segunda-feira, 31 de outubro de 2011

SACI PERERÊ


Hoje é dia do Saci Pererê.
Quando se perde um objeto, toma-se de uma palha de milho e dá-se três nós bem apertados para amansar ou amarrar o Saci. Ao aparecer ( o objeto perdido), deve-se desmanchar os laços apertados imediatamente, senão ele se vingará logo que puder.
Eu tenho um Saci preso dentro da garrafa. Peguei aqui atrás de casa numa noite de lua cheia. 
Se soltar ele faz muitas travessuras.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

HOJE É O DIA DA CACHAÇA.


MUSEU DA CACHAÇA - Miguel Pereira/RJ
Cachaças... Muitas cachaças... Envelhecidas de 2, 5 ou 10 anos.. da branquinha, de banana, de coco, caramelada... cachaças para todos os gostos!
E o melhor de tudo: você prova tudo isso por apenas 1 realzim!!!
hohohohohohohohohoho!!!!
Sai trocando as pernas...
Nem preciso falar mais nada....

sexta-feira, 10 de junho de 2011

ANDA RODA QUE EU QUERO ME CASAR ...

Anda a roda

Porque que eu quero me casar,

Desanda a roda
Que eu não quero me casar.
Oh, moça que está na roda
Escolha o moço que lhe agrada.
Este não me serve,
Aquele não me agrada.
Só a ti hei de querer,
Só a ti, só a ti,
Só a ti hei de querer.
E é com esta antiga cantiga de domínio público que dou início a minha história de hoje.
Fui uma menina criada muito presa, cheia de regras, não podia ter colegas; também não se tinha a facilidade de andar pelas ruas que temos nos dias de hoje- a vida era mais contida. Minha rotina diária era da escola para casa: filha de professores, sabe como é ( e ainda de quebra tinha de ser a melhor aluna, ser a mais quieta – dar o exemplo: odiava isso, mas ai de mim que fizesse qualquer cara feia). Não saíamos para lugar algum (meus pais trabalhavam muito), salvo algumas eventualidades.
Na época das festas de meio de ano eu deitava e rolava, podia sair (debaixo dos olhos de meus pais, é claro), ver gente, ver alegria. Tinha uma vida farta, contudo era uma criança muito triste, triste por não ter ninguém com quem conversar e dividir os meus pensamentos.
Os meses de junho/julho eram de férias escolares e - não era sempre - ia para uma a localidadezinha litorânea chamada Ilha de Itacuruçá onde, todos os anos passava as minhas férias de verão - livre, solta em cima de uma bicicleta, sentindo o vento em meu rosto nas caronas que pegávamos nos barcos carregados com bananas ou dentro do mar, coisa que gostava muito de fazer: nadar.
E nos meses de junho e julho, Itacuruçá virava uma festa só. Todos se reuniam em torno da praça central onde tinha um pequeno coreto. Vinhe gente de todos os cantos - a ilha ficava lotada e eu, feliz de mais da conta. A casa de meu avô ficava em frente ao rio e dentro do terreno desta casa, existia amendoeira bem frondosa. Essa amendoeira (coitada) sofria nas minhas mãos todos os anos, pois na véspera do dia de Santo Antônio, era lá que fazia as minhas simpatias de madrugada.
Era muito engraçado quando juntavam os primos e ficávamos esperando os pais dormirem para que pudéssemos entrar em ação. Era um tal de bacia d’água... Durante o correr do ano, como não era boba nem nada, fazia a manutenção dos pedidos e cuidava para não dar sossego ao pobre do santo: enchia os pés do dito cujo de pedidos. Uma das vezes quase derrubei o santo do altar . Perturbei tanto o coitado que me casei por duas vezes.
Para quem acredita no poder das simpatias, vou postar as dez que considero melhores, das quais nunca deixava de fazer.
E você faça com fé.

1. Compre uma pequena imagem de Santo Antônio, imagem esta que você consiga colocar no interior de um copo virgem. Atenção: o copo precisa ser virgem. Pingue no copo gotas de leite materno e afunde a imagem de cabeça para baixo, dizendo com convicção: “Santo Antônio, só vou tirá-lo daí quando eu conseguir o amor verdadeiro” ( então diga o nome da pessoa).

2- Para quem é ansioso e deseja descobrir o nome do futuro companheiro, deve fincar um facão virgem à meia-noite do dia 13 de junho numa bananeira. O líquido que escorrer da planta deve formar a letra do futuro amor.
Cuidado: finque o facão e não olhe nunca para trás, caso contrário a bananeira vai gemer e você correr de medo.
OPS! Hoje não faria mais esta simpatia: sou ambientalista e jamais machucaria um ser vivente.

3- Uma das mais antigas tradições diz que, para descobrir o futuro companheiro é preciso escrever os nomes dos candidatos em vários papéis. Um deles deve ser deixado em branco, sem nenhum nome (o que pode significar que o futuro companheiro não está listado ali). À meia-noite do dia 12 de junho, eles devem ser colocados dentro de uma bacia com água potável, que passará a madrugada no sereno. No dia seguinte, o nome que estiver mais aberto indicará o escolhido.

4- Para descobrir o tempo que falta para a tão sonhada data do casamento, na véspera do dia 13 de junho, à meia-noite, pegue uma aliança – que pode ser de qualquer parente – e coloque-a num cordão de ouro. Abra a mão esquerda e mire- a (tipo um pêndulo) bem no centro da mão direita. Pergunte então, para Santo Antônio, quantos anos faltam para o casório. O número de balanços informa quantos anos ainda restam para o grande dia.

5- Para aqueles mais afoitos ainda resta outro recurso: devem ir a um casamento e dar de presente aos noivos uma imagem de Santo Antônio, sem o Menino Jesus. Na hora da cerimônia pedir para que Santo Antonio arranje um casamento para você. Assim que a graça for alcançada, deve retornar à igreja e lá depositar a imagem do Menino Jesus.

6- Agora para os que já estão acompanhados mas ainda não subiram no altar e sonham com isso, existe uma saída: amarrar um fio de cabelo seu ao do namorado (todo cuidado é pouco, não deixe que ele perceba sua manobra).
Eles devem ser colocados aos pés do santo que, logo, logo, resolve a peleja.

7- À meia-noite do dia 12 de junho, quebre um ovo dentro de um copo virgem com água e o coloque no sereno. No dia seguinte, interprete o desenho que se formou: se aparecer algo semelhante a um vestido de noiva, véu ou grinalda, o casamento está próximo.
Esse babado é fortíssimo !

8 - Para a pessoa saber se o futuro marido será jovem ou mais velho, é preciso arranjar um ramo de pimenteira. De olhos fechados, ela deve pegar uma das pimentas: se a escolhida for verde, ele será jovem. Caso contrário, o casamento acontecerá com alguém de idade avançada.

9- A cultura popular acredita que há uma forma especial de fazer as pazes entre casais brigados. Para isso, é preciso um cravo e uma rosa. Os talos devem ser amarrados juntos a uma fita verde, na qual serão dados 13 nós. Durante o ato do nó, o devoto deve pedir para que Santo Antônio una-os outra vez.Depositar no altar ao lado de Santo Antônio.

10 - E por último a minha preferida: colocar o nome do namorado nos pés de Santo Antônio e pedir com muita fé, que o casamento saia logo.

E foi desse jeitinho que vivemos felizes até os dias de hoje.
V E RD A D E !

sexta-feira, 27 de maio de 2011

DA PEDRA DO SAL À CIDADE DO SAMBA.


Foi no bairro da Saúde, local do Rio de Janeiro, onde existiam os mercados de escravos, as "casas de engorda" e toda a infra-estrutura do comércio escravagista nos séculos XVIII e XIX. A Pedra do Sal, que fica no pé do Morro da Conceição, no mesmo bairro, nas cercanias da Praça Mauá, era o local conhecido como “Pequena África” onde os negros eram negociados como escravos logo que desembarcavam no Porto do Rio de Janeiro, vindos da África e da Bahia. Mais tarde, livres, fizeram ali seu ponto para rituais, cultos religiosos, pastoris, batuques e rodas de capoeira. Sambistas e chorões, como João da Baiana, Donga e Pixinguinha também se reuniam na Pedra do Sal.
A Pedra do Sal, assim chamada devido ao sal que ali era desembarcado e comercializado, foi o berço do Samba e do Chorinho carioca no final do século XIX. O ponto de encontro do ritmo carioca era um ambiente recheado de inspirações vivas de grupos de samba, ranchos e grupos carnavalescos.
O Samba nasceu efetivamente dos terreiros da região portuária sob contribuições decisivas das músicas que eram cantadas e, sobretudo, das reuniões ali promovidas. Tendo a cidade sido durante muito tempo o foco das migrações internas do Brasil, o samba beneficiou-se dessa fusão que absorveu durante anos características importantes das manifestações culturais trazidas pelos negros e daqueles nascidos em terras brasileiras como resultado das contribuições africanas, indígenas e portuguesas. Por isso a Saúde é reconhecida como berço da cultura popular carioca.
Dos moradores do lugar destacam-se Machado de Assis, um dos maiores escritores brasileiros, nascido no morro do Livramento e João da Baiana, compositor e percussionista carioca, introdutor do pandeiro no samba.
Nas décadas de 20 e 30, os ranchos de carnaval atingiram o auge. Deixaram de ser a manifestação popular da Pedra do Sal e passaram a fazer sucesso nas camadas mais altas da sociedade.
Foram em bairros como Saúde, Gamboa, Providência e Santo Cristo, que também se originou e se definiu o botequim. O gênero surgiu a partir das antigas "botecas"- pequenos armazéns de secos e molhados em que se encontrava de tudo. Os cariocas costumavam passar pelas "botequinhas" para completar as compras que faziam nas feiras, e aproveitavam para degustar alguns tira-gostos, acompanhados de um vinho. Sem ser restaurantes, essas casas, uma mistura de armazém e bar, criaram um estilo que sobrevive em todo o país, com alguns exemplares autênticos remanescentes dos velhos tempos.
Embora situados a muito poucos minutos do burburinho da Praça Mauá, da Central do Brasil e da Avenida Rio Branco, um dos maiores eixos de circulação do centro da cidade do Rio de Janeiro, os bairros da Saúde, Gamboa, Providência e Santo Cristo refletem, pela vida de sua população, uma significativa distância comportamental do restante da cidade, revelada em hábitos, padrões de comportamento e formas de uso do espaço público não mais encontrados no restante da cidade. A imagem cultural do local é preservada e transmitida pela permanência das festas coletivas, das cadeiras nas calçadas e das conversas nos fins de tarde.
O reconhecimento da Pedra do Sal como patrimônio cultural do Estado do Rio de Janeiro e o seu conseqüente tombamento permite que se compreenda que este local tem herança cultural ancestral de grande importância para a cultura negra carioca que lá, hoje, fez despontar todo encanto e magia da Cidade do Samba e do carnaval do Rio de Janeiro.

(Fonte: Nações e Cultura da Cor)

sábado, 23 de abril de 2011

VAMOS MALHAR O JUDAS ?

Malhar o Judas é uma manifestação cultural e  prática ainda muito comum no Brasil, apesar de o costume ter sido banido das grandes cidades por falta de locais adequados, e dos perigos que representa. No interior, entretanto, a tradição continua viva, e os bonecos de palha ou de pano, pendurados em postes de iluminação pública e galhos de árvores, são rasgados e queimados no sábado de Aleluia.
Tradição popularíssima na Península Ibérica, radicou-se em toda a América Latina desde os primeiros séculos da colonização européia. 
No Rio de Janeiro oitocentista, os judas - com fogo de artifício no ventre - apareciam conjugados com demônios, ardendo todosnuma apoteose multicolorida que o povo aplaudia.O Judas queimado é uma personalização das forças do mal e constitui vestígio de cultos agrários, em muitas partes do mundo. 
Vários historiadores registraram o uso, quase universal, de festas de alegria no início e fim das colheitas, para obter melhores resultadosnos trabalhos do campo.Queima-se um manequim representando o deus da vegetação. Pela magia simpática, o fogo é o sol e o processo se destina a garantir às árvores e plantações o calor e a luz indispensáveis, submetendo a figura ao poder das chamas. 
O sacrifício do mau apóstolo é, então, uma convergência de tradições vivas no trabalho agrícola.No Brasil, é costume antigo fazer-se o julgamento de Judas, sua condenação e execução. Antes do suplício, alguém lê o "testamento" de Judas, em versos, colocado especialmente no bolso do boneco. O testamento é uma sátira das pessoas e coisas locais, com graça oportuna e humorística para quem pode identificar as figuras alvejadas.
Judas, apóstolo traidor, cognominado Iscariotes por ser oriundo de Carioth, cidade ao Sul de Judá, já um ano antes da Paixão de Jesus tinha perdido a fé no Mestre, mascontinuava a acompanhá-lo por comodidade e para ir furtando do que ofereciam aos apóstolos.
Obcecado pelo dinheiro, antes de se afastar de Cristo, resolveu entender-se com os sinedritas - membros do Sinédrio, conselho supremo dos judeus -, Judas assistiu ainda à última ceia, em que Jesus revelou a sua traição, mas foi logo ao encontro dos inimigos de Cristo para cumprir o que tinha combinado e receber 30 dinheiros. 
Consumada a traição, arrependeu-se, quis restituir o dinheiro, mas, repelido pelos sacerdotes, enforcou-se numa corda.
A tradição pede que à medida que as crianças acordem no sábado, elas devem se reunir no local onde está o boneco. Ao meio-dia, alguém desce o Judas do poste e retira do bolso dele o “testamento”. De preferência escrito em versos, ele deve de forma bem humorada estabelecer a relação entre o Judas e o personagem retratado além de comentar, de forma satírica, outros fatos locais que aconteceram desde a última malhação. 
Após a leitura do testamento, amarra-se uma corda no pescoço ou por baixo dos “braços” do boneco e grita-se: “Vamos malhar o Judas” – e alguém sai correndo puxando o boneco. 
A partir daí, a turma está liberada para com cabos de vassouras e outros pedaços de pau bater no boneco até ele se despedaçar. A seguir coloca-se fogo no que restou do Judas.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

A PROCISSÃO DO FOGARÉU.

A "Procissão do Fogaréu" é uma  belíssima e tradicional manifestação popular de fé, realizada anualmente na cidade de Goiás Velho ( antiga capital do estado, 130 km de Goiânia), há 263 anos.
O ritual representa a perseguição dos soldados romanos a Jesus na antiga Jerusalém, e tem início às 0:00h da quarta-feira santa, com a iluminação pública apagada e ao som de tambores, à porta da Igreja da Boa Morte, localizada na praça principal da cidade.
Em vez da multidão, tribunos e soldados judeus de túnicas coloridas e encapuzados ( os chamados "farricocos"), são enviados pelo sumo sacerdote Caifás (João, 18:12) para prender Jesus. Carregam tochas para iluminar a caminhada, que segue por 1km nas ladeiras de pedra  em busca do Messias (fotos 1 e 2).
Os penitentes se dirigem então, para a escadaria da Igreja de N.S.do Rosário, onde encontram a mesa da última ceia já dispersa. 
No decorrer do percurso, a procissão segue a batida dos surdos, que aceleram o ritmo da caminhada dos faricocos. Em alguns momentos, eles parecem mesmo correr, o que transmite a sensação de uma real perseguição.
Em seguida, avançam na direção da Igreja de São Francisco de Paula, que simboliza o Monte das Oliveiras, onde se dará a prisão de Cristo, anunciada ao som de um instrumento de sopro (foto3). Cristo, representado por um estandarte de linho pintado em duas faces, obra do artista plástico oitocentista Veiga Valle (foto4), é finalmente capturado por um dos "farricocos".
A "Procissão do Fogaréu" foi introduzida no estado brasileiro de  Goiás pelo padre espanhol Perestelo de Vasconcelos, em meados do século XVIII. A indumentária utilizada pelos penitentes, caracteriza-se por uma túnica comprida e  por um longo capuz cônico e pontiagudo, guardando fortes semelhanças com os trajes que ainda hoje são comuns nas celebrações da semana santa, inspiradas nas procissões da Espanha e Portugal dos séculos XVII e XVIII. Trata-se, com efeito, de um traje de origem medieval, o qual era costumeiramente utilizado por penitentes que assim podiam expiar seus pecados sem ter que revelar publicamente sua identidade.
O espetáculo cênico é belíssimo, e a festa mais ainda.





No final é só celebração - vinte mil pessoas reunidas, entre moradores e turistas, rezam juntos  num só coro, numa só voz. 

É o momento que mais emociona atores e fiéis.






segunda-feira, 18 de abril de 2011

FELIZ DIA DO AMIGO.


"O amigo é a resposta aos teus desejos.
Mas não o procures para matar o tempo,
Procura-o sempre para as horas vivas.
Porque ele deve preencher a tua necessidade, mas não o teu vazio."
(Khalil Gibran)

Para você que visita o meu jardim e deixa sempre uma carinhosa mensagem tornando o meu dia
mais feliz, eu desejo um FELIZ DIA DO AMIGO.


domingo, 3 de abril de 2011

DIA DE PRETO VELHO.


13 DE MAIO COM MUITO AXÉ !
SALVE OS PRETOS-VELHOS DE ZAMBI! 
SALVE ANGOLA! 
SALVE A GUINÉ !

“Nêgo está moiado de suó, mas tá feliz porque Deus o liberto (bis); Ô sinhá, sinhá, segura a chibata num deixa batê, faz uma prece prá nêgo morrê, nêgo num qué mais sofrê (bis)”.

O dia 13 de maio vem celebrar louvação aos Pretos-Velhos que são espíritos de velhos africanos ou descendentes destes que viveram nas senzalas e, como escravos, morreram no tronco ou de velhice.

Pretos-Velhos têm grande importância na preservação da cultura de afrodescendência porque são eles que mantém a herança da tradição oral, da culinária e da medicina rústica aliada ao misticismo - receitando auxílios, remédios e tratamentos caseiros para os males do corpo e da alma. Sábios, ternos e pacientes, dão o amor, a fé e a esperança aos "seus filhos". A despeito de sua idade avançada tiveram, o poder e o segredo de viver longamente, apesar da rudeza do cativeiro demonstrando qualidades insuperáveis para suportar as agruras da vida, conseqüentemente são espíritos guias de elevada sabedoria, trazendo esperança e quietude aos anseios da consulência que os procuram para amenizar suas dores; são mandingueiros poderosos, com seu olhar perscrutador sentados em seu banquinho, fumando seu cachimbo, benzendo com seu ramo de arruda, aspergindo sua água fluidificada, assim demandam contra o baixo astral para aniquilar os perigosos kiumbas. 

São os Mestres da sabedoria e da humildade. Através de suas várias experiências, em inúmeras vidas, entenderam que somente o Amor constrói e une a todos, que a matéria nos permite existir e vivenciar fatos e sensações, mas que a mesma não existe por sí só, nós é que a criamos para estas experiências, e que a realidade é o espírito. Com humildade, apesar de imensa sabedoria, nos auxiliam nesta busca, com conselhos e vibrações de amor incondicional. Também são Mestres dos elementos da natureza, a qual utilizam em suas benzeduras.

(Fonte: Nações e Cultura da cor)
Desconheço a autoria da imagem publicada acima

sexta-feira, 1 de abril de 2011

1º DE ABRIL - O DIA DA MENTIRA

O costume de contar mentiras no dia 1º de abril, teve sua origem na França. Pois é, os franceses mentem há muito mais tempo que nós.
Desde o começo do século XVI  na França, o início do ano era comemorado em 25 de março, data que marcava o início da primavera. As comemorações se estendiam por uma semana, até dia  1º de abril onde efetivamente  dava-se início ao novo ano.
Mas, em 1564 o rei francês Carlos IX num de seus rompantes, baixou um decreto adotando o calendário gregoriano, e o ano novo passou a ser festejado em 1º de janeiro.
Com a dificuldade de comunicação -  não existia rádio e nem televisão -, essa mudança causou uma tremenda confusão. Claro que as pessoas não gostaram da idéia e continuaram a considerar o 1º de abril como o primeiro dia do ano, mandando convites para festas, votos de felicidades uns para os outros .
Diante do fato consumado, a população passou então a ridicularizar Carlos IX  enviando  presentes esquisitos, cartas e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como "plaisanteries".
O costume se espalhou pelo mundo todo, e com o tempo foram surgindo novas brincadeiras. Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como "April Fool’s Day" ou "Dia dos Tolos";  na Itália é chamado de  "pesce d’aprile", o que significa literalmente “peixe de abril”.
No Brasil, o "Dia da Mentira" ou "Dia dos Bobos" começou a ser difundido em Pernambuco, onde circulou “A Mentira”, um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1848 com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte.
“A Mentira” saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.
Tudo faz crer que as brincadeiras, originárias das "plaisanteris" francesas, continuarão sempre a existir, graças a eternidade das manifestações culturais no mundo inteiro.

Isso tudo é muito divertido, mas é importante lembrar que só é divertido falar mentiras somente no dia 1º de abril,  desde que depois a verdade seja revelada.

E você, já preparou a sua pegadinha para hoje ?

terça-feira, 29 de março de 2011

COMO OSSAIM RECEBEU DE ORUNMILÁ O NOME DAS PLANTAS.


Ifá foi consultado por Orunmilá que estava partindo da terra para o céu e que estava indo apanhar todas as folhas. Quando Orunmilá chegou ao céu Olódùmaré disse, eis todas as folhas que queria pegar o que fará com elas ? Òrùnmílá respondeu que iria usá-las para beneficio dos seres humanos da Terra. 
Todas as folhas que Òrunmílá estava pegando, Orunmilá carregaria para a Terra. Quando chegou à pedra Àgbàsaláààrin ayé lòrun (pedra que se encontra no meio do caminho entre o céu e a terra) então Orunmilá encontrou Ossãe e perguntou:
— Ossain onde vai?
Ossain disse:
— "Vou ao céu, vou buscar folhas e remédios".
Orunmilá disse que já havia ido buscar folhas no céu para benefício dos seres humanos da terra. Disse, olhe todas essas folhas, Ossain pode apenas arrebatar todas as folhas. Ele poderia fazer remédios (feitiços) com elas porém não conhecia seus nomes. 
Foi Orunmilá quem deu nome a todas as folhas. Assim Orunmilá nomeou todas as folhas naquele dia. Ele disse, você Ossain carregue todas as folhas para a terra, volte, e iremos para terra juntos. Foi assim que Orunmilá entregou todas as folhas para Ossain naquele dia. Foi ele quem ensinou a Ossain o nome das folhas apanhadas.
Olodumaré deu a Ossain todo o poder das folhas, o qual ele guardava em uma cabaça pendurada em um galho de árvore. 
Um dia Xangô se queixou a sua mulher Oyá , deusa dos ventos, que só Ossain conhecia o segredo de cada uma das folhas e que os demais Orixás estavam no mundo sem possuir nenhuma planta. Oyá levantou sua saia e agitou-a, um vento violento começou a soprar e derrubou a cabaça de Ossain no chão quebrando-a. 
Ossain, ao perceber o que aconteceu, gritou – Ewéo! (Oh! As folhas! As Folhas!), mas não pôde impedir que os demais Orixás pegassem as folhas e as dividisse entre eles, mas os Orixás não tinham o conhecimento das ervas e até hoje precisam de Ossain para usá-las em seus rituais, ficando seu segredo a salvo.

(Fonte: Nações e Cultura da cor)

sexta-feira, 25 de março de 2011

A SERPENTE DE OLUMO (origem: Angola)

Um jovem, chamado Ayobami, vivia feliz na sua aldeia até ao momento em que, tendo atingido a idade adequada, decidiu, com o consentimento dos pais, arranjar mulher e casar, tudo conforme os preceitos da tribo Omoro.
Ayobami tinha duas amigas que já conhecia há muito tempo e com as quais passara toda a sua infância: a mais nova chamava-se Olu, a outra Yemesi. Ayobami queria absolutamente casar-se com uma das duas, mas não sabia qual delas escolher. Eram muito diferentes uma da outra, mas igualmente belas.
Pelo seu lado, as duas jovens amavam Ayobami. O homem era bom trabalhador e excelente caçador; possuía o sentido da justiça, sendo respeitado em toda a aldeia e bastante conhecido nos arredores. Ayobami era rico e bem constituído, teria podido muito bem casar com as duas raparigas ao mesmo tempo; mas a tradição não o permitia. Não conseguindo decidir-se, viam-no ficar longas horas sentado diante da sua cabana, a examinar as vantagens que teria em se casar com uma ou com outra. Quando julgava ter decidido e se levantava para ir anunciar a boa nova a seus pais, pensava imediatamente nas qualidades da outra e voltava a hesitar.
As duas jovens, por seu lado, rivalizavam em gentileza e em beleza, não estando nenhuma delas disposta a ceder o seu lugar à outra. A última palavra cabia, pois, a Ayobami. Precisava saber, a todo o custo, qual das raparigas o amava mais.
Uma tarde, enquanto as duas raparigas estavam sentadas ao pé de Ayobami, estando este a refletir nesse problema, uma serpente transparente saiu da floresta de Olumo, uma das colinas da região de Abeokuta. Tinha à cabeça três enfeites, e todo o seu corpo, extremamente comprido, fumegava ligeiramente ao deslizar em silêncio por entre as ervas. Quando chegou perto da fogueira, ergueu-se sobre a cauda e dançou por instantes, enquanto as chamas brilhavam nos seus olhos vermelhos. Todos estes sinais lhe davam uma aparência mágica, e toda a gente reconheceu assim nela uma serpente enfeitiçada e sagrada.
Ayobami, que estava de costas para a serpente, não a viu chegar, e quando as duas raparigas finalmente a avistaram, já era demasido tarde. Gritaram ao mesmo tempo quando a serpente mordeu Ayobami na coxa, antes de desaparecer na noite. Ela cumprira assim a missão que os deuses lhe tinham confiado.
Em breve, Ayobami foi obrigado a ir-se deitar no interior da sua cabana. As duas jovens
despertaram então toda a aldeia. Foram procurar o curandeiro que, reconhecendo nisso um sinal dos deuses, não quis intervir.
As velhas mandaram, então, ferver imediatamente umas ervas e uns pós, que puseram na ferida, mas sem sucesso. Tudo foi tentado para salvar a vida de Ayobami; contudo, umas horas depois, este acabou por morrer, sem sequer ter voltado a abrir os olhos e, sobretudo, sem ter chegado a dizer qual das duas jovens preferia.
Ambas se puseram então a chorar a morte do seu amigo. De manhã, Olu, a mais nova, levantou-se e proferiu as seguintes palavras:
-Sem a existência de Ayobami, a minha vida já não tem sentido. Quando o fogo morre, o fumo desaparece com ele. Não posso viver sem a sua presença. Assim, vou hoje juntar-me a ele na morte.
E, antes que alguém a tivesse podido impedir, pôs-se a correr através do mato. Encontrou a pista da serpente enfeitiçada, foi ter com ela e, por seu turno, fez com que ela a mordesse. Olu tombou por terra, caindo entre as ervas, e morreu pouco depois, julgando estar aí todo o preço do seu amor.
Yemesi não sabia o que fazer. Refletiu alguns instantes e, depois, de súbito, decidiu-se. Entrou na cabana de seu pai, pegou na grande catana pendurada numa das paredes, e seguiu igualmente a pista da serpente. Quando a apanhou, e no momento em que erguia a arma para lhe cortar a cabeça, a serpente ergueu-se à sua frente e disse-lhe:
-Yemesi, não me mates! Se me deixares viver, vou ajudar-te a salvar Ayobami.
A jovem aceitou e a serpente deu-lhe, então, dois saquinhos, um contendo um pó negro e outro um pó branco.
-Pega nestes dois sacos e pôe-te em cima do cadáver de Ayobami. Fecha os olhos e lança o pó negro para muito longe, na direção do sol nascente, e o pó branco também para muito longe, na direção do sol poente.
Yemesi seguiu os conselhos da serpente e, de imediato, Ayobami e Olu foram misteriosamente ressuscitados.
Ayobami não hesitou mais e escolheu aquela que devia ser a sua esposa para toda a vida.

(Fonte: Nações e a cultura da cor)

domingo, 20 de março de 2011

MAHURA - A MOÇA TRABALHADEIRA.


Origem: Moçambique

Quando Olorum criou o universo, o céu e a terra viviam juntos e em perfeita harmonia: as gotas de chuva se juntavam às águas das cachoeiras, o vento e a brisa eram companheiros inseparáveis e propiciavam um belo espetáculo formando mosaicos de folhas secas e gravetos, os homens compartilhavam a vida e não havia distinção de credo e cor, pois todos faziam parte de uma única raça: a humana.

Um dia, a terra achou que havia chegado a hora de ter um filho e deu à luz uma bela jovem na aldeia Okulo a quem deu o nome de Mahura, que significa moça trabalhadeira.

Mahura cresceu depressa e logo desenvolveu suas aptidões: trabalhava incansavelmente e com muita disciplina. Durante o dia, cuidava dos ciclos da natureza e, quando o sol se punha, sentava-se ao chão perto de um enorme pilão que usava para triturar raízes, sementes e cascas que serviriam para fazer a tintura colorida que tingia a palha e o algodão que vestia a sua tribo.  Só que o pilão que Mahura usava era mágico e, quanto mais usado, mais crescia e, como a jovem era alimentada pelo trabalho, mais vigor empreendia na sua labuta.

Tanto o pilão cresceu que começou a machucar o céu que no início gemia baixinho; mas, não conseguindo suportar as dores causadas pela mão-de-pilão de Mahura, passou a reclamar.

- Céu, sobe mais um pouquinho! - pedia a moça.

Com isso, o céu foi se distanciando, distanciando, se tornando cada vez mais inacessível até chegar a ponto das nuvens não poderem mais brincar livremente e as gotas de chuva não conseguirem mais manter o solo úmido e fértil que foi ficando fraco e pobre. As frutas não mais brotavam nas árvores como flores em buquê e a tristeza tomou conta de tudo.

Também Mahura ficou infeliz e resolveu pedir desculpas ao céu que estava tão inatingível e não ouviu suas lamúrias. Então, a jovem resolveu ofertar um presente, retirou uma pepita dourada do leito de um rio dando-lhe o nome de Sol e, de uma caverna escura, retirou uma pedra redonda e reluzente à qual batizou de lua.

Atirou os presentes bem para o alto, um de cada lado do céu como um pedido de desculpas que aceitou as oferendas, mas preferiu ficar lá em cima, pois era mais seguro.

Assim contaram, assim lhes contei: se dúvida tiverem do causo aqui narrado, olhem à noite para o céu. As estrelas que virão brilhando nada mais são do que as cicatrizes deixadas pelo pilão de Mahura.

Fonte: Nações e cultura da cor

sábado, 19 de março de 2011

DIA DE SÃO JOSÉ.

Chuva no dia de São José é sinal de fartura, acreditam os agricultores.
Para os produtores nordestinos, a tradição para uma colheita farta é levada a sério: os pedidos e cantorias para o santo começam logo cedo.

Meu divino São José,
Aqui estou a vossos pés.
Dá-nos chuva com abundância,
Meu divino São José.
"O sertão é uma espera enorme",
Dá-nos chuva com abundância,
Meu divino São José.
 
Hoje é dia de São José, o santo a quem os nordestinos recorrem para pedir chuva.
Na cidade de São José do Campestre, localizada no estado brasileiro do Rio Grande do Norte, reza a lenda que se neste dia chover, a festa seguinte - a de São João -, a população local será abençoada com uma farta colheita de milho.
E como São José não é de decepcionar ninguém, depois de muitas rezas e pedidos, o santo mandou a chuva tão esperada pela população.
É sinal de que vamos ter uma festança em junho.
Oba !
A popularidade do santo é tão grande, que no Maranhão (outro estado brasileiro), uma cidade deu até sobrenome para o santo: São José de Ribamar
Contam os historiadores que há 400 anos, os índios revoltados com a colonização entraram na igreja e roubaram as imagens. O grupo entrou no mar, veio uma tempestade muito forte e a canoa acabou virando. 
Todos afundaram, mas as imagens começaram a boiar. 
Por isso o nome "Ribamar" ( riba= em cima).
O santo tão é adorado no estado, que dez por cento do eleitorado maranhense tem o nome dele. Dos 130 mil habitantes de São José de Ribamar, 7 mil assinantes da lista telefônica têm José na nomenclatura. 
De cada dez meninos que nascem lá,
três ou quatro recebem o nome de José Ribamar

Verdade !
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Para quem gosta de simpatias, existe a da fruta. 
É assim:

Escreva em  quadradinhos de papel os nomes de todas as frutas que lembrar. Dobre e coloque-os em um potinho. Faça a oração para São José, logo em seguida um pedido e sorteie um papel. 
Para que o pedido seja atendido, você deve ficar um ano sem comer a fruta sorteada. 
Se for justo e merecedor, o pedido será realizado durante o correr do ano.





ORAÇÃO A SÃO JOSÉ


Ó glorioso São José, a quem foi dado o poder de 
Tornar possível as coisas humanamente 
Impossíveis, vinde em nosso auxílio nas 
Dificuldades em que nos achamos. 
Tomai sob vossa proteção a causa importante que vos 
Confiamos, para que tenha uma solução favorável. 
Ó pai muito amado, em vós depositamos toda a 
Nossa confiança. Que ninguém possa jamais dizer 
Que vos invocamos em vão. Já que tudo podeis 
Junto a Jesus e Maria, mostrai-nos que vossa 
Bondade é igual ao vosso poder.


São José, a quem Deus confiou o cuidado da mais 
Santa família que jamais houve, sede, nós vos 
Pedimos, o pai e protetor da nossa, e impetrai-nos 
A graça de vivermos e morrermos no amor de 
Jesus e Maria.


São José, rogai por nós que recorremos a vós !

terça-feira, 15 de março de 2011

AS MÀSCARAS AFRICANAS.


O significado das máscaras é muito difícil de ser compreendido pelos não-africanos, justamente porque nelas residem muitas fantasias, misticismo e magia que exprimem o modo de pensar de muitas sociedades tribais africanas.

Esses significados variam de um grupo étnico para outro, onde uma só máscara pode ter significados variados.

Uma pessoa que não tenha sido iniciada nos rituais secretos das máscaras não conhece o seu significados. Muitas podem ser vistas apenas por aqueles que tenham sido iniciados nesse respectivo conhecimento. Mulheres e crianças são freqüentemente excluídas das cerimônias sagradas onde certas mágicas aparecem. Há até uma crença de que a visão não autorizada de uma cerimônia de consagração de máscaras pode trazer doenças, desgraça e morte para aqueles que violarem as regras ritualísticas.

A máscara simboliza uma transformação mística; quem a veste incorpora o ser que ela representa.

Na região oeste da África, elas têm importantíssima função, por exemplo, nas festas de iniciação, aparições públicas de sociedades secretas, nos rituais de casamento, nascimento, morte e feitiçaria e nas celebrações das colheitas.

Elas podem purificar, proteger ou assombrar, transmitindo mensagens dos espíritos para as pessoas e acompanham os homens na guerra, na caça e nos trabalhos no campo.

A função das máscaras juntamente com os trajes sagrados é fixar a atenção de todos na energia de um espírito.

Fonte: Nações e Cultura da Cor.

sábado, 12 de março de 2011

REGIÃO SERRANA/RJ - O QUE DE CONCRETO FOI FEITO.


Hoje faz 2 meses da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro - saldo até o momento: 905 pessoas mortas e 349 desaparecidos. Não é algo agradável de se lembrar, mas precisamos estar atentos a alguns pontos, a saber:
Gostaria de saber como as Prefeituras das localidades afetadas pelas chuvas de janeiro/2011 explicam o sentido geral da população, de que o trabalho de reconstrução caminha a passos de cágado ?
Esse ar de normalidade é ilusório, e os caras vão para a TV com promessas, falando que está tudo bem, quando na verdade não está.
Por que o Ministro da Defesa, Nelson Jobim permitiu que as forças armadas deixassem a região serrana a mercê de tais políticos ?
Quem mora na região afetada e se dá o trabalho de percorrer estas localidades, pensa que a tragédia ocorreu há dois dias, pois os sintomas são muito visíveis: casas cobertas de lama, carros retorcidos para todos os lados, ruas interrompidas,restos de enchente para todos os lados, gente sem moradia e sem ter o que comer pedindo um copo de café, um prato de comida, um agasalho ...
Quanto foi liberado de fato para a região serrana do Rio ? O discurso nos veículos de comunicação é perfeito, mas repito: o que vejo aqui são pessoas perdidas sem seus trabalhos, sem moradia, sem qualquer perspectiva de recomeço.
Outro ponto, sem as licitações (devido ao estado de calamidade pública), as contratações viram o samba do crioulo doido . Será que a verba está sendo administrada com a devida seriedade? 
Eu sei que muitas questões não serão resolvidas, mas o abandono, o já é passado, isso a população não pode deixar acontecer. Temos que cobrar, temos que fiscalizar, ficar atentos as jogatinas partidárias mesmo porque, no final das contas, eles passam e nós ficamos.


Parênteses: Todas as vezes que percorro essas localidades para ver o que efetivamente está sendo feito e o que posso ajudar, me vem em mente Santo Agostinho: "O homem põe, e Deus dispõe".
E o homem ainda acha que está no comando.
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"Prazo para saque de FGTS a vítimas das chuvas no Rio termina na quarta (16/03)", diz a manchete.


Quem será que conseguiu sacar esse tal FGTS? Sim, porque as exigências da Caixa Econômica eram enormes, só posso crer para dificultar a retirada.

Não deu nem tempo dos tais malditos laudos feitos pela Defesa Civil ficarem prontos, já que tudo ainda se encontra de pernas para o ar, e as Prefeitura não tem efetivo suficiente para já ter percorrido toda região e emitido os tais laudos para que a pessoas possam dar entrada e sacar o tal FGTS, o que também não o fazem na hora ( tem que agendar e depois marcar para 5 dias).

Coitado de quem não tem noção de seus direitos.

Entre o discurso e a realidade existe uma grande distância.

Não vou nem levantar a bandeira dos agricultores.

Aliás, estamos todos, moramos da serrana, sendo soterrados junto com os deslizamentos.

Outro ponto, quantos atingidos estão efetivamente recebendo aluguel social ?

O que é viver num abrigo ?
Para mim, viver em um abrigo é um estágio acima de estar em um presídio.
E quando se acaba de cumprir a pena no abrigo ?
Sim, porque em um presídio você tem um data para sair.



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O capitalismo que praticamos aqui no Brasil, reserva um transporte de segunda categoria para os mutilados, idosos, crianças com doenças crônicas, deficientes e estudantes, onde as empresas de ônibus encontram respaldo em uma lei federal aprovada e em vigor. Eu gostaria de saber qual foi o parlamentar autor da lei que proíbe essa população do acesso ao ônibus de ar condicionado (tarifa A), os chamados "frescões".

A demora dos ônibus comuns, deixam essas pessoas horas e horas nos pontos de ônibus, embaixo do sol escaldante do Rio de Janeiro. 
Não é possível que o Governador, o Secretario transporte não tenham a percepção dessa canalhice. Eu não tenho conhecimento de nenhuma empresa que não tenha  enriquecido seu proprietário, ou que  tenha sido devolvida  porque dá prejuízo. Isso me lembra a sociedade que Hitler idealizava ( os fracos deviam ser eliminados). É esse o valor humano que professamos hoje em pleno século XXI ? 
A crueldade é tão grande a ponto de retirarem os convencionais da rua ( que tem a passagem mais barata) em troca dos  com ar condicionado, proibindo assim a entrada das gratuidades.     
O que se desconhece é que o passageiro que se sentir lesado, pode entrar com ação judicial porque os juízes estão dando ganho de causa para esses processos. Só que não é todo mundo tem  dinheiro e tempo para correr atrás de seu prejuízo. 
Imagina a situação de um deficiente ou de  um mutilado, embarcar naqueles quentões abarrotados, com sensação térmica de quase 50 graus em meio a enormes engarrafamentos. Quem fez essa lei e a turma que votou para a sua aprovação, certamente não tem suas mães enquadradas nessa situação.
É preciso entender que a autoridade pública tem que zelar pela população.

Para mim, isso é mais um ato de total desumanidade e absoluta canalhice.



Esse é o nosso Brasil!

quinta-feira, 10 de março de 2011

KERERÊ - A GALINHA PINTADA DA ANGOLA.


Numa certa manhã, vinha de cabeça baixa e muito triste uma Kererê, lamentando-se «tô fraca, tô fraca, tô fraca!».
Resolveu saciar a sede num riacho. Lá deparou-se com uma linda mulher que se banhava e coquete como só ela sabia começou a pintar-se.
Kererê quando viu aquilo admirou-se: era Dandalunda, aquela que dá brilho às jóias e se banha e pinta antes mesmo de cuidar dos filhos...
Dandalunda quando percebeu a tristeza daquela ave perguntou-lhe:
 - Porque é essa tristeza Kererê?
Kererê respondeu-lhe:
- Entre os meus pares eu sou a mais feia!
Naquela época Kererê era toda preta...
Dandalunda então pediu para Kererê se aproximar. Ela pegou em osum amarelo e pintou o seu bico; depois com osum vermelho os brincos. Depois com waji tornou as penas azul escuro e com efum fez as pinturas brancas. E continuou a pintar Kererê. Esta ao ver a sua imagem no abebé de Dandalunda saiu correndo de tanta felicidade cantando "Kuéim, kuéim, kuéim".
Dandalunda que ainda não tinha terminado de pintar Kererê pediu a Kakulu, divindade dos gêmeos, para que corresse atrás de Kererê e a trouxesse de volta, pois não tinha pintado o seu peito.
Kererê lá voltou e pediu para que Dandalunda ao invés de pintar o peito lhe desse um colar.
Dandalunda fez-lhe a vontade e ofereceu-lhe um colar em forma de coroa que Kererê carrega até hoje... e entre os seus pares é a mais linda de todas...
Tempos depois Kererê voltou e tornou-se o primeiro ser que "tomou" obrigações por aquela que é capaz de modificar todos com a sua doce magia encantada da beleza.
Kererê, o primeiro ser de cabeça raspada, adornado e pintado por Dandalunda... e é por este motivo que quando um Kererê é sacrificado, os africanos têm que tirar este colar em forma de coroa e coloca-lo em evidência!

OBS: Kererê é também conhecida por Konquem, "Tô" fraco, Etu ou Galinha d’Angola

(Fonte: Nação e Cultura da Cor)

terça-feira, 8 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.A manifestação foi reprimida com total violência. 
As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

(Fonte: http://.www.diadasmulheres.kvt.org.br)
Desconheço a autoria da imagem publicada acima.

Todas, mulheres tão bonitas quanto qualquer Estrela, 
que lutam todos os dias para fazer do mundo um lugar melhor para se viver, parabéns pelo dia de hoje.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A ALFAZEMA.


A alfazema é usada para restabelecer o fluxo menstrual. É calmante e alivia as dores de cabeça. É ótima para quem tem enxaquecas, se usada em tratamento constante. Alivia o coração , é boa para hipocondria e tonturas decorrentes de abalos nervosos.
Além disso, a planta serve para afastar as bruxas disfarçadas de mariposas, que rondam os berços dos bebês indefesos, assim dizia a minha avó.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

DOM OBÁ - PRÍNCIPE DO POVO.

Nos meados do século XIX a cidade do Rio de Janeiro se tornou a maior metrópole africana do hemisfério ocidental.  Uma grande comunidade negra que revelou como as identidades étnicas de "Nação", criadas pelo tráfico negreiro, eram capazes de ser recriadas pelos africanos a partir da correlação de forças e conquistas dentro deste próprio quilombo urbano.
Este era o tempo em que viveu Cândido da Fonseca Galvão, ou melhor, Dom Obá II D'África, um líder popular afro-brasileiro das ruas do Rio, pioneiro do movimento da negritude e da luta pela igualdade racial no Brasil, que atuou no período de transição da escravidão para a Abolição.
Filho de africanos forros, brasileiro de primeira geração, era, ao mesmo tempo, por direito de sangue, príncipe africano, neto, ao que tudo indica, do poderoso Aláàfin Abiodun, o último soberano a manter unido o grande império de Oyó na segunda metade do século XVIII.
Dom Obá (que quer dizer "rei" em iorubá) nasceu na Vila dos Lençóis, no sertão da Bahia, por volta de 1845.
D. Obá se alistou e lutou na Guerra do Paraguai (1865-70), de onde saiu oficial honorário do Exército brasileiro, por bravura. De volta ao país, fixou residência no Rio, onde era tido pela sociedade de bem como um homem meio amalucado, uma figura folclórica e era, ao mesmo tempo, respeitado e reverenciado como um príncipe real por escravos, esfarrapados, libertos e homens livres de cor que viviam nesta África carioca.
Amigo pessoal do Imperador D. Pedro II, assumiu papel histórico importante no processo de Abolição, pois era o elo entre as elites do poder monárquico e a massas populares.
Dom Obá desenvolveu um pensamento alternativo da sociedade e do próprio processo histórico brasileiro. Talvez pelo conteúdo mesmo de suas idéias, talvez por sua linguagem crioula, dosada com alguns toques de iorubá e mesmo latim. Apesar de seu discurso ter parecido opaco, incompreensível para a elite letrada da época, abolicionistas e a camada popular compartilhavam de suas idéias, que brotavam de dentro das quitandas.
O Príncipe Dom Obá, independentemente de sua linhagem monárquica, tinha posições política bem definidas em prol da igualdade e da justiça social. Contrariou as filosofias evolucionistas e etnocêntricas da ciência com relação ao processo de miscigenação brasileira.
O príncipe ensinou ao negro a orgulhar-se de sua cor e, por não acreditar em superioridades, era "amigo dos” brancos “ e de todos aqueles que tinham a sensatez de compreender que o valor não está na cor.
Na verdade, para Dom Obá, não parece existir exatamente uma "questão racial", mas uma questão de cultura, de informação, de desconhecimento. Portanto, o seu desconsolo com esta nova África, onde ainda há quem cultive as tolices  do preconceito e da desigualdade.

"Sou conservador para conservar o que for bom e liberal para reprimir o preconceito e a injustiça social", disse Dom Obá, um Cidadão Negro Brasileiro.

(Fonte: Nações e a Cultura da Cor)