quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A origem dos orixás.







Um dia, em terras africanas dos povos iorubás, um mensageiro chamado Exú andava de aldeia em aldeia à procura de soluções para terríveis problemas que na ocasião afligiam a todos, tanto os homens como os orixás.
Conta o mito que Exú foi aconselhado a ouvir do povo todas as histórias que falassem dos dramas vividos pelos seres humanos, pelas próprias divindades, assim como por animais e outros seres que dividem a Terra com o homem. Exú deveria estar a tento também aos relatos sobre as providências tomadas e as oferendas feitas aos deuses para se chegar a um final feliz em cada desafio enfrentado.
Assim fez ele, reunindo um número incontável de histórias, o orixá mensageiro tinha diante de si todo o conhecimento necessário para o desvendamento dos mistérios sobre a origem e o governo do mundo dos homens e da natureza.
Conta-se também, que todo esse saber foi dado a um adivinho de nome Orunmilá, também chamado de Ifá, que o transmitiu aos seus seguidores, os sacerdotes do oráculo de Ifá, que são chamados de babalaôs ou pais do segredo.
Para os iorubás tradicionais, os orixás são deuses que receberam de Olodumarê ou Olorum, a incumbência de criar e governar o mundo, ficando cada um deles responsável por alguns aspectos da natureza e certas dimensões da vida.
Exú é o orixá sempre presente, pois o culto de cada um dos demais orixás depende de seu papel de mensageiro. Sem ele, orixás e humanos não podem se comunicar. Ogum governa o ferro, a metalurgia, a guerra. É o dono dos caminhos, da tecnologia e das oportunidades de realização pessoal. Oxossi e outros orixás caçadores, são donos da vegetação e da fauna, de tendo a chave da sobrevivência do homem através do trabalho. Nanã é a guardiã do saber ancestral e participa com outros orixás do panteão da Terra. Onilé, a Mãe da Terra, é a senhora do planeta em que vivemos . Oxumarê, o arco-íris, é o deus serpente que controla a chuva, a fertilidade da terra e, por conseguinte, a prosperidade propiciada pelas boas colheitas. Omulú ou Obaluaê é o senhor da peste, da varíola, da doença infecciosa, o conhecedor de seus segredos e de sua cura. Euá, orixá feminino das fontes, preside o solo sagrado onde repousam os mortos. Xangô é o dono do trovão, conhecedor dos caminhos do poder secular, governador da justiça. Iansã ou Oiá dirige o vento, as tempestades e a sensualidade feminina. É a senhora dos raios e soberana dos espíritos dos mortos, que encaminha para o outro mundo. Obá dirige a correnteza dos rios e da vida doméstica das mulheres, no contínuo fluxo cotidiano. Oxum preside o amor e a fertilidade, é dona do ouro e da vaidade e senhora das águas doces. Iemanjá, a senhora das grandes águas, mãe dos deuses, dos homens e dos peixes, é aquela que rege o equilíbrio emocional e a loucura.
Os gêmeos Ibejis, os orixás crianças, presidem a infância e a fraternidade, a duplicidade e o lado infantil dos adultos. Orunmilá ou Ifá é o conhecedor do destino dos homens, detém o saber do oráculo, que ensina como resolver toda sorte de problemas e aflição.
Ossaim é o conhecedor do poder mágico e curativo das folhas e sem sua ciência nenhum remédio mágico funciona. Oxalá encabeça o panteão da Criação, formado de orixás que criaram o mundo natural, a humanidade e o mundo social. Ele é o criador do homem, senhor absoluto do princípio da vida, da respiração, do ar. Oxaguiã é o criador da cultura material, inventor do pilão que prepara o alimento e é quem rege o conflito entre os povos.
Os iorubás acreditam que homens e mulheres descendem dos orixás, não tendo, pois, uma origem única e comum, como no cristianismo. Cada um herda do orixá de que provém suas marcas e características, propensões e desejos, tudo como está relatado nos mitos. Os orixás vivem em luta uns contra os outros, defendem seus governos e procuram ampliar seus domínios, valendo-se de todos os artifícios e artimanhas, da intriga dissimulada à guerra aberta e sangrenta, da conquista amorosa à traição. Os orixás alegram-se e sofrem, vencem e perdem, conquistam e são conquistados , amam e odeiam. Os humanos são apenas cópias esmaecidas dos orixás dos quais descendem.


Fonte: PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. Cia das Letras. 2005


Somos seres livres, pensantes e como tal, temos o livre arbítrio de acreditar e seguir aquilo que mais nos convém ou nos identifica, mesmo porque cada ser humano é único e tem que ser respeitado em sua diversidade. Religião alguma não nos faz melhor ou pior que o outro, pelo contrário, o que traz o aprendizado é exatamente esta mistura de idéias, de crenças: temos a mesma origem e voltaremos todos ao pó.

Ao invés de brigar ou olhar preconceituosamente o nosso próximo por não professar as nossas mesmas crenças, devemos estar com as nossas energias voltadas para a realização de um mundo melhor, com menos violência. Afinal de contas, somos o produto daquilo que pensamos e temos como resultado aquilo que merecemos. E, diga-se de passagem, arranjar solução para a vida dos outros é muito fácil.

No fim de tudo você vai perceber que todas as religiões, seitas e crenças contam as suas histórias, cada qual com a beleza de sua cultura, destinando-se ao mesmo fim: explicar o mito da Criação e com a mesma mensagem final - o respeito ao próximo.

O que faz a diferença nesse meio, é a intenção que cada um tem ao interagir com esse ou aquele pensamento.


A Paz Profunda .'.

2 comentários:

J. ROBERTO BALESTRA disse...

Profª Silvana, boa noite.

Passeando pela blogosfera à procura duma imagem (que agora não me recordo mais qual era), topei com seu BLOG. Uma primeira coisa me chamou muito a atenção: A CITAÇÃO GARRAFAL DE ANTONIO NÓBREGA.

Sempre o admirei muito. Antonio Nóbrega é um daqueles raros ILUMINADOS. Eu o conheci (pela tv) nos idos tempos do SOM BRASIL, de Lima Duarte. Já naquele tempo ficava apaixonado pelo jeito dele interpretar as personagens que trazia ao palco. Aquele chapeuzinho quase-coco... Ainda ecoa em meus ouvidos quando ele falava: "- Sêo Liiima!". Eu ria demais.

Como ia dizendo, depois, à medida que eu deslizava a página na tela, ia ficando mais encantado com o conteúdo cultural de seu blog: brasileiríssimo! Só ver Ariano Suassuna por ali entre tanta gente boa, outro dos ILUMINADOS de que falo, já é bom demais.

Resultado: já acrescentei o link de seu blog entre os que recomendo.

Assim, gostaria de convidá-la a visitar meu blog e receber honrosamente seus comentários.
Abraços, e UM ÓTIMO NATAL junto aos seus!

P.S.: aquela sua foto no bosque com aquela "fumaça" tem uma MENSAGEM ESPECIAL... Creia mesmo!

J. ROBERTO BALESTRA disse...

Passando pra te dizer que fiquei muito emocionado com o presente do canto do uirapuru. Deixei o pássaro cantando o tempo todo em que eu navegava pela blogsfera hoje, visitando os blogamigos. Senti o canto entranhar minh'alma. É mágico e espiritual aquele canto. Te conto mais: durante cinco anos morei na amazônia (Rod. TRansamazônica), na região do Anapu (onde mataram a freira Doroti), e por diversas vezes tive a imensa honra de ouvir, lá no fundão da mata, 10, 15 ou 20 km, o canto do Uirapuru. Eu ficava sem respirar pra ouvir. ERa lindo. Você me deu uma bela recordação. Bjs.