terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O TRISTE PÁSSARO-CABEÇA-DE-VENTO.

 
Hoje eu trago para vocês uma lenda de cunho popular, contada pela minha avó materna durante toda a minha infância, porque  todos me achavam uma cabeça-de-vento.

Era uma vez uma índia muito  infeliz no casamento por conta ser ser o seu marido rude,  insensível e incapaz de qualquer ato de carinho. No entanto, o tal marido  fazia juras de amor eterno e parecia feliz por tê-la a seu lado.
Dia após dia essa mulher se sentia cada vez  mais solitária e oprimida, no fundo de seu íntimo sabia que seria quase impossível livrar-se facilmente daquela situação, sobretuto devido aos costumes muito rígidos  de sua aldeia.
Um dia, depois de ter reunido todas as  suas forças, acabou contando o que sentia e a vontade que tinha de ir embora. O marido surpreso com o relato e coragem de sua mulher,tomou um susto. De pronto não concordou, e sentenciou que jamais iria deixar que isso acontecesse.
Uma noite porém, a mulher fez uma descoberta fascinante: depois que o marido pegava no sono, ela podia deixar o corpo na cama - ao lado dele - e sair com a cabeça a voar. Dormindo, ele passaria a mão no seu corpo e sentiria que estava ao seu lado deitada.
Então, todas as noites, a cabeça da índia voava por toda a floresta, conhecendo lugares e pessoas incríveis. E assim foi por um bom tempo:  a cabeça saía para passear sozinha, longe da opressão e do mau humor de seu esposo. Tudo ia mais ou menos bem, até que numa dessas noites a cabeça voou longe demais e não conseguiu encontrar o caminho de volta. Desesperada, a cabeça ficou perdida na floresta, sem saber o rumo de casa.
Ao amanhecer, o marido se deu conta que apenas  o corpo da mulher repousava ao seu lado. Ficou furioso.
Não podia aceitar aquela situação humilhante e como só lhe restava o corpo, resolveu castigá-lo e o surrou até a morte. Não satisfeito, resolveu também esquartejá-lo, queimando os pedaços e jogando as cinzas no rio.
E o que aconteceu com a cabeça ? 
 Muito comovido com a situação, o deus Tupã para não ver aquela cabeça vagando perdida pela floresta, transformou-a no "pássaro-cabeça-de-vento".
E foi assim que este pássaro surgiu na Terra. 
Esta ave  vive por ai e traz consigo um grande ar de tristeza, mas no fundo tem um quê de felicidade... pois é  L I V R E !


Desconheço a autoria da imagem.

29 comentários:

gentil carioca disse...

Nossa, que história mais triste...tristemente bela, mas de partir o coração.
bj

Sandra Botelho disse...

Poxa amiga me fez refletir essa lenda.
Quem de nós não deixa o corpo na cama e viaja por lugares tão distantes e por fantasias tão maravilhosas.
Coitada é tão triste viver em uma gaiola se se tem a alma livre.
Mas mesmo com tão tristes acontecimentos ela conseguiu se tornar livre.
Bjos querida e tenha lindos dias

Vitor Chuva disse...

Olá Silvana!

O texto é muito bonito, e cheio de conteúdo; uma metáfora, diria eu.Da sua mulher, o marido só era dono do corpo; o espírito era livre, só dela. E um dia não teve mais vontade de voltar ,para ficar de novo junto daquele outro corpo, o do homem que a mantinha prisioneira.
No fundo, poderia ser uma história comtemporânea, em que muita mulher se poderia rever ...
Gostei muito; parabéns!
Um abraço.
Vitor

Fabi Paranhos disse...

Nossa! Adorei esse blog!

Já vi que aprenderei muito por aqui!

Abraço

Espaço do João disse...

Muito Bem.
Ao sentar-me um pouco em frente ao PC, abri minha caixa de correio e, encontrei um link que me despertou a curiosidade. Afinal por onde andas João que quase todos os dias te fazem uma visita? Foi com muito gosto que passei uma visão pelo espaço e, deparei-me com alguém que não conheço mas parece-me com bastante sentimento, conhecedor do ser humano e da vida. Gostaria de saber como veio ancorar a este porto de abrigo. Tenho muita família no Brasil, talvêz uns 70%. Também tenho vários contactos atravéz da blogosfera nesse encantador país irmão. Já andei por essas paragens, desde Recife até Foz do Iguaçú. Sou um madeirense errante que só assentou arraiais depois da reforma. Tenho vários portos e aeroports amarados e aterrados no mundo.A vida assim me proporcionou e para aventureiro nada me faltou. Sacrifiquei a família, meus amigos de infância mas estou feliz. Continue a visitar-me pois com o tempo me conhecerá melhor. Que a força do destino nos continue a deslumbrar. Se fosse a postar os links por onde tenho amigos, não caberiam no meu disco rígido. Quando alguém entra no meu espaço obtém sempre resposta, embora não apareça no monitor. Receba um abraço fraterno e, volte sempre que entender.

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Silvana, obrigado pela sua visita....
Tem um belo blog...gostei da lenda...Espectacular....
Beijos

louca esquizoffrenica disse...

Silvana, como sempre a história é muito bela, a ansia de liberdade levou a india a voar pela floresta. Como alguém já disse atrás esta pode muito bem ser uma história actual, cheia de sentido e que incite qualquer ser humano na busca da suas próprias asas.
Obrigado por partilhar estas lendas, fruto da sua história e da sua cultura. Como já disse são belas.
Beijos.

manuel marques disse...

Será que sou da família dela? é que várias pessoas já me disseram, que eu era um cabeça de vento!

Rsrsrsrsr.

Beijo.

Vila das Amigas disse...

oi Silvana,
Um beijo, fique com Deus.

lino disse...

Uma lenda simultaneamente triste e linda. Obrigado pela visita. Voltarei cá com frequência.
Um beijo do lado de cá do mar.

Graça Pereira disse...

Linda história que prendeu a minha atenção do princípio ao fim...Parabens!
Um beijo Graça

Mona Lisa disse...

Olá Silvana

Triste e maravilhoso conto.

Obrigada pela partilha.

Bjs.

Fatima disse...

Muito interessante Sil!
Bjs.

Amapola disse...

A lenda é muito triste... é bela!
Peço-lhe licença para fazer uma brincadeira,talvez de mau gosto.
É que me parece que grande parte dos homens, gostariam que a cabeça das mulheres com quem eles se relacionam intimamente,também fosse passear longe... sempre!
Saudações Florestais!

Luisa Moreira disse...

Lenda muito triste mas tem o seu quê de verdade, Quantas vezes o nosso corpo está presente, mas a nossa cabeça vagueia por aí.

Abraço

Luisa

JPD disse...

No lugar da india teria peido ajuda ao deus Tupã para fazer a cabeça do marido voar por esse mundo fora para que, conhecendo a liberdade, jamais proibisse a mulher de conseguir esse prazer também.

Se ele viesse a perder-se qual seria prejuizo?

Nenhum!

Saudações

Valéria Russo disse...

SIL QUERIDA.....
QUE HISTÓRIA TRISTE , PARECE O RELATO CRUEL DA REALIDADE DE MUITAS MULHERES DO MUNDO..
COM SERIA BOM SE ELAS PUDESSEM VOAR POR AI MESMO QUE SÓ MENTALMENTE..
O CORPO MORRE MAS A ALMA É IMORTAL.
FELIZ DA ARAPONGA ERRANTE QUE É LIVRE E QUE LIVRE VOA(CASTRO ALVES).
QUE ESSE ANO SEJA MARAVILHOSO PRA VC.
BJUIVOS NO SEU CORAÇÃO.
SAUDAÇÕES URBANAS.
LOBA.

M. Nilza disse...

Ahhhhhhhh adorei a história até pq vez ou outra eu sou chamada pela minha mãe de cabeça de vento e agora vou poder contar o pq do nome!!! Amei sua visita - volte sempre
Beijos

linda disse...

História muito triste, mas felizmente acabou em liberdade.
Parabéns
Linda

Ana Heto disse...

Espero que minha cabeça não se perca na floresta...rsss....

Nárriman Alcure disse...

Triste e bela...fantástica!!

alegria de viver disse...

Olá querida
Estou um pouco sumida, mas nunca esqueço dos amigos.
Mais uma lenda para pensar.
Com muito carinho BJS.

Denise Guerra disse...

Olá profª Silvana, venho agradecer sua visita ao meu blog Ecos Da Cultura Popular que está a apenas uma semana na Web, e visitar seu maravilhoso blog. Para vir aqui é preciso calma porque tudo nos prende! Gostei muito desta história e mais ainda da história do Pequi.Salve a senhora Liberdade nos quilombos, nas aldeias e na cidade! Um grande Abraço! Denise Guerra http://ecosdaculturapopular.blogspot.com http://afrocorporeidade.blogspot.com

Jackie Kauffman Florianopolis-SC disse...

Silvana,
Que sensacão maravilhosa quando nossa cabeça voa por ai né? Quantos encontros, quantos desencontros, quanta aventura!!! O importante é não perder o caminho do corpo.. heheheh. Lindo conto

Regina Rozenbaum disse...

Sil
Tem coisa melhor que essa tal "liberdade"... Nada nem ninguém consegue aprisionar um espírito livre!
Beijuuss n.c.
Regina
www.toforatodentro.blogspot.com

Kimbanda disse...

Que nos sobre sempre a liberdade de pensar e divagar, voar nem que seja em pensamento. Esta é uma lenda, ou esta é a realidade contemporânea onde
muita, mas muita gente se pode rever. História cheia de profundo conteúdo, como nos habituou com esse seu jeito sensível.
Kandandus no coração

Cris França disse...

que lindo! bjs

Eva Gonçalves disse...

Mais uma linda lenda. A cultura dos índios,cheias de metáforas, provérbios e licções de vida, é extremamente rica. Bem-haja pela pesquisa e esforço em recuperá-la.
Abraço

Guara disse...

Silvana,
Penso que a liberdade é um bem exclusivo de cada ser humano. Jamais alguém poderá usurpa-lo de nós.
Uma lenda realmente contemporânea.
Fique à vontade para mandar o link de suas postagens para o Blog do Guara. Será um prazer publicá-los.
Um grande abraço.