terça-feira, 26 de janeiro de 2010

CURIOSIDADES DE UMA IDADE MÉDIA.

Hoje eu vou fugir um pouco do tema deste blog, porque quero trazer para vocês a origem de algumas expressões que utilizamos no nosso cotidiano.

 Verdade ou não, FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER...

Vemos em filmes muita coisa sobre a Idade Média , mas ali não colocavam tudo como realmente era. Aliás, não devia ser muito bom viver naquela época,não havia água encanada ou filtrada, muito menos eletricidade. isso sem contar com a proliferação das doenças.
Na Idade Média, a maioria das pessoas  se casavam no mês de junho (início do verão para eles), porque como tomavam o primeiro banho do ano em maio, no mês seguinte o cheio ainda estava mais ou menos suportável. 
Como já começavam a exalar  alguns odores não muito agradáveis, as noivas tinham por costume carregar buquês de flores junto ao corpo para disfarçar a "inhaca" - daí temos o mês de maio como sendo o das noivas.
Os banhos eram tomados em uma única tina, enorme por sinal, e cheia de água quente. O chefe da família tinha o privilégio de ser o primeiro. Depois, sem trocar a água, vinham os outros homens da casa - por ordem de idade - , as mulheres depois deles , também por ordem de idade e, por fim, as pobres das crianças. Quando chegavam a vez dos bebês, a água estava tão suja que era possível perder um deles dentro da tina. 
É por esta razão que existe o termo "não jogue fora o bebê junto com a água do banho".
Nem queiram saber o que  acontecia com as fezes . Eca !
Os telhados das casas não tinham forro, e as madeiras que os sustentavam eram também o melhor lugar para os animais se aquecerem: cães, gatos e outros animais de pequeno porte como ratos e besouros. Para não sujarem as camas, inventaram uma espécie de cobertura, que com o tempo acabou se transformando num dossel. Quando chovia, começavam as goteiras e os animais pulavam para o chão. 
Assim, a nossa expressão "está chovendo canivetes' tem o seu equivalente em inglês "it's raining cats and dogs'.
Aqueles que tinham um poder aquisitivo maior, exibiam os seus pratos de estanho. Certos tipos de alimentos  oxidavam o material, o que fazia com que algumas pessoas morressem envenenadas. Isso acontecia frequentemente com os tomates que, sendo ácidos, foram considerados venenosos.
Os copos de estanho eram usados para beber cerveja ou uísque. Essa combinação às vezes deixava o sujeito no "chão", numa espécie de narcolepsia induzida pela bebida alcoólica e pelo estanho. Alguém que passasse pela rua poderia jurar que o beberrão estava morto, portanto recolhia o corpo e preparava o enterro. O defunto era então, colocado  sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta de vigília,  comendo, bebendo, esperando  para ver se o morto acordava ou não. 
Foi desse hábito que surgiu a vigília do caixão.
A Inglaterra é um país pequeno e nem sempre houve espaço para enterrar todos os mortos. Por causa disso, os caixões eram abertos, os ossos retirados e encaminhados ao ossuário, e  o túmulo era utilizado para outro infeliz.
Por várias vezes, ao abrir os caixões, percebiam que as tampas do lado de dentro estavam arranhadas, o que indicava  que aquele morto  tinha sido enterrado vivo. Dessa forma, surgiu a idéia  de ao fechar o caixão , amarrar uma tira no pulso do defunto , tira essa que passava por um buraco e acabava amarrada a um sino. 
Após o enterro, alguém ficava de plantão do lado  do túmulo durante uns dias. Se o defunto acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. 
Assim ele seria "salvo pelo gongo", como usamos até hoje.
Na Idade Médias as casas possuíam os telhados com telhas feitas de barro, confeccionados pelos escravos que usavam suas coxas como forma. Como nem todos possuíam as mesmas medidas, os telhados ficavam meio desalinhados, daí surgindo a expressão " feito nas coxas".
As casas dos mais abastados tinham no telhado dois tipos de acabamentos: a beira - o beiral - e a eira -, que era o acabamento  decorado feito na fachada. A casa da plebe tinha apenas o telhado sem acabamento algum, daí a expressão "sem eira nem beira"..
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O interessante  é que, apesar de tudo a gente lê e acha graça de como eram as coisas no passado, tal comodidade e conforto que temos hoje em dia.
E ainda reclamamos... 
Eu é que não queria estar metida numa sujeira dessas.

34 comentários:

Rui da Bica disse...

Silvana, "DESSE JEITO QUE OUVIU E VAI DIZENDO", sorte a nossa, que continuamos aprendendo com as tuas maravilhosas prosas !
Obrigado.
.

Cá Almeida disse...

Muito interessante Silvana! Hoje em dia não conseguimos ficar sem nosso conforto e comodidades, como um celular ou um forno de microondas!
Passei para conhecer seu cantinho e agradecer sua visita ao meu!
bjss, boa semana!

JARDINS DO CORAÇÃO disse...

Vivendo e aprendendo!!

E com esse seu Blog Silvana, cada vez aprendendo mais. Taí muito aprendizado e lições que poderei utilizar também no meu trabalho em educação sanitária.

Acredito que está em seu íntimo viver o ensinar. Desde criança sempre admirei, vislumbrei, sempre me encatei e sempre me fez muito feliz, em todos os momentos, quando ao ouvir, ao pronunciar, ao escrever e ao ler uma palavra tão mágica e fascinante:

PROFESSORA.

Creio que é uma palavra Sagrada!! Imagino o quanto é a satisfação para a Alma de professores e professoras serem chamados(as) e atenderem por esse nome...

Para mim tenho claro, que, professar é a continuidade da Criação de DEUS!!

Agradeço de coração a esta postagem de mais esse seu artigo; pois, é um delicioso aprendizado!!

Parabéns!!

O Árabe disse...

Venho agradecer pela visita e desejar todo sucesso para o blog. Boa semana!

Estrela disse...

Boa tarde, amiga!
As vezes me pergunto onde você vai buscar tantas histórias interessantes pra nos contar?
Morri de rir e de nojo com a hstória do banho! Eca mesmo!
Beijos estelares...

Daniel Savio disse...

Hua, kkk, ha, ha, quero acordar num caixão, pelo menos, não estando vivo ainda...

Hua, kkk, ha, ha, brincadeira com um fundo de verdade.

Fique com Deus, menina Silvana.
Um abraço.

Baila sem peso disse...

E vim agradecer a Luz no meu baile
na palavra de carinho que ficou pintada
fica também meu obrigada
"Foi desse jeito que ouviu dizer"
ensinando agora, para todo mundo aprender!
Também gostei do outro cantinho
ou não fosse ele, meu gostinho! :)

(E é verdade sim
a gente reclama
lá do alto da olímpica chama...
quantos ainda estão
com velinha acesa
no meio de pobreza!)

beijinho a saudar

disse...

Adorei!
Sempre quis saber o porque da expressão "it's rainning cats and dogs" Ficava imaginando a situação!
hahahaha

beijos :*

Bruno disse...

Alo,

O melhor do passado é quando no presente conseguimos visualizar o futuro

Ana Lucia disse...

Lindo blog!!!Parabens!

manuel marques disse...

Texto genial.

Beijos.

Chica disse...

Nem eu,Silvana! Reclamamos hoje, imagina antes...beijos,tudo de bom,chica

Feliz 2010 da Dri! disse...

Oi Silvana =) Sou a Drika das Mémórias Oníricas. Costumo anotar meus sonhos, sim, pq desde pequena tenho sonhos 'diferentes', que geralmente acontecem de alguma forma...n sei explicar =))

Gostei de seu blog, bem criativo, desde o nome até as informações que vc passa... parabéns por isso!

Vou te acomparnhar tbm!

Bjs no coração!

São disse...

Muito, muito interessante, realmente.
Espero que siga com estas informações.
Bem haja!

prafrente disse...

Dizem que a civilização romana foi "engolida" pelos povos invasores porque a sua classe politica e militar bebia em vasos feitos num material que provocava intoxicações mortais.Só ficaram os pobres que não tinham acesso a tais bens materiais.
Quanto ao banho na Idade Média é uma ótima pesquisa sobre história.Os tempos medievais ainda não acabaram assim há tanto tempo. Já em pleno séc.xx eu assisti a situações bem semelhantes em Portugal.Foi numa época em que tudo tinha de ser reaproveitado por causa da crise económica.Ainda hoje eu me canso de dizer á minha mãe que a água de lavar o rosto não é para guardar para o dia seguinte.O inconsciente coletivo guarda memórias e hábitos dificeis de ultrapassar.

beijinho de Portugal

Dan disse...

Oi Silvana,

Sou vidrado em Idade Média, de algumas coisas eu já sabia de outras não. Post muito interessante. Legal mesmo!

Abraços

Andréa Amaral disse...

Amei sua postagem. Sou fã de História Antiga e Medieval. Inclusive as grandes pestes se devem à completa falta de higiene naquela época. Imagine as feiras?

Zoe disse...

Olá Silvana, boa noite, do outro lado do oceano

Gostei muito da origem das expressões populares.
Beijinho
zoe

Luisa Moreira disse...

Olá, Silvana

É deste jeito, que aprendo sempre, que aqui venho.

Beijinho

Luisa

Regina Rozenbaum disse...

Ei Sil!!! Foi só mudar um pouquinho o tema que nós, aqui, ficamos todos ouriçados rsrsrs.Não conhecia o termo do bebê não...tadinhos.... E é isso né moça: reclamamos de barriga cheia!!!!
Beijuuss n.c.
Regina
www.toforatodentro.blogspot.com

Luis disse...

Amiga Silvana,
Não há dúvida que o seu jeito de dizer faz-nos ir aprendendo coisa interessantes.
Realmente a Idade Média pode ser aliciante nos filmes mas eu não gostaria de ter vivido nessa época! Era uma vida dura e "porca" sujeita a muitas doenças!
É bom trazer estes assuntos à nossa memória para percebermos o bem em que vivemos actualmente.
Um beijinho amigo.

M. Lourdes disse...

Silvana
Adorei est post, pois diz respeito a todos nós, às expressões que usamos frequentemente e que foram inspiradas nos nossos antepassados.
Muito interessante.
Beijinhos

Rosemildo Sales Furtado disse...

Mais uma para enriquecer meu arquivo mental. Rsrs.

Bastante instrutivo.

beijos,

Furtado.

Sanzinha disse...

Oi, Silvana!
Tudo bem?
Eu conhecia já essas curiosidades.
Meu Deus, que coisa foi aquela sobre a tal empregada da sua casa? Que horror! E o que aconteceu com ela depois?
Nossa... que história, hein?

Gostei muito do seu blog!
Beijo grande!

Jaime Guimarães disse...

Oi, Silvana!

Realmente, nos filmes a Idade Média tá "limpinha, limpinha"...rs

Mas não era bem assim não. Taí a sua postagem com algumas curiosidades que explicam, em parte, "a peste" que dizimou boa parte da população européia.

Bj! Excelente, viu?

Sônia Silvino disse...

É incrível a nossa capacidade de distorcer... rsrsrsrs
Bjkas!

Isabel José António disse...

Querida Amiga Silvana,

Muito interessante, este seu post. E elucidativo. Parabéns.

E ainda há gente a viver quase dessa forma. É só ver a vida nas favelas ou "nos bairros de lata", como por cá se diz. E são tantos, tantos, os seres humanos que vivem dessa maneira.

É o grande pecado mortal destes tempos, pois para tudo faltar a uns (vidé o caso actual do Haiti)
é porque uma pequena minoria se apropria das riquezas e recursos
do planeta.

Obrigado por partilhar connosco essa informação.

Um abraço

José António

PS.:
Já actualizámos todos os nossos blogues. Se nos quiser visitar, sinta-se convidada...

Elcio Tuiribepi disse...

Oi Silvana, primeiro agradeço a sua presença lá no aniversário do Verseiro...obrigado...
Interessante a sua abordagem nesta postagem sua...
Alguns filmes que mostraram isso defroma bem real e quem nem se passam na idade média foi Carlota Joaquina e De volta para o futuro na parte queeles estão na época do faroeste...numa cena em que a personagem principal vai beber água, nota-se pela cor a sujeira da mesma...rsrs
Gostei...valeu mais uma vez pelas palavras lá...
Um abraço na alma...bjo

mulherpolvo disse...

Menina, que blog bacanaaaaaaa!! Com ex-estudante de História, nem preciso dizer do encantamento que vc me proporcionou. Vou te linkar, e desejo a vc muito sucesso, principalmente com os mais jovens, para que descubram como é gostoso aprender!! Mil beijos!
PS: Adorei a história de São thomé!

Everton Oliveira disse...

Blog riquíssimo de conteúdo. É com grande alegria que descobri este Blog.... pode esperar visita constante de minha parte.

Se quiser visitar o meu blog,também fique a vontade para desfilosofar um pouco.

Alexandre da Fonseca disse...

BOM DIA LINDA! SEU BLOG CADA DIA MELHOR...BJS

*** Cris *** disse...

Silvana, adorei seu texto, não sabia dessas coisas. Que eca,né?
Bjs!

http://primaverilnomuro.blogspot.com/ disse...

Olá, Silvana
Achei muito interessante! Fora às atrocidades cometidas nessa época.
Se usa, dizer que " Deus estava de férias na Idade Média".
Um grande abraço

Silvana disse...

Nossa...hehe..não sei se dá vontade de rir ou chorar...imagina, enterrado vivo?...kkkk...e tomar banho pra se sujar? Amei conhecer a origem dos dizeres populares que sempre uso.
Obrigada pela aula de cultura...rsrs...!
Beijos!
Silvana