quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Pedra do Tigre e Bar do Tchê é lá em Pinheiral, tchê!

cpextuvi















Esta é a "Pedra do Tigre"; fica localizada na Rua Agostinho Goulão, em Pinheiral, Corrêas e foi pintada por um carinha chamado Álvaro, que na época, pelos anos de 1985, trabalhava na CERJ: todo domingo ele chegava com sua escada para fazer o seu trabalho . O melhor acesso para chegar até ela é pelo bar do Tchê, um caminho menos escorregadio . No verão,por causa das chuvas, essas pedras ficam tomadas pela água que desce rio abaixo, numa queda lindíssima.

Aproveitei o passeio para bater um papo com o Tchê, famoso na região por ter, em 1989, rececpcionado a Xuxa e sua produção num dos especiais de fim de ano. É um cara simples, amistoso e costuma deixar o pessoal bem a vontade.Para quem for à Pinheiral passar o dia, pode aproveitar e fazer um churrasquinho, pois ele tem um kit churrasco que vende em seu barzinho. Ah!Gostou da paz, quer ficar por lá? Ele também aluga uns quartos por R$25,00 e promove, aos fins de semana, seresta ou pagode, dependendo da vontade da rapaziada. Qualquer dúvida é só ligar para ele no tel. (24) 2236.2525.


Como sempre, encontrei por aqui algumas histórias muito curiosas para contar: uma delas é desta planta, chamada pela população local de "trombeta", encontrada nas margens do rio. Dizem que o chá dessa flor deixa a pessoa muito doidona, a ponto de ver até assombração. Tem gente por lá que jura ter levitado, pode?


terça-feira, 28 de agosto de 2007

Aranda Orquídeas,Com.Ltda
















Anda que anda atrás de histórias para contar, que acabei chegando em Teresópolis, num orquidário chamado "Aranda" na Estrada João Daudt de Oliveira,s/nº, Quebra-Frascos. Lá se realiza, há 20 anos, pesquisa e desenvolvimento de novas espécies e preservação das que estão ameaçadas de extinção.O local é belíssimo, as espécies hum...nem se fala, só se admira, em silêncio. Vou dividir com você algumas fotos que tirei e deixá-lo com água na boca. Show de bola!



Quer mais informações, vai lá no site:




Quer comprar orquídeas? Fale com o Toninho.











Estudando um pouco sobre as orquídeas, planta que tenho enorme admiração, conheci o Sr.Antonio Carlos Strzallkowsky - tá difícil? Toninho, está bem assim? - do Orquidário Binot, localizado num bairro chamado Retiro, em Petrópolis. Fundado em 1870, este orquidário é administrado pelos descendentes de Jean Baptiste Binot, idealizador dos jardins do Palácio Imperial, funcionando hoje como um centro de exposições e vendas de orquídeas e bromélias (cada uma mais linda que a outra), onde Toninho é funcionário há 23 anos. Se você é um apaixonado pelas orquídeas e bromélias como eu sou, não saia de Petrópolis sem antes fazer uma visita a este local e sentir o perfume dessas flores.Toninho terá o maior prazer em recepcioná-lo e tirar quaisquer dúvidas existentes sobre o assunto.

domingo, 26 de agosto de 2007

A arte em cipó a 1.960m acima do nível do mar.







Reginaldo é um dos milhares de brasileiros que sobrevivem do artesanato que produz. Ele, sua mulher Selma e seus três filhos moram lá no Km 17 da Rodovia Philúvio Cerqueira Rodrigues, mais conhecida como Estr. Petrópolis/Teresópolis, na comunidade do Vale do Jacó. Quem olha lá de Itaipava em direção a Montanha de Pilatos, pode ter uma idéia de onde essa família expõe seus trabalhos - "a arte em cipó". Artesão há 20 anos, mora em um local onde a luz elétrica nem sonha em chegar. Quando estiver passeando por esta estrada, não deixe de parar e prestigiar o belo trabalho feito por esta família : são várias peças feitas em cipó - uma fibra retirada da própria natureza- a um precinho simbólico. Aproveite a paisagem, bata um papo, tire umas fotos e curta o canto dos passarinhos. Reginaldo diz que cada peça tem o seu dono; eu já trouxe a minha.E você, já foi pegar a sua?

domingo, 19 de agosto de 2007

Casa de Getúlio Vargas.




Ainda aqui em Pinheiral, encontrei outra curiosidade: a casa onde o ex-presidente Getúlio Vargas passava temporada. Segundo informações de moradores, seus herdeiros, logo após a sua morte, venderam este imóvel para um de seus assessores e seu novo proprietário pretende abrir, futuramente, uma pousada. Pena não estar aberta à visitação. Pelo que andei escutando por lá, Getúlio Vargas gostava mesmo de passear no mato - consta que tinha por hábito, em suas vindas à Fazenda Cafundó, andar pelo Caminho do Brejal, um pequeno paraíso rural, de clima ameno e belezas incomparáveis localizado há uma hora dali. Neste tal caminho encontramos hoje variadas propriedades com atividades artesanais, passeios de jeeps e uma produção de verduras orgânicas, ervas finas, cogumelos, leite, queijo, café, licores, cachaça, floricultura, criação de gado, cavalos e ovelhas. Ufa! Mais é longe gente. Getúlio gostava mesmo de se enfiar mato adentro!

sábado, 18 de agosto de 2007

No bar do Rodeio, ainda tem rodeio...




















Em Corrêas conheci outro fantástico personagem da nossa cultura - o Sr. Haroldo Aurélio Medina. Jóquei quando novo e, atualmente, instrutor de equitação, é também colecionador de adivinhas, contador de piadas e de "causos". Morador de Pinheiral há 40 anos, jura de pé junto ter visto um dia, lagartixa virar jacaré. Outra história bastante curiosa, é da "Pedra do Baixadão" : diz seu Haroldo, que nesta mesma pedra, na época do Império, a nossa Princesa Isabel, que tinha fama de exímia caçadora, costumava ir de liteira, carregada pelos escravos, caçar paca no mato. Por causa disso, essa localidade ficou conhecida como "Baixada da Isabeloca", devido ao seu apelido de infância (oia... que ela caçava mesmo!?). O bar "Rodeio", de sua propriedade e de sua esposa Ana Paula, é decorado com várias adivinhas e frases da nossa sabedoria popular, todas reunidas durante os seus 70 anos de vida. Quando você estiver por lá, não deixe de dar uma descida pra uma proseada, pois como um bom contador de "causos", seu Haroldo mata a cobra e mostra o pau: decorando o seu chalezinho você vai ter a oportunidade de ver vários troféus e reportagens da época em que montava. Verdade, Terta?

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Museu de Arte Contemporânea


No alto do mirante da Boa Viagem, ele é soberano. O Museu de Arte Contemporânea de Niterói impôs-se diante da bela paisagem à sua volta e tornou-se um símbolo da ousadia humana de intervir na natureza de forma harmoniosa.O MAC-Niterói é uma combinação perfeita da genialidade do arquitecto Oscar Niemeyer com os contornos da Baía de Guanabara . Sua inaguração foi no dia 2 de setembro de 1996 .

terça-feira, 14 de agosto de 2007

O tempo é como a água escorrendo pela mão.


Não sou fotógrafa profissional, gostaria até de ser um dia. Quem sabe se a grana, daqui pra frente vai me permitir estudar pra isso.Quando estou por ai, "sem lenço e sem documento" ajo como tal: pego meu humilde equipamento e saio fotografando. E quando me deparo com uma imagem dessas, não tem como abrir o meu coração voltar na infância, lá num lugarzinho chamado Itacuruçá, próximo à Itaguaí, Coroa Grande, onde passei parte da minha infância e adolescência. O acesso até lá era bastante precário, levávamos horas para chegar por causa da estrada de barro, por isso optávamos pelo trem, o famoso "macaquinho" puxado pela Maria Fumaça, que apanhávamos na Leopoldina.O curioso é que a luz não havia chegado naquela localidade quando meus avós compraram uma casa bem próximo onde passava um rio. As coisas funcionavam a base de querosene.Para andar de bicicleta na cidade a noite, tínhamos que levar uma lanterna, isso acarretava inúmeros tombos, indo curar nossas feridas na beirada da praia, jogando água de sal para que nossos pais não vissem e brigassem. A maldade do ser humano não era tão explícita, não lembro de ter passado por qualquer situação constrangedora. Éramos criança e agíamos como tal. Banhos de rio, de mar, andar de bicicleta, de barco ( de manhãzinha ajudávamos os pescadores a puxar as redes e no fim da tarde, ficávamos no cais esperando o barco de banana atracar, ganhávamos um cacho que era distribuído entre os moradores no meio do caminho); promovíamos aos sábados, com as famosas "vitrolas steriofônicas", Hi-Fi com música dos Beatles - a última moda : namoro só de mãos dadas e olhe lá, beijinho nem pensar; catávamos no mato lágrimas de nossa senhora para fazer a fantasia do carnaval. Esse sim era muito esperado por todos, brincávamos fantasiados o dia inteiro, mas quando a noite caía, criança não podia estar na rua, era hora dos adultos fazerem a sua festa. Bem mais tarde, já casada, no final da vida de meus avós, os filhos venderam a casa para que eles fossem passar um ano em Portugal. Nunca mais voltei ou encontrei qualquer um daqueles amigos, mas as lembranças continuam vivas e a saudade daquele tempo mais ainda.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Sala dos Milagres.




Esta é a sala dos ex-votos localizada no Trono de Fátima, em Petrópolis.Imaginem quantas histórias existem por trás de cada peça aqui exposta, presumo que todas com final feliz. Eu vivo por este país maravilhoso a procura de histórias para recontá-las. Se você sabe de alguma interessante, escreva para mim.

Cantando a minha história.


























"Lá em cima daquela serra,


É um ninho de beija-flor.


Quem passar não apanha, não


É segredo de um amor.


Morena bonita eu sei que sou,

Morena bonita eu sei que sou".






OPS! Fotos tiradas por mim na varanda de minha casa.

Uma das várias estradas da minha vida.


Adoro me embrenhar por esses caminhos, pois lembram a minha infância em Itacuruçá e na Ilha de Paquetá, onde tive o privilégio de ser criada pelos meus pais. Fico refletindo sobre a ação da natureza e do tempo, como tudo aquilo ali era bem no início.Um sentimento de paz, de felicidade e de amor toma meu coração. Então, de repente, vem a mente o meu nome - Silvana . O radical "silva" vem do latim que quer dizer, selva: meu nome me ensina que devo amar a natureza, a vida e a Deus. Será que foi por acaso que fui batizada com este nome?
Esse é um dos muitos recantos que tenho guardado na minha lembrança e estou postando no blog para dividir com você. Pare por um minuto e sinta. O que lhe desperta?

domingo, 12 de agosto de 2007

Ô, ME SOLTA AÊ !


Deveria ser considerado criminoso quem aprisiona animais, mesmo que licenciado pelo IBAMA. Como punição, o indivíduo deveria ficar engaiolado num lugar onde só desse para ele dar um pulinho.
" Não há vidas em gaiola. Aqueles que prendem uma vida, na verdade vêm a sua própria imagem ao olhar para a gaiola, como um espelho. Pois essa gente tem a alma presa".
Temos muito que aprender com nossos irmãos indígenas. Esta frase me foi dita por um descendente indígena - Ronaldo Santos Silva, que tem 28 anos e mora lá em Salvador/Bahia .
Sinceramente, com todo o estudo dos homens brancos, eles não chegam, se quer perto, da sabedoria de quem convive diretamente com a nossa mãe Natureza, com Nhande Rú.
EDUCACÃO VEM DE CASA.
LEI 9605/98 DE PROTEÇÃO AMBIENTAL.
DENUNCIE !
Ha evete vaipa, meu querido irmão Ronaldo !

Pôr-do-sol em Vila Velha.


Uma das coisas mais lindas em aqui em Vila Velha, é o pôr-do-sol. Todos os dias, quando saio do trabalho, paro para admirar. Hoje o dia estava meio nublado.

PORTEIRA FECHADA ?


Andando por essas estradas da vida, achei algo muito show: um cadeado fechando um portão de bambu no meio de uma estrada. Parei, meditei, fotografei e fiz algumas perguntas a mim mesma.
- Qual seria o verdadeiro sentido deste cadeado?
- Seria um local de muitos assaltos? E invasões?
E você o que acha disso?

Bolinho de aipim é com a Ana Paula.











Estive em Corrêas nas férias.Aqui na estrada do Bonfim, alguns petropolitanos encontram refúgio no verão,devido as diversas cachoeiras espalhadas pelo caminho. Você também encontra neste lugar abençoado pela natureza trilhas, escaladas, rappel, trekking, rafting, colônia de férias, tirolesa, painball e arvorismo. Quando vier, não deixe de dar uma paradinha no "Bar Rodeio" e saboreie tudo que tem na placa feitos por minha dona Ana Paula. Ah! Muito prazer, eu sou o Thor. Estou sempre aqui para recepcioná-lo.
O "Restaurante e Pousada Rodeio" fica nesta Estrada do Bonfim bem ao lado da ponte, em Pinheiral. Para chegar até lá, se você não tem carro, é só pegar na Rodoviária de Corrêas o ônibus para Pinheiral. Se tiver de carro, é só entrar pela estrada dos Mata Porcos, seguir as placas que não tem errada , é relaxar e começar curtir a belíssima paisagem, respirando o mais puro ar. Ana Paula atende almoços somente por encomenda pelo telefone (24) 2236.0282:pode ser um franguinho com quiabo, uma galinha ao molho pardo, uma costela no bafo ou um escondidinho de aipim, que é a sua especialidade, além dos bolinhos de aipim com carne seca, queijo, carne, todos fritos na hora.Vale a pena dar um passeio por lá, o lugar é belíssimo e inspirador para quem curte a natureza, esportes radiacais e fotografias.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

"Atelier Chamego Bonzolândia".
















Aproveitando as minhas idas e vindas na ABLC, não poderia deixar de registrar o trabalho de um artista popular chamado Getúlio - é o "Atelier Chamego Bonzolândia", que fica bem na subida da Rua Leopoldo Fróes, em Santa Teresa. Conheço o trabalho desta pessoa há bastante tempo, só que desta vez registrei para mostrar: ele recolhe pedaços de madeira e monta bonecos, bondinhos, o que vier na cabeça(dizem que faz até exposições). Pena que ele havia dado uma saída e não pude bater um papo para saber de mais detalhes sobre sua arte. De qualquer maneira, aí vão as fotos para você curtir.





Academia Brasileira de Literatura de Cordel.




Este é o poeta Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da Academia Brasileira de Cordel. Se você tiver alguma dúvida, quiser comprar ou fazer alguma pesquisa sobre o romanceiro popular nordestino, este é o local. A ABLC fica localizada à Rua Leopoldo Fróes, 37 em Santa Teresa, ao lado da 7ª DP. Ir à Santa Teresa é sempre um passeio agradável, pois o bondinho também deixa na porta.Lembrando que a plenária da ABLC acontece sempre no Auditório da Federação das Academias de Letras do Brasil , Rua Teixeira de Freitas, 5/3º andar, Lapa-RJ, toda terceira segunda-feira do mês sempre às 18h. Maiores informações visite o site: http://www.ablc.com.br/.


segunda-feira, 9 de julho de 2007

Vamos passear em Petrópolis?


Situada na Serra dos Órgãos , a 809m acima do nível do mar, suas construções históricas, seu clima ameno e a abundante vegetação servem como grandes atrativos turísticos. Além disso, a cidade possui um movimentado comércio.Petrópolis é, talvez, um dos mais notáveis exemplos dos esforços de migração européia para o Brasil no Segundo Reinado.

Um pouco acima, no Km 94 da mesma Serra de Petrópolis, também na descida, encontramos o Sr. Antônio responsável pela venda da tapeçaria feita por sua esposa,mais uma dentre as muitas artesãs anônimas que trabalham para embelezar a nossa cultura.E o precinho ói....
OPS! Seu Antonio, envergonhado, não quis posar para foto.

Rosângela e Fátima, as irmãs artesãs.




Não posso deixar de registrar o espetacular trabalho feito pelas artesãs anônimas de Petrópolis - o tapete de retalhos. Esse tipo de artesanato é bastante peculiar da localidade: coloca-se um tapete como base e em cima costura-se retalhos coloridos ou não, formando belos desenhos .Conheço este trabalho desde pequena: é encontrado na subida ou descida da serra de Petrópolis. Misturado ao corredor da Mata Atlântica, o colorido dos tapetes é mais uma fantástica expressão da nossa cultura.

Na primeira foto Rosângela e na segunda Fátima, responsáveis pela confecção desse conjunto. Elas e seus trabalhos encontram-se no Km 98 na descida da Serra de Petrópolis. Além da tapeçaria, Fátima vende um delicioso caldo de cana e um coco geladinho. Vale a pena dar uma chegada para conferir.



domingo, 8 de julho de 2007

Uma breve reflexão sobre o ato de ler.

Lembro-me de minha avó materna, uma analfabeta que lavou roupas para sobreviver e criar doze filhos; que ao deitar, contava-me a história dos espíritos esquecidos presos numa velha sacola de couro planejando uma vingança mortal àquele que, por egoísmo, manteve-os presos por tanto tempo. Com medo dessa tal vingança, passei a vida repassando as histórias que ouvia: primeiro para meus colegas de classe; mais tarde para meus filhos e hoje continuo recontando para alunos, vizinhos e quem de mim se aproximar.
Até bem pouco tempo, numa crise existencial, não conseguia compreender a minha função aqui neste plano, até que num belo dia, sentada numa cadeira, um ‘Estalo de Vieira’ iluminou a minha mente e me apercebi contadora de histórias. Hoje, prestes a me tornar uma professora de Português e Literaturas , fico triste só de pensar que aquilo que foi um alimento para mim durante os anos em que crescia, não é praxe em muitos lares no mundo contemporâneo.
Tornei-me uma devoradora de livros, passaria o dia citando autores, livros e artigos de minha preferência, porque desde pequena fui enredada pelas tramas das histórias, cantigas de roda e cordéis, por esse mundo sem fronteiras onde eu também pudesse fazer uma blusa amarela com três metros de entardecer e, sobretudo, com a possibilidade de um dia vir a resgatar uma parte desse material oral que ainda circula, principalmente lá pelo norte e nordeste, onde o mito sebástico que tanto me encanta foi muito presente por ocasião da colonização.
O mundo contemporâneo trouxe lá seus benefícios, mas deixou as pessoas muito embrutecidas e essa ausência de sensibilidade embota os sentidos. A educação pela arte mexe com essa oportunidade de vir a exercer esse domínio máximo das faculdades intelectuais. Precisamos depurar os nossos sentidos – isso é urgente se queremos um mundo mais justo e com menos violência. E essa depuração vem através desse objeto lírico tão maravilhoso que é a história. Como educadora e sonhadora sinto-me na contramão do mundo porque quero resgatar esse algo que existe dentro de nós, que é essa humanidade que ficou perdida em meio a essa aldeia global, essa sociedade insensível e fragmentada; essa mesma sociedade que nos tirou a possibilidade de criar, pois com toda facilidade, ficamos frente a tudo pronto, sem poder agir. Isso nos deixa um enorme vazio, não cria um significado entre nós e o objeto.
Gostaria de poder contar com a colaboração em divulgar meu trabalho afim de que possa adentrar esse mundo de fazedores de histórias, sobretudo para meus estudos de pesquisa desse imaginário tão fascinante e importante para essa e gerações futuras, pois relembrando a nossa poetisa Cecília Meireles, literatura é nutrição, é algo muito mais profundo do que um simples entretenimento, pois o alimento faz parte da nossa história biológica e o alimento quando é de qualidade vai dando ao aluno uma visão de mundo diferenciada para toda vida.

sábado, 7 de julho de 2007

O Lobisomem

Esta é uma história verídica. Acredite. Quem tiver boca que cale; quem tiver ouvido, que escute.
Aconteceu em São Domingos da Prata, uma cidadezinha um pouco distante da capital de Minas Gerais. Sabe como é, cidadezinha do interior se faz é filho. Nasci no dia 13 de fevereiro do ano de 1992, exatamente a meia noite de uma sexta-feira . Vamos combinar, é um dia muito... como dizer, assustador. Só que meus pais no lugar de contentes, ficaram apavorados com aquele acontecimento. Sim, porque todos torciam por uma menina. Foi quando Benedita, a parteira da localidade, finalmente gritou lá do quarto:
- É um menino, compadre. Cruz credo! E imediatamente fez o sinal da cruz.
- Mas será ó Benedita, tem certeza? – perguntou.
Xi...Naquele dia foi um reboliço danado, nem te conto.De acordo com a tradição, o sétimo filho homem de uma família carrega a sina de virar lobisomem. Era esse o presente que a natureza reservara para meus pais naquele fatídico ano de 1992. Bem que minha mãe contava que eu mexia muito na barriga dela. Foi assim que minha família ficou marcada para sempre. Foi assim que eu ouvi dizer. Todos comentavam o nascimento do lobisomenzinho, nos bares da cidade, nas sinucas, na igreja, nas escolas, qualquer canto em São domingos da Prata por onde se andasse, o comentário era o mesmo – o nascimento do sétimo filho de seu Zequinha. A notícia correu rapidamente.Você sabe, fofoca se espalha que é uma maravilha.
Por causa de todo o bochicho, minha família não encontrava um cristão que quisesse me batizar. Meu pai saía pela manhã, bem cedinho, rodava de bicicleta por toda a localidade em busca de uma alma caridosa que desejasse ser seu compadre.As pessoas se benziam, algumas fechavam as portas de casa e outras até andavam com uma cruz bem grande no peito.Até o padre, disfarçadamente, fechava as portas da igreja. Qual nada! Painho voltava para casa no fim do dia e só balançava a cabeça :
- Tem jeito não mulher, ninguém quer batizar nosso filho. Vai ser pagão mesmo.
Cresci um menino muito diferente dos outros: ao invés de chorar, uivava. Minha brincadeira favorita era correr atrás das galinhas. Com dois anos de idade já tinha no meu corpo alguns pelos. Minhas orelhas eram maiores do que o normal e com alguns pelos também. Quando meus dentes começaram a nascer, os caninos eram pontudos e demasiadamente grandes e no lugar da mamadeira gostava mesmo era de uma suculenta carne crua e cheia de sangue. Vivia preso em casa com medo de ser apedrejado pela vizinhança. Minha família com vergonha não saía comigo as ruas, afinal era a primeira vez que tinham um filho, assim... não muito “normal”, não sabiam lidar muito bem com isso . Quando ficava doente, meus pais tratavam logo de chamar o doutor Aimoré . Ele vinha meio cabreiro. Todo médico faz um juramento e não pode recusar paciente. Então escutava meu peito, examinava minha garganta e no final botava a mão na cabeça, coçava a barba e dizia:
- Minha nossa, comadre, nunca vi uma coisa dessas em todos esses 40 anos de medicina!
Aprendi a ler e a escrever com minha mãe que tratou logo de estudar para poder me alfabetizar já que não podia ir à escola para não espantar os alunos. O chão da minha casa era o quadro negro e os gravetos, o giz. Logo estava lendo muitos livros, já que não podia sair nem brincar com as crianças da minha idade. Minha leitura favorita eram as histórias de lobisomem, cupurira, saci, vampiros. Meus amigos eram os personagens desses livros. . Sempre tinha gente na minha porta querendo espiar o filho esquisitão do seu Zequinha ; desde que nasci, minha família não teve paz . Volta e meia via meus pais e irmãos brigando com alguém para me defender. É muito triste ser lobisomem. A medida em que o tempo passava, percebia que a preocupação de minha família crescia mais, pois quando completasse quinze anos viraria, nas noites de lua cheia, a meia noite, um lobisomem: eles não poderiam nunca mais, me prender dentro de casa, estaria livre.
Mas a vida gira nas rodas do cata-vento e no ano passado meus pais resolveram dar um basta nessa situação e sair de São Domingos do Prata definitivamente, pois já estavam cansados de tantas fofocas e cochichos pra todo lado. Compraram um sitiozinho em lugarejo mais adiante chamado Barro Branco, lá onde o diabo perdeu as meias. Sim porque as botas ele havia perdido em São Domingos. É aqui que moro hoje, ainda escondido, esperando o momento de me libertar aos 15 anos. Já escutei com meus ouvidos grande alguns comentários na vizinhança por causa dos meus uivos: é assustador! É que está se aproximando o momento de virar lobisomem, falta muito pouco para me tornar debutante. Aos 14 anos tornei-me um lobisomem adulto, com um uivo possante, dentes enormes , bem peludão, com olhos grandes e vermelhos. Dizem que as minhas enormes orelhas fazem barulho quando elas balançam
Meu alimento predileto é carne crua e jamelão. É onde pretendo me esconder – nas árvores de jamelão - para morder o pescoço das pessoas e então, finalmente ter novos amigos lobisomens para brincar e andar de bicicleta por ai – mas só pela madrugada, pois detesto a luz do dia. Meus amigos favoritos serão aqueles bem rebeldes do tipo que não gostam de estudar, que matam aulas para namorar e aqueles que fazem muita, malcriação para os pais.Lembre-se, cuidado com as noites de lua cheia a meia noite, principalmente se for de quinta para sexta-feira.... Uuuuuuuuuuu !
Ah esqueci de dizer que ao morder alguém, me transformarei em homem normal depois que o galo cantar. Por isso desconfie dos homens altos, magrelos, amarelos e abatidos: eles podem ser lobisomens disfarçados de humanos. O próprio nome diz, lobisomem é a mistura de homem com lobo. Dizem que meu pai era um lobisomem; agora entendo porque ele sumia de casa nas noites de lua cheia e só aparecia antes do nascer do sol.
Essa é a minha história. Acredite.
Quem tiver boca não fale; quem tiver ouvido, escute.
Entrou pelo pé do vento, saiu pela tripa do gato, quem quiser que conte quatro.

Um rabequeiro brincante imperdível.


Logo após Ariano Suassuna, que sou fã de carteirinha, vem um artista popular, um rabequeiro brincante que também amo de paixão: seu nome é Antonio Nóbrega. No dia 08/05/2007, também na Escola de Magistratura do Rio de Janeiro, em comemoração aos 80 anos de Ariano Suassuna, Nóbrega veio ao Rio fazer uma homenagem a este escritor e amigo, apresentando um recital com alguns dos escritos de Ariano Suassuna. Muito bom! Só que a foto não ficou lá grande coisa, foi tirada de celular, não permitiam filmagem. Mas valeu a pena, sai de lá com os meus cds autografados. Vou aguardar seu retorno ao Rio de Janeiro, pois não perco por nada seus espetáculos. Quem ama a cultura popular tem que conhecer este artista: Antonio Nóbrega é imperdível.