domingo, 7 de fevereiro de 2010

OXUM.


Oxum preside o amor e a fertilidade, é a dona do ouro e da vaidade e senhora das águas doces.

Correspondência com os santos católicos: Nossa Senhora da Conceição,  Nossa Senhora da Aparecida.

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Um dia, Orunmilá saiu de seu palácio
 para dar um passeio acompanhado de todo o seu séquito.
Em certo ponto deparou com outro cortejo, 
do qual a figura principal era uma mulher muito bonita.
Orunmilá ficou impressionado com tanta beleza
e mandou Exu, seu mensageiro, averiguar quem era ela.
Exu apresentou-se ante a mulher com todas as reverências
e falou que seu senhor, Orunmilá, gostaria de saber seu nome.
Ela disse que era Iemanjá, rainha das águas e esposa de Oxalá.
Exu voltou à presença de Orunmilá
e relatou tudo o que soubera da identidade da mulher.
Orunmilá, então, mandou convidá-la a seu palácio,
dizendo que desejava conhecê-la.
Iemanjá não atendeu de imediato o convite,
mas um dia foi visitar Orunmilá.
Ninguém sabe ao certo o que se passou no palácio,
mas o fato é que Iemanjá ficou grávida após a visita a Orunmilá.
Iemanjá deu a luz a uma linda menina.
Como Iemanjá já tivera  muitos filhos com seu marido,
Orunmilá enviou Exu para comprovar se a criança
era mesmo filha dele. Ele devia procurar sinais no corpo.
Se a menina apresentasse alguma marca,
mancha ou caroço na cabeça seria filha de Orunmilá
e deveria ser levada para viver com ele.
Assim foi atestado, pelas marcas de nascença,

que a criança mais nova de Iemanjá era de Orunmilá.
Foi criada pelo pai, que satisfazia todos os seus caprichos.
Por isso cresceu cheia de vontades e vaidades.
O nome dessa filha é Oxum.

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Oxalá tinha três mulheres.
A esposa principal era uma filha de Oxum, e como tal era a encarregada de zelar pelos alvos paramentos
e pelas ferramentas que usava Oxalá nas grandes celebrações.
As outras mulheres invejavam a posição da filha de Oxum
e muitas vezes criaram situações embaraçosas para prejudicá-la.
Um dia, a filha de Oxum limpava as ferramentas de Oxalá
e as deixou no sol para secar enquanto cuidava de outras coisas.
Vieram as duas outras mulheres e jogaram os objetos do orixá no mar.
A filha de Oxum não encontrou as ferramentas do Grande Orixá
e julgou, desesperada, que por conta disso pagaria caro demais.
Nem da cama levantou-se no dia da festa, tal o seu estado d'alma.
sabia que na festa Oxalá haveria de querer usar os seus símbolos.
Uma meninazinha que ela criava lhe pediu para que se levantasse,
mas ela se recusou a fazê-lo, tão grande o desânimo que a possuía.
Foi quando passou na rua um pescador vendendo peixes
e a mulher mandou  a meninazinha  comprar alguns para a festa.
Ao abrir os peixes, encontrou as ferramentas dentro deles.

As outras duas não desistiram de prejudicar a rival esposa.
No dia da festa, no ponto privilegiado da sala,
ocupava seu trono Oxalá.
Sentada numa cadeira, à sua direita, encontrava-se a esposa principal,
enquanto as outras duas  acomodavam-se em cadeiras do lado esquerdo.
Aproveitanso-se de um momento
em que a primeira esposa se ausentou,
as duas outras puseram em sua cadeira um preparado mágico.
No momento em que ela voltou à sala e se sentou,
sentiu o assento pegajoso, quente, estranho.
Ela sangrava, deu-se conta com horror!
Saiu correndo em desespero,
sabendo que infringia um tabu do seu marido.
Oxalá indignou-se 
por ela ter se apresentado diante dele em estado de impureza.

A triste esposa correu para a casa de sua mãe em busca de socorro.
Oxum a recebeu carinhosamente e cuidou dela.
Triturou folhas e preparou-lhe um banho de bacia.
Banhou o seu corpo, lavou o sangue, envolveu-a em panos limpos
e a deixou repousando numa esteira sob a sombra de uma árvore.
Quando Oxum tirou a filha do banho, o fundo da água era vermelho
e não era sangue, eram penas vermelhas do papagaio-da-costa.
No findo da bacia penas vermelhas estavam depositadas,
penas da cauda do papagaio-da-costa, que os iorubás chamam edidé.
Penas raríssimas e muito apreciadas que os iorubás chamam ecodidé.
Penas que o próprio Oxalá considerava
um riquíssimo objeto de adorno,
das quais os caçadores não conseguiam
arranjar-lhe sequer um exemplar.

A filha de Oxum passou a ir às festas enfeitada com as tais penas
e um rumor de que Oxum tinha muitos ecodidés
chegou ao s ouvidos de Oxalá.
Como ele não conseguia as penas de papagaio
pelas mãos dos caçadores,
foi um dia à casa de Oxum perguntar por elas e surpreendeu-se.
Lá estava a sua mulher, a filha de Oxum,
coberta com as preciosas plumas.
Oxalá acabou perdoando a esposa e a levou de volta para a casa.
Com a filha reabilitada e Oxalá satisfeito,
Oxum completara seu prodígio.
Oxalá ornou com uma das penas vermelhas sua própria testa
e determinou que a partir daquele dia
as sacerdotisas dos orixás, as iaôs, quando iniciadas,
deveriam também usar o ecodidé
enfeitando suas cabeças raspadas e pintadas,
pois assim seriam mais facilmente reconhecidas pelos orixás
que tomam seus corpos em possessão para dançar nas festas.

( Prandi, Reginaldo in Mitologia dos Orixás).
Desconheço a autoria das fotos publicadas acima.

Ora-Iê Iê-Oxumminha mãe !

23 comentários:

manuel marques disse...

Como sempre lindíssimo.

Beijos e uma ótima semana.

Maria... disse...

Adorei esse post....Muito lindo e interessante. Dizem também que filha de Oxum é faceira, bonita e charmosa. Uma música em homenagem a Oxum:

Eu vi mamãe Oxum na cachoeira
Sentada na beira do rio
Colhendo lírio lirio eh
Para enfeitar nosso congá.
bj e bom início de semana.

Uber Expresso disse...

Silvana, perfeito seus post, entro nessas histórias lindas, que belo, nem imaginava isso... continuo te acompanhando que nem novela, mais vou lhe dizer que está muito melhor... Beijos Roberta

Dalva disse...

Muito curioso esse universo afro...

Boa semana, Silvana!

Bjs.

Daniel Savio disse...

Interessante, mas lembra o ditado que com as pedras que me atirarrem irei construir o meu castelo...

Fique com Deus, menin Silvana.
Um abraço.

Regina Rozenbaum disse...

Eiii Sil Amada
Hoje, em especial, me lembrei de vc: num conseguia fazer a net funcionar de jeito nenhum, de nenhum jeito rsrs Uma peleja, cruzes! Só agora consegui um cadim, tá leeeeeeeeennnnnnntttttaaaa quiném por aí rsrs. Amiga, a partir de amanhã e ao longo de toda a semana, finalmente, sairá o NOSSO me cativa! Espero vc e seu carinho de sempre.
Beijuuss n.c.

www.toforatodentro.blogspot.com

Bєzєяяɑ Guimɑŗãeร disse...

Adorei as informações, muito obrigada!


Oxalá, agora sei quem é.

Você talvez goste de ler Jorge Amado, com ele aprendi muitas coisas sobre mitologia.



Beijos,
Ry.

Pelos caminhos da vida. disse...

Aprendi mais um pouco aqui.

Uma semana de luz amiga.

beijooo.

angela disse...

Essa história de ter varias mulheres sempre gera confusão..rs
beijos

Lidia Ferreira disse...

Lindas essas historias , a muitas historias no reino dos Orixas,
Bjs

Primaveril no muro disse...

Olá, Silvana
Estou adorando, tudo isso! Mamãe Oxum é um dos meus orixás prediletos.
Estou chegando do ensaio técnico no sambódromo, hoje foi feito teste de luz e som com o salgeiro. Estava ótimo!
Saudações primaveris

O Santo Forte disse...

se vc puder faça um post de São Jorge

PROGRAMA EDUCATIVA NAS LETRAS! disse...

Oi, Silvana!
Que legal saber que vc é uma colega de rádio! E que bacana saber também que vc mora num pedacinho do céu, né: a região serrana do Rio.
Reforço o convite para ouvir o nosso programa. Ele vai ao ar aos sábados, às 10 da manhã. E com reprise aos domingos, às 21 horas.
Conte com a gente para divulgar o BLOG!
Abraços!

Alexandre.

tati disse...

Maravilhoso! tudo muito lindo! seu blog é perfeito vou visitar sempre afim de ler todos os contos... Parabéns! bjs.

Amapola disse...

Bom dia, Silvana.

Que lindo...
Eu adoro a Clara Nunes, e tenho um DVD dela, com várias interpretações, que contam fragmentos dessas lendas.

Um grande abraço.

Coisas da Gigi disse...

Adorei, mais uma história que não conhecia. Bela demais!
A música que Maria colocou é linda, em dos CD's do Zeca Baleiro ele canta esse ponto lindamente.

O Árabe disse...

Bela série, Silvana! Prossiga! :) Boa semana.

Harmonia&Arte disse...

Oi Silvana, como vai? Vim comunicar-lhe que seu belíssimo Blog, é destaque no Harmonia&Arte! Parabéns! Passe lá e pegue seu selo de lembrança, na pág. especial de destaques/Fevereiro! Um grande abraço!

Teresa Durães disse...

penso que as lendaas são tão importantes na nossa vida!

Memória de Elefante disse...

Um texto que chama atenção e orienta sobre estes Orixás .
Gostei!

Obrigada pela visita e pelo texto!


Um abraço

Kimbanda disse...

Olá Silvana,
Vim ler e aprender um pouco mais com os encantos de suas lendas, que sempre que posso não perco a oportunidade.
Kandandu a atravessar tanto mar

Denise Guerra disse...

Toda Grandeza e Beleza para esta Orixá! suas postagens estão linda! OORA YEYEOOSUN!Quando puder apareça lá no blog pois, tem postagens novas. Bjs!

Jr Vilanova disse...

Salve, Oxum... "nessa cidade" ("nesse país") todo mundo é D´Oxum, diz a canção de Gerônimo!

A deusa das águas doces, talvez, seja uma das que mais sofre dentre os orixás (opinião particular)... pois a água doce, os rios, as cachoeiras, são os elementos da natureza mais agredidos - e escassos - no mundo de hoje!

Que ela também nos proteja de todo mal, que olhe por nós!
Jr.