

Um dia, o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari aproveitou-se da ocasião para lançar sua vingança: transformou-se em uma serpente venenosa e mordeu o menino, matando-o instantaneamente.

A triste notícia se espalhou rapidamente. Neste momento, trovões ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia. A mâe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo que ela deveria plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos.

Os índios obedeceram aos pedidos da mãe e plantaram os olhos do menino. Neste lugar cresceu o guaraná, cujas sementes são negras, cada uma com um arilo em seu redor, imitando os olhos humanos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A LAVADEIRA MASCARADA.






A "lavadeira mascarada", é um pássaro bem resistente,  figurinha fácil de se encontrar nos grandes  centros urbanos .
Tem a mania de procurar seus pares nas margens de rios e córregos.
É uma ave misteriosa,  cheia de mitos e crendices: dizem que não se podem alvejá-las, porque foram elas quem lavaram as roupas de Nossa Senhora, sujas do sangue de seu filho Jesus.
Quem se atrever, vai é direto para o inferno.


Um menino, duvidando da história, apontou o bodoque para abater o tal pássaro,  viu foi a imagem do capeta na sua frente.
Dizem que o  moleque está correndo até hoje.
Esta história foi contada por um amigo lá de Salvador, chamado José Walter Seixas :
ele jura que é verídica !


domingo, 8 de agosto de 2010

A ORIGEM DO DIA DOS PAIS.


Ao que tudo indica, o Dia dos Pais tem uma origem bem semelhante ao Dia das Mães. Pelo menos é o que mostra a tradição norte-americana. Em ambas as datas, a idéia inicial foi praticamente a mesma: criar datas para fortalecer os laços familiares e o respeito por aqueles que nos deram a vida .

Estados Unidos

Em 1909 Sonora Louise Dodd, filha do veterano da Guerra Civil, John Bruce Dodd, ao ouvir um sermão de sua mãe, teve a idéia de celebrar o Dia dos Pais. Sonora, de Washington, queria um dia especial em homenagem ao pai, que viu sua mulher dando a luz ao sexto filho, tendo que criar o recém-nascido e seus outros cinco filhos sozinho. Já adulta Sonora sentia-se orgulhosa de seu pai ao vê-lo superar todas as dificuldades sem a ajuda de ninguém; foi destemido e amável. Então, já que John Bruce Dodd, pai de sonora, nascera no mês de Junho, ela escolheu celebrar o primeiro Dia dos Pais em Spokane, Washington, no dia 19 de junho de 1910.

Por fim, em 1924 o presidente Calvin Coolidge, apoiou a idéia de um Dia dos Pais nacional e, finalmente, em 1966, o presidente Lyndon Johnson assinou uma proclamação presidencial declarando o terceiro Domingo de Junho como o Dia dos Pais.

Brasil

Já no Brasil, quem importou a data foi o publicitário Sylvio Bhering. Instituído no dia 14 de Agosto de 1953, período que coincidiu com o dia de São Joaquim, patriarca da família, atualmente é comemorado no 2º domingo do mês de agosto, sendo a data brasileira diferente da americana e européia.

O Dia dos Pais pelo Mundo


Pelo menos onze países também comemoram o Dia dos Pais à sua maneira e tradição. Na Itália e Portugal, por exemplo, a festividade acontece no mesmo dia de São José, 19 de março. Mesmo com a ligação católica, essa data ganhou destaque por ser comercialmente interessante.

Reino Unido

    No Reino Unido, o Dia dos Pais é comemorado no terceiro domingo de junho, sem muita festividade. Os ingleses não costumam se reunir em família, como no Brasil. É comum os filhos agradarem os pais com cartões, e não com presentes.
 
Argentina

    A data na Argentina é festejada no terceiro domingo de junho com reuniões em família e presentes.
 
Grécia

    Na Grécia, essa comemoração é recente e surgiu do embalo do Dia das Mães. Lá se comemora o Dia dos Pais em 21 de junho.
 
Portugal

    A data é comemorada no dia 19 de março, mesmo dia que São José. Surgiu porque é comercialmente interessante. Os portugueses não dão muita importância para essa comemoração.
 
Canadá

    O Dia dos Pais canadense é comemorado no dia 17 de junho. Não há muitas reuniões familiares, costuma ser uma data mais comercial.
 
Alemanha

    Na Alemanha não existe um dia oficial dos Pais. Os papais alemães comemoram seu dia na mesma data que Jesus Cristo ressuscitou. Eles costumam sair às ruas para andar de bicicleta e fazer piquenique.
 
Paraguai

    A data é comemorada no segundo domingo de junho. Lá as festas são como no Brasil, reuniões em família e presentes.
 
Peru

    O Dia dos Pais é comemorado no terceiro domingo de junho. Não é uma data muito especial para eles.
 
Austrália

    A data é comemorada no segundo domingo de setembro. E a comemoração é igual ao do Brasil, com direito a muita publicidade.
 
África do Sul

    A comemoração acontece no mesmo dia do Brasil, mas não é nada tradicional.
 
Rússia

    Na Rússia não existe propriamente o Dia dos Pais. Lá os homens comemoram seu dia em 23 de fevereiro, a chamada data "o dia do defensor da pátria" (Den Zaschitnika Otetchestva).

Ser pai não é para qualquer um... não mesmo! Fortes, protetores, ou mesmo atrapalhados, eles inspiraram inúmeros criadores a explorar suas histórias. Aventuras, comédias ou dramas.
A verdade é que todo dia é dia dos Pais! E o maior presente que você pode dar a ele, todos os dias, é dizer sempre o quanto você o ama. Afinal de contas, se: "mãe é mãe", "pai é pai", não é?

sexta-feira, 23 de julho de 2010

MOSSORÓ (RN), A CIDADE DA RESISTÊNCIA.



Mossoró, cidade localizada no Rio Grande do Norte, já foi conhecida como cidade abolicionista. Hoje tem gente que pensa em mudar o nome da cidade para Cidade da Resistência, afinal Mossoró foi o único município a resistir ao ataque de Virgulino Ferreira, o "Lampião".
Nos primeiros 25 anos do século passado, Mossoró era conhecida apenas como uma cidade abolicionista, pelo fato de ter libertado os escravos  cinco anos antes  da Lei Áurea, em 1883.
Mas, em 1927, com a vitória frente os cangaceiros, Morroró conseguiu uma outra marca, uma espécie de slogan, que todos que moram por lá, fazem questão de exaltar: a marca da "resistência".
Essa palavra de 11 letras está presente em todos os cantos da cidade, dando nomes a monumentos, bairros, prédios públicos, emissora de rádio e até uma ponte que, por enquanto, só foi projetada.
O termo "resistência" é tão forte, que muitos consideram uma opção alternativa de nome para a cidade. Já pensou, ao invés de  Mossoró, cidade Resistência ?

A Resistência ainda desperta muitas curiosidades por parte dos historiadores, o assunto já deu mote para dezenas de livros,  e a expectativa é que venham mais por ai. Na biblioteca Municipal, os títulos que tratam da Resistência são muito procurados, e estão acessíveis a todos. Entre as obras já publicadas sobre o tema, uma das mais importantes é a do pesquisador Raimundo Soares de Brito.
Do papel para a telona , a Resistência já foi parar no cinema. O filme "Cidade de Quatro Torres" , de 1995, é a primeira produção visual feita sobre o ataque de Lampião a Mossoró.
Hoje, a marca Resistência é mais forte no Memorial, que foi construído há três anos com o objetivo de resgatar toda essa história . Dividida em quatro partes temáticas, o espaço virou cartão postal da cidade junto com um espetáculo grandioso, o "Chuva de bala no país de Mossoró".

(Fonte: Via Brasil)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

QULOMBOLA CAFUNDÓ PRESERVA A TRADIÇÃO.

Um ritual criado há 120 anos une a religião católica e a cultura quilombola, numa comunidade de descendentes de escravos, em Salto de Pirapora, no interior de São Paulo. A festa que celebra a preservação da cultura negra, tem procissão, capoeira e muita dança.
Os últimos raios de sol se perdem no horizonte, e a noite que se aproxima abre espaço para a cultura de um povo. No quilombo Cafundó, em Salto de Pirapora, a tradição está nos pés das novas gerações que aprendem sobre o passado. O jongo era uma dança que os negros faziam nas senzalas, tantos nos momentos tristes, como os de alegria. A capoeira, outra dança que chegou com os escravos, também está presente nessa grandiosa festa.
A todo momento as tradições africanas são preservadas nesta comunidade, que surgiu em 1876, doze anos antes da abolição da escravatura. Naquela época, um fazendeiro da região, libertou 12 de seus escravos e doou algumas de suas  terras, foi o que deu origem a  essas duas famílias que vivem hoje no Cafundó. Atualmente, este quilombo tem 105 moradores, descendentes de africanos e das duas familias que chegaram aqui.
A religião também é relevante nesta cultura, e a celebração mais importante da comunidade é a festa dos padroeiros São Benedito e Nossa Senhora Aparecida. A procissão tem início, e a caminhada é pelas ruas de terra da comunidade. As velas são a única iluminação: homens carregam o andor de São Benedito e andam até a casa mais distante do povoado.
As mulheres saem depois, e carregam a imagem de Nossa Senhora Aparecida. A procissão vai por um outro ponto, onde param a espera, em oração e cantos, a volta dos homens.
A procissão termina na capela da comunidade, quando as imagens dos santos são colocadas no altar. As velas levadas pelos devotos, ficam junto à santa cruz. Logo começa a celebração.

Mais um ano de demonstração de fé. 
A tradição foi mantida.

Fonte: Via Brasil.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

BARÃO DE JUPARANÃ: UMA CIDADE ONDE TODOS SÃO PARENTES.


Uma história antiga une as pessoas do município de Valença, no Estado do Rio de Janeiro. Lá, os moradores costumem dizer que todos são primos.
E não é que é verdade?
É porque quase todos os moradores são descendentes do Barão de Juparanã. Considerado uma pessoa excêntrica, Barão de Juparanã morava sozinho, e quase não saía de casa. Mas, segundo pesquisas, teve 25 filhos com cinco escravas alforriadas por ele. E os descendentes lutam para preservar a história da família. 
A cidade foi batizada com seu nome - Barão de Juparanã - ,localizada no distrito de Valença, no Estado do Rio de Janeiro, um vilarejo que cresceu numa fazenda no século XIX. O que Barão de Juparanã tem de especial são os moradores, pois a maioria das pessoas descendem do mesmo sobrenome - Nogueira da Gama. Manoel Jacinto ou Barão de Juparanã, teve 25 filhos e todos moraram neste lugar. O jovem branco de uma família influente do Império, teve seu primeiro filho aos 19 anos de idade. A última filha, nasceu dois meses depois de sua morte, em 1876. 
Um homem que enfrentou a sociedade da época, porque tinha cinco escravas alforriadas, e  com elas essa filharada. Relatos dizem que ele as tratava muito bem: levava para passear de carruagem, as vestia com modistas de Vassouras e Valença. Enfrentava o preconceito com a maior simplicidade.
E todos os seus herdeiros receberam a sua parte quando  morreu em 1876. A Fazenda Santana, uma de suas propriedades, foi dividida, cada um recebeu um pedaço de terra. 
Ainda hoje, há quem mantém na família recordação do passado, um passado que renasce:  a família nobre do Barão Manoel Jacinto Nogueira da Gama e suas cinco esposas negras, ex-escravas.

Fonte: Via Brasil.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A CASA DAS SETE MORTES / BA.

Uma construção na capital baina é cercada de mistérios.
No centro histórico de Salvador (BA), a construção  conhecida como "casa das sete mortes",  gera polêmica entre os moradores da região.
Você já ouviu falar de uma casa assombrada bem  no centro histórico de Salvador?
As pessoas que moram e os que trabalham na vizinhança, contam histórias de aparições e barulhos. 
Abandonada há anos e tombada pelo patrimônio histórico, o solar, construído em 1605,  é um dos mais antigos do país. Conhecida como "a casa das sete mortes", a construção ainda é cercada de alguns mistérios.
Muita gente que vive na Ladeira do Paço, conta que não gostaria de passar uma noite dentro da tal casa. As crianças dizem que ela treme, as portas e janelas batem. Exagero de criança ? Creio que não. Um antigo morador da rua dá uma dica de como no passado o imóvel ficou com fama de mal assombrado:
- Disseram que a empregada era muito mal tratada pelos patrões. Cansada dos maus tratos, um dia resolveu se vingar: escolheu a  hora do almoço, quando as sete pessoas se reuniam à mesa, e colocou veneno na comida.
Segundo os arquitetos especialistas  do Instituto Patrimônio Artístico e Cultural do Estado, a casa é considerada a "avó" de todas as casas do Brasil. Nenhuma casa, em todo país, tem tantos elementos, tantos detalhes que remetam ao estilo residencial português, quanto este casarão.
Entrar na casa é mergulhar num passado de 400 anos atrás. Como comprovam gravuras e documentos, a casa já existia em 1605, descoberta essa que motivou a recuperação do imóvel: do lado de fora azulejos portugueses ( do século XVII) e do lado de dentro, as peças são inglesas: tudo restaurado. 
São vários tipos de piso, dos mais refinados - como do mármore carrara -,  aos bem rústicos ( os de pedra lascadas, tijolos de barro e cal).
No Arquivo Colonial  e Provincial consta, no  livro do Tribunal da Relação ( de 1755) - o equivalente hoje ao Tribunal de Justiça -  o caso das sete mortes:
"Padre Manoel Almeida Pereira morreu junto com outros dois pardos e um preto", consta no índice.
Portanto, não foram sete mortes, e sim quatro. 
Vizinhos que moram ao lado da casa, descobriram a origem de todo mistério:
- O que o pessoal fala sobre essas visagens, não tem nada  disso.
Existe muito "sariguê" pulando a noite. Pela manhã, ainda os encontramos  dormindo dentro das panelas, sacolas. Esse animal, andando no teto de madeira, dá a impressão de passos de pessoas.
Pronto. Está solucionado o mistério: na "casa das sete mortes" não tem fantasmas. 
Só que com isso, acaba a graça do Pelourinho.
Por outro lado, com mais esse imóvel pronto e recuperado, a história está garantida por muitos e muitos anos.

(Fonte: Via Brasil)

sábado, 26 de junho de 2010

CAVALGADA EM SÃO JOSÉ DO BELMONTE / PE.

Cavalgada em Pernambuco relembra lenda sertaneja do século XIX. O percurso acontece todo ano em São José do Belmonte (PE).
A lenda teve início com um sertanejo pernambucano que, inspirado em versos de cordel, liderou um grupo de fanáticos religiosos que acreditava no aparecimento de Dom Sebastião, rei de Portugal.O rei não apareceu, mas a história é relembrada todos os anos com a cavalgada de São José do Belmonte, em Pernambuco.
Para conclamar os cavaleiros, música regional e uma salva de fogos de artifício. São 33 km de cavalgada até a Pedra do Reino, mantendo-se a tradição no sertão pernambucano. Honra é liderar os cavaleiros, assim pensa quem é escolhido para ser rei ou rainha do evento. Os organizadores refazem o caminho de tropas do império. 
Em 1838, o major Manoel Pereira da Silva e seus homens, dirigiram-se à serra do Catolé para acabar com uma seita que incentivava suicídios, no antigo arraial de Pedra Bonita, hoje Sítio da Pedra do Reino, ponto final da cavalgada.
Hoje, este sítio é considerado um memorial, conservando um pedacinho da história do Brasil.

(Fonte: Via Brasil)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A FESTA DO PAU DA BANDEIRA.

Acostumado a ser intimidado com seqüestros, afogamentos e a ser pendurado pelos pés em troca de um bom casamento, Santo Antônio deve ficar aliviado quando a cidade de Barbalha, no sul do Ceará, vale do cariri, se enfeita  para homenageá-lo. 
"A festa de Santo Antônio de Barbalha é de primeira", já dizia o sanfoneiro Luiz Gonzaga. “É um fuzuê danado pra ver o pau da bandeira”. E no meio desse fuzuê, tem banho de lama, bastante cachaça e muita vontade das moças de arrumar um bom partido. Ritual é o que não falta. A festa, conhecida também como "Pau da Bandeira", acontece no mês de junho com algumas particularidades:
Tudo começa no sábado anterior ao primeiro domingo do mês, quando saem às ruas as mulheres casadoiras com mais de 30 anos, conhecidas como as "solteironas de Barbalha". São elas as principais interessadas no festejo, que tem seu ápice no hasteamento do tronco de até duas toneladas. Missas, apresentações folclóricas e shows profanos preparam o povo para o grande momento da chegada do “pau”, carregado pelos homens num trajeto de cerca de cinco quilômetros.
Então, é a hora das solteironas entrarem em ação. Para espantar a maldição da solteirice, elas avançam rapidamente em direção ao tronco, tocando, e até se esfregando nele. As mais afoitas, ainda assinam o nome na bandeira  com a imagem do santo - vale tudo para ter uma ajudinha extra. Há quem prefira evitar a multidão: essas tem a opção de comprar produtos que possuem as propriedades do pau. Na quermesse, as solteironas oficiais  faturam – se não um marido, ao menos algum dinheirinho: chá de lasca do pau  e terço com pedaços do tronco, são opções. Este último vem com a seguinte oração: “Santo Antônio, meu Santo Antônio, meu amado padroeiro, arranjai-me um bom marido, e eu o louvarei o ano inteiro”. E ainda acompanha indicação: “Reze este terço durante 13 dias e aguarde o milagre!”.  Xique !
E observa: “Tudo depende da  fé".
Portanto, se você é solteirona e deseja arranjar um casamento, corra porque ainda dá tempo. Os festejos se encerram no dia 13 de junho - dia do santo - com a procissão.
Devotos de Santo Antônio, os carregadores aproveitam o cortejo para se divertir. Além dos carros de bebida, paredões de som animam a população - forró é o ritmo mais tocado. Mas a festa tem um animador oficial: ao microfone, num carro de som, ele incentiva os carregadores o tempo todo.
Quanto as piadas de duplo sentido, o pároco da cidade diz que já se acostumou, e garante que existe muito folclore em meio à festa. 
Será ? 
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Luiz Gonzaga, o rei do baião, canta:
"A festa de Santo Antônio em Barbalha é de primeira." 
(música de Alcymar Monteiro)
Festa tradicionalíssima em homenagem a Santo Antônio. 
Barbalha,cidade conservadora se transforma numa festa realmente popular em que o sagrado e profano se interagem. 
Folclore e cultura bem peculiar da região do cariri cearense,bem no sopé da serra do Araripe.
Verdadeiro oásis em plena caatinga nordestina. 
Povo trabalhador, alegre e devoto do santo casamenteiro e do taumaturgo do nordeste Pe. Cícero.
Viva a festa de Santo Antônio de Barbalha!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

ANA JANSEN E A SUA CARRUAGEM FANTASMA.


Uma rica comerciante do século XIX transformou-se num fantasma mais famoso do Maranhão:
Em São Luís existiu uma mulher muito poderosa, dona de quase todo patrimônio arquitetônico da cidade e, conseqüentemente, ela tinha uma influência muito grande na política local.
O nome dela era Donana Jansem ou Ana Jansem como era mais conhecida. Ela viveu há mais de 100 anos, mas o povo ainda continua falando dela.
Dizem, que Ana Jansem era uma pessoa muito perversa com os escravos. Quando queria castigá-los, ela os colocava pendurados de cabeça para baixo dentro do poço e os esquecia ali. Nas noites, ouviam-se os gemidos e os gritos dos escravos.
A família de Ana Jansem garante que tudo é intriga da oposição, porque naquela época uma mulher não podia ter o mesmo poder de mando que um homem. Ana Jansem não era letrada, mas era uma mulher mão-de-ferro.
Ela foi uma figura extremamente importante para a época e para o desenvolvimento de São Luís. Por causa desse poder que exercia junto a cidade, Ana Jansem tornou-se uma lenda famosa e apavorante:
Dizem, que por ter se comportado mal em vida, Ana Jansem teve seu castigo após a morte: foi condenada a vagar eternamente pelas ruas da cidade. Nas noites de sexta-feira, lua cheia, aparece uma carruagem conduzida por um negro sem cabeça.
Uma carruagem puxada por mulas sem cabeça jorrando línguas de fogo. Ana Jansem aparece vestida de negro trazendo no pescoço um cordão de ouro com o brasão de sua família. A carruagem percorre toda região da Praia Grande, justamente onde ela morava.
Quem cruza o caminho da carruagem fantasma tem que aceitar uma vela oferecida pela própria Ana Jansem, uma vela que depois se transforma em osso humano.
Quem mora no Maranhão garante escutar a carruagem com suas rodas rangendo durante a noite.

E você, gostaria de cruzar com Ana Jansem no meio da noite?

sábado, 15 de maio de 2010

O REI DA JABUTICABA PRETA.


O homem se sentia o próprio Rei da jabuticaba preta. A que ele vendia, era preta de tinir, mais gordinha do que as outras e super doce. A melhor jabuticaba vendida no Mercado Municipal dos Montes Claros. Indiscutivelmente, a melhor e maior de todo o Norte de Minas. A jabuticaba de Antônio de Maria Rita.
O preço das mesmas e
ra salgado, mas o produto de primeira. Só atendia sob encomenda, feita sempre com uma semana de antecedência.
O pagamento era em moeda corrente e no ato da entrega. Dona Belarmina fizera a encomenda e no sábado fora apanhar o produto, para o deleite de suas netas que vieram da Bahia e, chegando ao mercado só encontrou o espaço demarcado vazio.
Nada do rei da pretinha!
No sábado seguinte, lá estava a Dona Bela, bem cedo, fazendo a sua queixa ao Rei da jabuticaba preta. Este, macio que ele só, contou o incidente que lhe havia privado do fornecimento habitual das jabuticabas aos clientes, no sábado anterior.
O fato se dera disse, quando subiu a serra na sua propriedade, como habitualmente fazia nas sextas-feiras à tardinha, para apanhá-las.
Carregou a lata de 18 quilos, de suculentas jabuticabas, aprontou a rodilha de pano na cabeça, ato contínuo, desceu o morro. Lá vai Antônio com a lata de jabuticabas.
Andando a passadas largas nos seixos miúdos no chão da serra, o barulho das alpargatas, chap... chap...chap!
Já escurecendo; só a luz da lua, de repente ao levantar o pé direito em mais um passo, pasmem! Atravessada na trilha, dormindo profundamente, uma onça pintada. Foi Deus que não a deixou acordar com o barulho até então.
O rei da pretinha ficou parado, a lata foi pesando na sua cabeça, o tempo passando, e ele sem fazer barulho para não acordar a “bicha feroz’.
De repente o pensamento fatal! Ela vai acordar de manhã, com a barriga vazia, vai me ver e, adeus o rei da jabuticaba”.
A lata foi pesando, o pescoço afundando, doendo horrivelmente, o desespero chegando, e aí bateu a intuição! Tirou a lata da cabeça calmamente, encostou-a numa moita de unha de gato ao seu lado direito, tudo lentamente; inclinou a lata aos poucos, e as jabuticabas foram escorrendo pelas ramas sem fazer barulho.
Estando o recipiente vazio, virou-o de boca para baixo... Aproximou do escutador da pintada e, emitindo um grito apavorante, deu uma tapa nos fundos da lata: Paaa!...A fera deu um salto vertiginoso; deu um segundo e um terceiro salto, urrando, e desapareceu bufando em desabalada carreira, só se via galho quebrando! O pau cantou na casa de Noca.

Dona Bela que assistira ao trágico relato ficou patética! Pode entender o atraso na entrega da sua encomenda, e conformou com o preço aumentado recentemente do produto; não era fácil conseguir jabuticabas como aquelas. 
Só mesmo o Rei da jabuticaba preta, o primeiro e único da terra do Figueira.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

AS MANGAS JASMIM DE ITAMARACÁ.

Dona Sancha Coutinho, meia-moça de rara beleza, tinha apenas quinze anos de idade, mas já não faltava quem pretendesse casar com ela. Seu pai, um rico senhor de engenho de nome João Coutinho, por certo teria planos definidos para seu futuro.
Quase vizinho da família, vivia o jovem Saldanha e Albuquerque, que se apaixonou por dona Sancha e pretendia tomá-la como esposa.
Um dia ganhou coragem, dirigiu-se ao engenho do senhor João e pediu para falar com ele a esposa:
- Senhores, o assunto que aqui me traz diz respeito a vossa filha, dona  Sancha. Há muito tempo a admiro; por isso, venho pedir a sua mão em casamento. Desde agora juro amá-la com todo o respeito.
Oh, que desilusão! Os pais da menina rejeitaram o pedido do jovem apaixonado. Porém, o que eles não sabiam é que a dona Sancha também amava Saldanha e Albuquerque e não aceitaria se casar com nenhum outro.
O jovem partiu, muito triste, e a menina moça também ficou desolada. Saldanha e Albuquerque, desgostoso da vida, ingressou no exército e foi combater os holandeses que tentavam tomar as terras brasileiras. Foi valente, foi herói, até que num combate em pernambuco, ficou ferido e quase morreu. Acabou salvando-se, mas não pode mais combater. Foi então que decidiu tornar-se padre, o padre Aires, como passou a se chamar.
Certo dia, em visita à cidade de Olinda, foi até a ilha de Itamaracá.
Ansioso para saber de sua amada, perguntou pela família de João Coutinho. O casal já havia falecido, mas Dª. Sancha jamais se casara e continuava vivendo no mesmo lugar; sempre triste e saudosa.Aproximou-se da casa. Dona Sancha, que naquele mesmo instante passava pela janela, viu-o e logo reconheceu o seu amado. Só que o seu coração não aguentou a emoção e dona Sancha acabou morrendo.
Que grande, que profunda dor do padre Aires ! Então, para que a beleza de sua amada fosse lembrada para sempre, ele plantou uma mangueira em seu túmulo. Quando a árvore deu frutos, eles tinham um aroma e um sabor diferente e delicado...
Foi assim que, deste amor eterno, surgiram as mangas jasmim de Itamaracá.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A MORADA DO NEGRO D'ÁGUA.

Eu ouvi dizer que um tal de Negro D’Água ou Nego D’Água habita diversos rios, tais como o rio Tocantins e o  São Francisco. 
O cara é tão famoso por aquelas bandas, que até  possui um monumento em sua homenagem, feito pelo  escultor juazeirense Ledo Ivo Gomes de Oliveira, obra esta com mais de doze metros de altura e que foi construída dentro do leito do rio São Francisco exatamente na cidade de Juazeiro (Bahia).
Eu que não sou besta, fui  até lá para conferir. 
E não é que é verdade, gente ?
A prova está ai nesta foto que tirei.

Esta é uma lenda bastante comum entre os ribeirinhos, principalmente pelos lados da região centro-oeste do Brasil, muito difundida entre os pescadores, dos quais muitos dizem já ter o visto.
Segundo a lenda, Negro D’Água, costuma aparecer para pescadores e outras pessoas que estão em algum rio.

Não se há evidências de como surgiu esta lenda, o que se sabe é que o Negro D’água só habita os rios e raramente sai deles.
Sua função seria o de preservar os seus leitos daqueles que procuram as suas riquezas e também daqueles que não preservam a sua santa morada, amedrontando as pessoas que por ali passam, como partindo anzóis de pesca, furando redes, provocando enchentes, derrubando embarcações ou  dando sustos em pessoas.
A punição varia, dependendo daquilo que a pessoa estiver fazendo.

Manifestando-se com suas gargalhadas, preto, careca e mãos e pés de pato, não  é que o talzinho derruba mesmo canoa dos pescadores  se eles se lhe recusarem devolver os peixes?
Sua característica é muito peculiar, ele seria a fusão de homem negro alto e forte, com um anfíbio. Apresenta nadadeiras como de um anfíbio, corpo coberto de escamas mistas com pele. Um horror de se ver.

Em alguns locais do Brasil, ainda existem pescadores que, ao sair para pescar, levam uma garrafa de cachaça e  atiram para dentro do rio, para que não tenham sua embarcação virada.
Só que isso só deixa o Negro D'água mais furioso, porque ele não gosta que polua a sua moradia.

E  se você  tem por hábito não respeitar a morada de Negro D'Água, muito  cuidado.

Parece que ele não está de brincadeira.