sexta-feira, 30 de novembro de 2007



"... e então aconteceu:do fundo de meu coração, eu queria aquela rosa pra mim. Eu queria, ah como eu queria. E não havia jeito de obtê-la.[...]no meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanto perfume... ". -Clarice Lispector -

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A origem dos índios Arara


"... Para eles, quando essa vida ainda não havia começado, existiam somente o céu e a água. Separando-os, uma pequena casca que recobria o céu e servia de assoalho a seus habitantes. Na casca do céu a vida era plena, pois havia de tudo para todos. A boa humanidade, protegida pela divindade Akuanduba, vivia conforme as coisas básicas da vida: acordar, comer, beber, namorar, dormir. Se alguém cometesse algum excesso, contrariando as normas, a divindade fazia soar uma pequena flauta, chamando a atenção de todos para que se comportassem de acordo com a boa ordem. Fora da casca do céu, existiam coisas ruins, seres atrozes e espíritos maléficos, contra os quais a boa humanidade estava protegida por Akuanduba. Houve um dia, no entanto, que ocorreu uma grande briga da qual participou muita gente. A divindade fez soar a flauta, mas a multidão teimosa não quis parar de brigar. Nessa confusão, a casca do céu se rompeu, lançando tudo e todos para longe, para dentro da água que envolvia a casca. Com a queda, todos perderam e todos os velhos e crianças morreram, restando apenas uns poucos homens e mulheres. Dos sobreviventes, alguns foram levados de volta ao céu por pássaros amazônicos, onde se transformaram em estrelas. Os que ficaram, foram abandonados pelos pássaros nos pedaços da casca do céu que caíram sobre as águas. Assim, surgiram os Araras que, para se manter afastados das águas, escolheram ocupar o interior da floresta. Até hoje, os Arara, habitantes do vale dos rios Iriri-Xingu, no Estado do Pará, assobiam chamando as araras quando as vêem voando em bandos por sobre a floresta. Quando pousam no alto das árvores, as araras, por sua vez, observam os índios e, ao notarem o quanto eles cresceram, desistem de levá-los de volta ao céu. Aqui já foram deixados outras vezes e aqui deverão permanecer. Os Arara, que antes viviam como estrelas, estão agora condenados a viver como gente, tendo que perseguir o alimento de cada dia em meio aos perigos que existem sobre o chão."
(Ieipari - Sacrifício e Vida Social Entre Os Índios Arara, Márnio Teixeira Pinto, Ed. UFPR, 1997)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007


Tava Guasu Avá Kuera Tetã, Hoko'y, Paraná - Brasil pegua.

Charyi takua jara Ana ka'aguyguá

Ko mborai iporãveva amoguãhê ndeve ko'agã!

(Esta melodia mais linda Faço-lhe chegar nesta hora!)

Ko Mborai marãe'y oguãhê mihaguã nde cotyupe!

(Que esta melodia eterna chegue no fundo do teu coração)!

Ko A, Ã marãngatu yvoty kañymi!

(Esta semente, é a flor escondida do Espírito Divino!)

Ko A ningó nde Ana Ka'aguy!

(E esta Semente es TU, Ana Ka'aguy.)

Maitei horyveva ndeve ha nde pehengue kuera peguãrã!

(A mais alegre saudação e para ti e para todos os teus familiares!)

Nde mandu'a minte kena orerehé

(Lembra de de nós por favor)


- Tupã Ñembo'agueravyju Momaitei -
Bem, diante desta oração tão linda, desse cântico maravilhoso, eu não tenho nem palavras para agradecer tamanha gentileza de meu Tupã, meu querido irmão Momaitei.
Eu só tenho a dizer que vocês - povos nativos, no qual tenho em meu sangue com muito orgulho - estarão eternamente no meu coração, pois uma parte de mim pertence a vocês; parte esta que pretendo resgatar, tão logo possa .
Contem sempre com as minhas orações e com a minha força mental.
O meu espírito estará sempre com vocês : ele pertence aos povos da floresta.
Ñande Ramÿi toñohê nde akã ari ijaguyjé ha tomê'ê ndeve mbareté, meu irmão Tupã Momaitei !
XERO ERO AVYÚ HETÁ, meus irmãos !

segunda-feira, 19 de novembro de 2007




Quantas vezes nós pensamos em desistir, deixar de lado, o ideal e os sonhos;
Quantas vezes batemos em retirada, com o coração amargurado pela injustiça;
Quantas vezes sentimos o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir;
Quantas vezes sentimos solidão, mesmo cercado de pessoas;
Quantas vezes falamos, sem sermos notados; Quantas vezes lutamos por uma causa perdida;
Quantas vezes voltamos para casa com a sensação de derrota;
Quantas vezes aquela lágrima, teima em cair, justamente na hora em que precisamos parecer fortes;
Quantas vezes pedimos a Deus um pouco de força, um pouco de luz;
E a resposta vem, seja lá como for, um sorriso, um olhar cúmplice, um cartãozinho, um bilhete, um gesto de amor;
E a gente insiste; Insiste em prosseguir, em acreditar, em transformar, em dividir, em estar, em ser;
E Deus insiste em nos abençoar, em nos mostrar o caminho:Aquele mais difícil, mais complicado, mais bonito.
E a gente insiste em seguir, por que tem uma missão.........
SER FELIZ !!!

sábado, 17 de novembro de 2007

Uma história para contar.
















- A Catadora de Vidro -
Uma família de cinco pessoas estava passeando um dia na praia. As crianças estavam tomando banho de mar e fazendo castelos na areia, quando, ao longe, apareceu uma velhinha. Seu cabelo grisalho esvoaçava ao vento e suas roupas eram sujas e esfarrapadas. Resmungava qualquer coisa, enquanto apanhava coisas da praia e as colocava em um saco. Os pais chamaram as crianças e lhes disseram para ficar longe da velha. Quando esta passou, curvando-se de vez em quando para apanhar coisas, sorriu para a família, mas seu cumprimento não foi correspondido. Muitas semanas mais tarde, souberam que a velhinha dedicara a vida à cruzada de apanhar caquinhos de vidro da praia para que as crianças não cortassem os pés.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

COLCHA DE RETALHOS.

Você sabe corretamente os sinais de pontuação?
Então aprenda comigo.



"Use vírgulas para separar as experiências boas das más.
Reticências para quem lhe faltou em alguma situação.
Salpique exclamações na sua vida.
Abuse das interjeições de felicidade.
Faça uma revisão nos seus sonhos.
Tome decisões com letra maiúscula.
E coloque ponto final na tristeza."

quarta-feira, 14 de novembro de 2007




"O coração de quem nunca desistiu será sempre jovem".
Bem, eu continuo tentando - o simples parece ser tão difícil...
Aguyjevetepe, Ana Ka'aguy.

domingo, 4 de novembro de 2007

Thor, uma figuraça !



Já havia escrito sobre o Thor anteriormente, é só clicar em postagens mais antigas que você vai chegar até ele e saber a quem pertence essa figuraça e como eu os conheci. Mas esta semana eu quase "caí dura" quando fui visitar meus amigos: deram para o Thor um par de óculos escuros e me parece que ele comprou a idéia. Bem, pelo menos já tem um protetor para seus olhos nos dias de sol quente. Não é possível ... ou melhor, é possível. E ainda faz pose para a foto (rs).


Meus queridos amigos, fiquem com Nhander, Nhamandu, tupã Iporã ete aguyjevete.
XE AYVÚ !

Depois da morte, a vida continua.

















Estava em busca de imagens quando me deparei com esta.Segundo os
administradores do local, a árvore foi cortada porque estava atrapalhando a fiação e
não havia como podá-la, já que o próprio tronco estava esbarrando nos fios e
causando curtos. Segundo soube, já faz algum tempo que lhe foi tirada a vida, mesmo
assim ela insiste em continuar.
Salve Nhande Rú Uussú !

sábado, 3 de novembro de 2007






ESTATUTOS DO HOMEM


- Thiago de Mello -


artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,

haverá girassóis em todas as janelas,

que os girassóis terão direito

a abrir-se dentro da sombra;

e que as janelas devem permanecer,o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.


artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado

nem proibido,

tudo será permitido,

inclusive brincar com os rinocerontes

e caminhar pelas tardes

com uma imensa begônia na lapela.


Parágrafo único:

Só uma coisa fica proibida:

amar sem amor.


artigo final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade,

a qual será suprimida dos dicionários

e do pântano enganoso das bocas.

A partir deste instante

a liberdade será algo vivo e transparente

como um fogo ou um rio,

e a sua morada será sempre

o coração do homem.
Santiago do Chile, abril de 1964