sexta-feira, 21 de maio de 2010

ANA JANSEN E A SUA CARRUAGEM FANTASMA.


Uma rica comerciante do século XIX transformou-se num fantasma mais famoso do Maranhão:
Em São Luís existiu uma mulher muito poderosa, dona de quase todo patrimônio arquitetônico da cidade e, conseqüentemente, ela tinha uma influência muito grande na política local.
O nome dela era Donana Jansem ou Ana Jansem como era mais conhecida. Ela viveu há mais de 100 anos, mas o povo ainda continua falando dela.
Dizem, que Ana Jansem era uma pessoa muito perversa com os escravos. Quando queria castigá-los, ela os colocava pendurados de cabeça para baixo dentro do poço e os esquecia ali. Nas noites, ouviam-se os gemidos e os gritos dos escravos.
A família de Ana Jansem garante que tudo é intriga da oposição, porque naquela época uma mulher não podia ter o mesmo poder de mando que um homem. Ana Jansem não era letrada, mas era uma mulher mão-de-ferro.
Ela foi uma figura extremamente importante para a época e para o desenvolvimento de São Luís. Por causa desse poder que exercia junto a cidade, Ana Jansem tornou-se uma lenda famosa e apavorante:
Dizem, que por ter se comportado mal em vida, Ana Jansem teve seu castigo após a morte: foi condenada a vagar eternamente pelas ruas da cidade. Nas noites de sexta-feira, lua cheia, aparece uma carruagem conduzida por um negro sem cabeça.
Uma carruagem puxada por mulas sem cabeça jorrando línguas de fogo. Ana Jansem aparece vestida de negro trazendo no pescoço um cordão de ouro com o brasão de sua família. A carruagem percorre toda região da Praia Grande, justamente onde ela morava.
Quem cruza o caminho da carruagem fantasma tem que aceitar uma vela oferecida pela própria Ana Jansem, uma vela que depois se transforma em osso humano.
Quem mora no Maranhão garante escutar a carruagem com suas rodas rangendo durante a noite.

E você, gostaria de cruzar com Ana Jansem no meio da noite?

sábado, 15 de maio de 2010

O REI DA JABUTICABA PRETA.


O homem se sentia o próprio Rei da jabuticaba preta. A que ele vendia, era preta de tinir, mais gordinha do que as outras e super doce. A melhor jabuticaba vendida no Mercado Municipal dos Montes Claros. Indiscutivelmente, a melhor e maior de todo o Norte de Minas. A jabuticaba de Antônio de Maria Rita.
O preço das mesmas e
ra salgado, mas o produto de primeira. Só atendia sob encomenda, feita sempre com uma semana de antecedência.
O pagamento era em moeda corrente e no ato da entrega. Dona Belarmina fizera a encomenda e no sábado fora apanhar o produto, para o deleite de suas netas que vieram da Bahia e, chegando ao mercado só encontrou o espaço demarcado vazio.
Nada do rei da pretinha!
No sábado seguinte, lá estava a Dona Bela, bem cedo, fazendo a sua queixa ao Rei da jabuticaba preta. Este, macio que ele só, contou o incidente que lhe havia privado do fornecimento habitual das jabuticabas aos clientes, no sábado anterior.
O fato se dera disse, quando subiu a serra na sua propriedade, como habitualmente fazia nas sextas-feiras à tardinha, para apanhá-las.
Carregou a lata de 18 quilos, de suculentas jabuticabas, aprontou a rodilha de pano na cabeça, ato contínuo, desceu o morro. Lá vai Antônio com a lata de jabuticabas.
Andando a passadas largas nos seixos miúdos no chão da serra, o barulho das alpargatas, chap... chap...chap!
Já escurecendo; só a luz da lua, de repente ao levantar o pé direito em mais um passo, pasmem! Atravessada na trilha, dormindo profundamente, uma onça pintada. Foi Deus que não a deixou acordar com o barulho até então.
O rei da pretinha ficou parado, a lata foi pesando na sua cabeça, o tempo passando, e ele sem fazer barulho para não acordar a “bicha feroz’.
De repente o pensamento fatal! Ela vai acordar de manhã, com a barriga vazia, vai me ver e, adeus o rei da jabuticaba”.
A lata foi pesando, o pescoço afundando, doendo horrivelmente, o desespero chegando, e aí bateu a intuição! Tirou a lata da cabeça calmamente, encostou-a numa moita de unha de gato ao seu lado direito, tudo lentamente; inclinou a lata aos poucos, e as jabuticabas foram escorrendo pelas ramas sem fazer barulho.
Estando o recipiente vazio, virou-o de boca para baixo... Aproximou do escutador da pintada e, emitindo um grito apavorante, deu uma tapa nos fundos da lata: Paaa!...A fera deu um salto vertiginoso; deu um segundo e um terceiro salto, urrando, e desapareceu bufando em desabalada carreira, só se via galho quebrando! O pau cantou na casa de Noca.

Dona Bela que assistira ao trágico relato ficou patética! Pode entender o atraso na entrega da sua encomenda, e conformou com o preço aumentado recentemente do produto; não era fácil conseguir jabuticabas como aquelas. 
Só mesmo o Rei da jabuticaba preta, o primeiro e único da terra do Figueira.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

AS MANGAS JASMIM DE ITAMARACÁ.

Dona Sancha Coutinho, meia-moça de rara beleza, tinha apenas quinze anos de idade, mas já não faltava quem pretendesse casar com ela. Seu pai, um rico senhor de engenho de nome João Coutinho, por certo teria planos definidos para seu futuro.
Quase vizinho da família, vivia o jovem Saldanha e Albuquerque, que se apaixonou por dona Sancha e pretendia tomá-la como esposa.
Um dia ganhou coragem, dirigiu-se ao engenho do senhor João e pediu para falar com ele a esposa:
- Senhores, o assunto que aqui me traz diz respeito a vossa filha, dona  Sancha. Há muito tempo a admiro; por isso, venho pedir a sua mão em casamento. Desde agora juro amá-la com todo o respeito.
Oh, que desilusão! Os pais da menina rejeitaram o pedido do jovem apaixonado. Porém, o que eles não sabiam é que a dona Sancha também amava Saldanha e Albuquerque e não aceitaria se casar com nenhum outro.
O jovem partiu, muito triste, e a menina moça também ficou desolada. Saldanha e Albuquerque, desgostoso da vida, ingressou no exército e foi combater os holandeses que tentavam tomar as terras brasileiras. Foi valente, foi herói, até que num combate em pernambuco, ficou ferido e quase morreu. Acabou salvando-se, mas não pode mais combater. Foi então que decidiu tornar-se padre, o padre Aires, como passou a se chamar.
Certo dia, em visita à cidade de Olinda, foi até a ilha de Itamaracá.
Ansioso para saber de sua amada, perguntou pela família de João Coutinho. O casal já havia falecido, mas Dª. Sancha jamais se casara e continuava vivendo no mesmo lugar; sempre triste e saudosa.Aproximou-se da casa. Dona Sancha, que naquele mesmo instante passava pela janela, viu-o e logo reconheceu o seu amado. Só que o seu coração não aguentou a emoção e dona Sancha acabou morrendo.
Que grande, que profunda dor do padre Aires ! Então, para que a beleza de sua amada fosse lembrada para sempre, ele plantou uma mangueira em seu túmulo. Quando a árvore deu frutos, eles tinham um aroma e um sabor diferente e delicado...
Foi assim que, deste amor eterno, surgiram as mangas jasmim de Itamaracá.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A MORADA DO NEGRO D'ÁGUA.

Eu ouvi dizer que um tal de Negro D’Água ou Nego D’Água habita diversos rios, tais como o rio Tocantins e o  São Francisco. 
O cara é tão famoso por aquelas bandas, que até  possui um monumento em sua homenagem, feito pelo  escultor juazeirense Ledo Ivo Gomes de Oliveira, obra esta com mais de doze metros de altura e que foi construída dentro do leito do rio São Francisco exatamente na cidade de Juazeiro (Bahia).
Eu que não sou besta, fui  até lá para conferir. 
E não é que é verdade, gente ?
A prova está ai nesta foto que tirei.

Esta é uma lenda bastante comum entre os ribeirinhos, principalmente pelos lados da região centro-oeste do Brasil, muito difundida entre os pescadores, dos quais muitos dizem já ter o visto.
Segundo a lenda, Negro D’Água, costuma aparecer para pescadores e outras pessoas que estão em algum rio.

Não se há evidências de como surgiu esta lenda, o que se sabe é que o Negro D’água só habita os rios e raramente sai deles.
Sua função seria o de preservar os seus leitos daqueles que procuram as suas riquezas e também daqueles que não preservam a sua santa morada, amedrontando as pessoas que por ali passam, como partindo anzóis de pesca, furando redes, provocando enchentes, derrubando embarcações ou  dando sustos em pessoas.
A punição varia, dependendo daquilo que a pessoa estiver fazendo.

Manifestando-se com suas gargalhadas, preto, careca e mãos e pés de pato, não  é que o talzinho derruba mesmo canoa dos pescadores  se eles se lhe recusarem devolver os peixes?
Sua característica é muito peculiar, ele seria a fusão de homem negro alto e forte, com um anfíbio. Apresenta nadadeiras como de um anfíbio, corpo coberto de escamas mistas com pele. Um horror de se ver.

Em alguns locais do Brasil, ainda existem pescadores que, ao sair para pescar, levam uma garrafa de cachaça e  atiram para dentro do rio, para que não tenham sua embarcação virada.
Só que isso só deixa o Negro D'água mais furioso, porque ele não gosta que polua a sua moradia.

E  se você  tem por hábito não respeitar a morada de Negro D'Água, muito  cuidado.

Parece que ele não está de brincadeira.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A ONÇA DO CANADÁ.

Hoje é dia de onça
Hoje tem lua cheia
Sai da beira do caminho
Que o perigo rodeia.
Nunca ande sozinho
Na mata que o rodeia.

Essa é uma história muito antiga. Na noite de lua cheia, a onça do Canadá assombra muita gente.
O Canadá é uma localidade próxima dos arredores de Pindaré-Mirim, lá no Maranhão. Quem passasse pela localidade do Canadá e não se benzesse três vezes e rezasse três ave-marias, podia contar que seria atacado pela onça do Canadá.
Numa daquelas noites de lua cheia, uma moça que estava grávida, começou a sentir as dores do parto. Era sexta-feira, a lua estava cheia. O marido, coitado, não teve escolha. Para chegar até a cidade, tinha de passar pela mata fechada onde a onça costumava ficar escondida.
O coitado para não ir sozinho, foi busca o compadre da direita e o compadre da esquerda e como ninguém era besta, cada um levou se facão para se proteger. O outro mais medroso, disse:
- E agora, compadre, e a onça? Vamos encarar a danada?
O outro mais valentão respondeu:
- Usei! Somos três. A gente dá conta do recado.
E lá se foram os três, até que no coração da mata ouviram o som estridente da onça. Ao ouvirem o segundo grito, a onça saltou da moita. Cada um pegou seu facão e partiram para cima da danada. Encurralada, a onça tratou logo de fugir dos três mosqueteiros, mas não escapou de ficar toda retalhada.
O mais surpreendente foi no dia seguinte quando descobriram que uma velha feiticeira, que morava nas proximidades do Canadá, tinha aparecido morta na porta da sua casa, toda cortada e ensangüentada.
Chegou-se a conclusão, então, que a onça do Canadá era esta feiticeira que, nas noites de lua cheia, se transformava no tão temido e famigerado animal que mete muito medo até hoje.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

ERA UMA VEZ...

Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:

- Eu, hein?... nem morta!


- Luís Fernando Veríssimo -

domingo, 18 de abril de 2010

O SOM MELODIOSO DE UAKTI.


 Uma antiga lenda nos conta que há muitos anos  existiu na Terra um ser mágico chamado Uakti. Por ser mágico, o seu corpo era repleto de buracos que, ao serem penetrados pelo vento, produziam sons  harmônicos, de grandiosa beleza. Esses sons melodiosos encantavam as mulheres da aldeia dos índios Tucanos, as quais por Uakti rapidamente se apaixonavam.
Despeitados e com ciúmes de Uakti, os homens da aldeia  se uniram para matá-lo. A violência foi tão grande, que do seu corpo só restou alguns pedaços, rapidamente enterrados próximo da aldeia.
 Só que para surpresa dos Tucanos, primaveras mais tarde, exatamente naquele local onde esse ser mágico fora brutalmente assassinado e enterrado,  brotaram plantas cilíndricas e longas, curiosamente ocas: nascia ali um bambuzal. E quando o vento soprava entre os bambus, produzia o mesmo som encantador de Uakti.
 Foi então, que os homens da aldeia se deram conta que poderiam produzir instrumentos para seduzirem as mulheres.
Dessa forma,  passaram a fazer flautas de bambu para encantar suas amadas com a beleza do som do instrumento.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A HISTÓRIA DO CAFÉ.

Aceita um cafezinho ?

Hoje é o dia Internacional do Café, alguém sabe como começou essa história?

Não há evidências reais sobre a descoberta do café, mas existem algumas lendas que relatam sua possível origem.

Uma das mais aceitas e divulgadas é a do pastor Kaldi, que viveu na Absínia, hoje Etiópia, há cerca de mil anos. Ela conta que Kaldi, observando suas cabras, notou que elas ficavam alegres e saltitantes, e que esta energia extra se evidenciava sempre que mastigavam os frutos de coloração amarelo-avermelhada dos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio.

O pastor notou que as frutas eram fonte de alegria e motivação e, somente com a ajuda delas, o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.

Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais a um monge da região, que decidiu experimentar o poder dos frutos. O monge apanhou um pouco das frutinhas e levou consigo até o monastério.
Ele começou a utilizá-los na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava, ou em suas longas horas de leitura do breviário.
Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida. As evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yemen.

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Em 1727 o sargento-mor Francisco de Melo Palheta, a pedido do governador do Estado do Grão-Pará, lançou-se numa missão para conseguir mudas de café, produto que já tinha grande valor comercial.
Para isso, fez uma viagem à Guiana Francesa, e lá se aproximou da esposa do governador da capital Caiena. Conquistada sua confiança, conseguiu dela uma muda de café-arábico, que foi trazida clandestinamente para o Brasil.

Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de café se espalhou rapidamente, com produção voltada para o mercado doméstico. Em sua trajetória pelo Brasil o café passou pelo Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Num espaço de tempo relativamente curto, o café passou de uma posição relativamente secundária para a de produto-base da economia brasileira.
Desenvolveu-se com total independência, ou seja, apenas com recursos nacionais, sendo, afinal, a primeira realização exclusivamente brasileira que visou a produção de riquezas.
Verdade ou não, foi desse jeito que eu ouvi dizer.
 
Nossa! Esse Francisco Palheta não era fraco (rs).


terça-feira, 13 de abril de 2010

DIA INTERNACIONAL DO BEIJO

O dia internacional do beijo foi criado por causa de um  italiano chamado  Enrique Porchelo que  beijava todas as mulheres que via pela frente, nem mesmo as casadas escapavam. 
Incomodado com o  fato, um padre francês  que morava na mesma vila do tal beijoqueiro, propôs pagar um prêmio milionário em moedas de ouro, para as únicas mulheres que conseguissem escapar do ataque do tal cidadão.
Vira daqui, remexe dali e nada. Todos os anos era a mesma coisa, não aparecia ninguém para receber o prêmio. 
Por causa disso, a quantia acabava sendo guardada e acumulada com a  do ano seguinte. E o saco só ia crescendo.
A população conta que nunca mulher alguma resgatou as tais moedas de ouro, já que o italiano Enrique Porchelo não dava mole e beijava todas. Acho até que elas gostavam.
Bem, o padre morreu frustrado, sem conseguir pagar o prêmio.
Conta a lenta  que as tais moedas de ouro ainda se encontram muito bem  escondidas, em algum lugar da vila italiana, só o padre sabia o esconderijo. Um saco cheio!
Por causa desse episódio, as pessoas passaram a comemorar o dia 13 de abril como o dia internacional do beijo.

 Essa história me fez lembrar um tal beijoqueiro português chamado José de Moura, taxista e morador do Rio de Janeiro, que beijava todos que encontrava pela frente, até o Papa e o Frank Sinatra não escaparam. 
Ô cara para gostar de beijar !
Quem é clássica como eu, lembra bem.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O REI E O VASSALO.

A nossa vida é um texto
Que deve ser pontuado
De maneira cuidadosa
Porque um sinal errado
Por mais ingênuo que seja
Muda um significado.

Era uma vez, um rei. 
 Num certo dia, um de seus vassalos foi condenado à morte.
Todos os recursos
já haviam sido usados em sua defesa, mas, enfim, era chegado o triste momento.
O carrasco
seguia com ele em direção à forca.
O rei, disse:
- Um momento ! Vou dar-lhe a última chance, meu rapaz ! Uma vírgula, no lugar certo, poderá salvá-lo.
E escreveu a seguinte frase:

"Se a Lei condena eu não posso livrá-lo".

E aí? 
Se fosse você,onde colocaria a vírgula para salvar o vassalo?

(Desconheço a autoria da foto publicada acima)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A PEDRA DO PICO E A ALAMOA.

Eu ouvi dizer que lá pelas bandas de Fernando de Norinha, os antigos detentos do presídio da ilha  contavam que nas vésperas de tempestades, quase sempre à meia-noite, aparecia na praia uma mulher lindíssima, muito alta, com longos cabelos louros e completamente nua, dançando ao som do bater das ondas, iluminada pelos relâmpagos. Seus pés pareciam não tocar no chão e sim flutuar na areia. 
Era a alamoa, feminino de alamão (alemão), pois conforme a interpretação popular, mulher loura naquelas paragens só poderia ser alemã.
Aqueles que sucumbem a seus encantos vêem-na se transformar em um esqueleto. Para alguns, é uma alma penada, à procura de um homem forte que a ajude a desenterrar um tesouro escondido.
A pedra do Pico é a sua morada. Em noites de lua cheia, a pedra se fende, abrindo-se uma porta, por onde sai uma luz. 
A bela alamoa baila atraindo sua vítima. Aqueles que entram em sua morada, logo constatam com horror a terrível transformação. 
Seus belos e brilhantes olhos transformam-se em dois buracos e ela vira uma caveira horripilante. 
Então, a fenda se fecha e o pobre homem nunca mais é visto.
Seus gritos de pavor, no entanto, ainda ressoam no local durante muitos dias.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

UMA RECEITA DE FAMÍLIA.

Mais que ensinar a fazer pratos, os cadernos de culinária contam um pouco da história de cada um, afinal trocar receitas também é um ato de contar histórias.
Ao contrário do que se pensa, os primeiros livros de receitas não surgiram em decorrência dos cadernos. Os livros vieram antes. O primeiro de que se tem notícia chama-se "Auspicius Culinaris". 
Surgiu ainda na Idade Média e compreendia um conjunto de receitas reunidas por Auspicius, um festeiro e gourmet dos arredores de Roma, na Itália. 
Mas o livro de receitas tal qual o conhecemos, com ingredientes, quantidades, modos de fazer e ilustrações, foi uma invenção de chefes de cozinha das cortes reais européias, cuja preocupação era conservar as normas de fazer dos manjares, para que futuros chefes de cozinha seguissem o ritmo impecável dos sabores consagrados pelas cortes.
No Brasil, os primeiros livros de receitas vieram parar aqui com a chegada da família real, em 1808, que trouxeram ainda utensílios e alguns ingredientes de cozinha. Aos poucos, a cultura européia da cozinha foi sendo adaptada às condições tropicais da nossa terra. Com o passar do tempo, os portugueses começaram a ensaiar combinações corajosas na culinária e foram adaptando ao seu sabor, ingredientes brasileiros. Na falta de trigo, tentaram usar a mandioca; no lugar da castanha portuguesa, incluíram a castanha de caju. 
Apenas a partir do fim do século XIX, surgem no Brasil os primeiros cadernos de receitas propriamente ditos. Foi quando as mulheres passaram a ser alfabetizadas. As receitas, antes uma tradição oral, começaram então a ser anotadas. Tudo obra de avós ou mães que, ao arrumar o enxoval das filhas ou netas prestes a sair de casa, incluíam como item essencial um caderno repleto de receitas. Eles representam um legado daquilo que foi apreendido pelo gosto da família.  A tal ponto de surgirem iguarias com nomes de famílias, algumas tão antigas quanto os clãs que lhes deram origem.
Algumas famílias guardavam a sete chaves a receita de pratos tradicionais, que às vezes levavam o sobrenome de quem os criou. É o caso do "bolo Souza Leão", por exemplo, cuja fórmula foi guardada em segredo pela família homônima, de Pernambuco, por muito tempo. Sua receita - basicamente mandioca, ovos e muito açúcar - soa como um eco do passado, dos tempos em que, nas casas grandes dos engenhos de cana no Nordeste, sinhazinhas e mucamas iam preparar o doce colocando na mesma panela receitas portuguesas misturadas aos produtos da terra, como o coco e a mandioca. 
Em seu livro "Nordeste", o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre diz que essa e outras receitas demoraram a ser popularizadas. "Não só pela sua natureza complexa como pelo ciúme de sinhás donas ilustres que conservam as receitas dos velhos bolos como jóias de família", escreveu Freyre. 
Com o passar dos anos, e em conseqüência do troca-troca de receitas entre famílias e amigas, elas ganharam as páginas dos jornais e revistas e viraram inclusive livros. O segredo do "Souza Leão" passou a ser, definitivamente, conhecido pelo Brasil inteiro no clássico "Açúcar - Uma Sociologia do Doce", escrito por Freyre e publicado pela primeira vez em 1939. 
O popular livro de receitas brasileiro "Dona Benta", foi publicado pela primeira vez em 1940 e chegou, ano passado, a sua 76ª edição. Trata-se de uma das publicações de cozinha mais vendidas no Brasil, com cerca de mil receitas atualizadas e coletadas junto às famílias tradicionais brasileiras.
Sim, cadernos de receitas representam a memória culinária de nossas famílias, seus traços afetivos. São ferramentas para se observar a vida cotidiana do nosso passado e presente. Isso já faz dos escritos culinários, por si só, narrativas preciosas. Um patrimônio. Escritas que nos permitem olhar a comida antes de ela existir e acariciar a idéia de saboreá-la.
Mas, vale dizer, a receita de um prato jamais será uma fórmula exata para se chegar ao mesmo resultado sempre. Porque na culinária, como na vida, conta muito o que não pode ser expresso em palavras: a experiência de quem cozinha, a intuição usada na hora do saber fazer, os pequenos segredos. "Quinhentos gramas de farinha ,menos duas colheres. Depois, esticar a massa até ela ficar da grossura de um papelão", dizia minha avó, se referindo ao seu truque para que a massa do bolo-de-rolo jamais quebre em suas mãos. 
Ah... só que isso não está na receita, não.

(Por  Mariana Lacerda)


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Bem, como estamos tricotando sobre cadernos de receita, nada mais justo do que passar uma das minhas preferidas. Eu sou fã de bolos.
Esta receita  é de minha vozinha, uma doceira de mão cheia. Infelizmente ela já não se encontra entre nós desde 1985, mas o sabor de seus quitutes permanecem vivos nas nossas mesas até hoje, graça aos tais caderninhos de receitas.

BOLO DE MANDIOCA DA VÓ MARIA.

. 1 xícara (chá) de açúcar.
. 1 lata de leite condensado.
. 5 ovos inteiros.
. 4 e ½ colheres (sopa) de margarina.
. 1 e ½ xícara (chá) de leite.
. 4 e ½ xícaras (chá)  de mandioca crua ralada em tiras (500g).
. 1 e ½ colher (sopa) de fermento em pó químico.
. 4 e ½ colheres (sopa) de queijo ralado.
. 100 g de coco em flocos úmido..

Modo de preparo:

Bata no liquidificador os ovos, o leite condensado, o açúcar e a margarina.
Transfira para uma tigela e misture os demais ingredientes.
Acrescente sobre eles o líquido batido.
Mexa bem e despeje a mistura em uma forma untada.
Asse em forno pré-aquecidode 200ºC.

Agora só falta um cafezinho, hehehe.

Desconheço a autoria da foto publicada acima

quinta-feira, 1 de abril de 2010

MENTIRA TEM PERNA CURTA.

O costume de contar mentiras no dia 1º de abril, teve sua origem na França. Pois é, os franceses mentem há muito mais tempo que nós.
Desde o começo do século XVI  na França, o início do ano era comemorado em 25 de março, data que marcava o início da primavera. As comemorações se estendiam por uma semana, até dia  1º de abril, onde efetivamente,  dava-se início ao novo ano.
Mas, em 1564 o rei francês Carlos IX, num de seus rompantes, baixou um decreto adotando o calendário gregoriano, e o ano novo passou a ser festejado em 1º de janeiro.
Com a dificuldade de comunicação -  não existia rádio e nem televisão -, essa mudança causou uma tremenda confusão. Claro que as pessoas não gostaram da idéia e continuaram a considerar o 1º de abril como o primeiro dia do ano, mandando convites para festas, votos de felicidades uns para os outros .
Diante do fato consumado, a população passou então, a ridicularizar Carlos IX  enviando  presentes esquisitos, cartas e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como "plaisanteries". 
O costume se espalhou pelo mundo todo e, com o tempo, foram surgindo novas brincadeiras. Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como "April Fool’s Day" ou "Dia dos Tolos";  na Itália é chamado de  "pesce d’aprile", o que significa literalmente “peixe de abril”.
No Brasil, o "Dia da Mentira" ou "Dia dos Bobos" começou a ser difundido em Pernambuco, onde circulou “A Mentira”, um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. 
“A Mentira” saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.
Tudo faz crer que as brincadeiras, originárias das "plaisanteris" francesas, continuarão sempre a existir, graças a eternidade das manifestações culturais no mundo inteiro.

Isso tudo é muito divertido, mas é importante lembrar que só é divertido falar mentiras somente no dia 1º de abril,  desde que depois a verdade seja revelada.

E você, já preparou a sua pegadinha para hoje ?

domingo, 28 de março de 2010

ALGUÉM AQUI É SUPERSTICIOSO ?

Do latim. superstitione. 
O Dicionário Aurélio define superstição da seguinte maneira:

1. Sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes; crendice.

2. Crença em presságios tirados de fatos puramente fortuitos.
3. Apego exagerado e/ou infundado a qualquer coisa

Quem é que nunca entrou em um casa nova com o pé direito ou não bateu na madeira para isolar o azar? Algumas supertições já fazem parte do dia-a-dia das pessoas.
É comum ouvir que nós, brasileiros, somos um povo muito supersticioso, talvez seja por sermos um povo mestiço: a cultura indígena com o espiritismo africano, misturado a práticas supersticiosas católicas, moldaram esses 500 anos de crendices brasileiras.
Você sabe o que isso significa? 
Uma pessoa supersticiosa possui apego infundado a qualquer coisa que lhe dizem, crê em fatos sem fundamento real, segue conselhos que nascem da crendice popular. É algo que passa de avós para netos, entre amigos, de geração a geração, é a chamada história oral.
Portanto, a explicação para isso se encontra dentro da psiqué de cada um de nós, das nossas experiências de vida.
Se algum dia alguma pessoa fez algo que deu certo e ela começa a atribuir isso à sorte: é o técnico de futebol que usa sempre a mesma camisa em jogos decisivos; é aquela pessoa que sempre usa a mesma caneta para fazer uma prova ou ainda aquele outro cidadão que sai com uma mesma medalhinha que lhe serve de talismã na hora de viajar - ela passa a atribuir ao amuleto a certeza de que aquilo está funcionando e isso funciona psicologicamente muito bem.
Vejamos abaixo algumas superstições bastante conhecidas e avalie você mesmo o quanto é supersticioso ou não.

 . Cruzar com gato preto na rua dá azar.
. Jogar sabão para Santa Clara faz parar de chover.
. Chinelo ou sapato com a sola virada para cima, o pai ou a mãe podem morrer.
. Sol com chuva, casamento de viúva.
. Quem não fica feliz por achar um trevo de quatro folhas? Opa, é sorte garantida para todo o dia.
. É sempre bom ter uma pimenteira dentro de casa, evita o mal olhado.
. Apontar estrela com o dedo faz nascer verruga.
. Mulher que tem o segundo dedo do pé maior que o primeiro, manda no marido.
. Cortar cabelo na sexta-feira Santa
não cresce mais.
 . A maneira mais eficiente de encontrar algo que desapareceu é dar três pulinhos para São Longuinho.
. Para dispensar uma visita chata, é só deixar uma vassoura de cabeça para baixo atrás da porta. 
 .Crianças que montarem em vassouras serão infelizes. 
 . Varrer a casa à noite expulsa a tranqüilidade
. Sexta-feira 13 é dia de azar e do lobisomem.
. Agosto é mês do desgosto .
. Assobiar à noite chama cobra.
. Se você colocar a meia do avesso, não se preocupe: sinal de que uma boa notícia está para chegar. 
. Comer manga com leite faz mal.
. Jogar sal no fogo espanta o azar.
 . Se sua orelha esquentar de repente, é porque alguém está falando mal de você. Nesse caso, vá dizendo o nome dos suspeitos até a orelha parar de arder. Para aumentar a eficiência do contra-ataque, morda o dedo mínimo da mão esquerda: o sujeito irá morder a própria língua.
. A pessoa que é pulada não cresce mais.
. O número 7 é o número da mentira.
 . Dentro de casa, o guarda-chuva deve ficar sempre fechadinho. Segundo uma tradição, abri-lo dentro de casa traz infortúnios e problemas aos familiares.

. Quem passa debaixo do arco-íris vira de sexo.
 . Aranhas, grilos e lagartixas representam boa sorte para o lar. Matar uma aranha pode causar infelicidade no amor.

Quem come banana à noite, passa mal.
 . Deixar um copo de vidro cheio de sal grosso no canto da sala, traz sorte.
 . Se tivermos um gato e formos mudar de casa, é bom passar manteiga em suas patinhas, para que ele não volte para a casa antiga.
 . Ver uma borboleta amarela voando, traz sorte para o dia.
. Três velas ou três lâmpadas acesas em um mesmo quarto podem ser prenúncio de morte. . Acender três cigarros com um mesmo palito de fósforo também significa perigo. 
. Quem canta na quaresma vira mula - de - padre.
 .Na hora de acordar, abra os dois olhos ao mesmo tempo para ver tudo com clareza e não ser enganado por ninguém. Ao levantar, procure dar o primeiro passo com o pé direito para atrair boa sorte e felicidade. 
 .  Faça um desejo ao cortar a primeira fatia de seu bolo de aniversário. 
Ponha um caroço de melancia na testa e, antes que ele caia, faça um desejo. Jogue uma moeda numa fonte. Só faça um desejo quando a água parar de se movimentar e você enxergar o seu reflexo. Os gregos atiravam moedas em seus poços para que estes nunca secassem. 
. É bom fazer um desejo ao usar um sapato novo pela primeira vez. 
  . Devemos sair de casa e entrar em qualquer lugar, sempre com o pé direito, para evitar o azar.
 . Sua mão esquerda está coçando? Então, prepare-se para receber um bom dinheiro extra. Se por acaso a mão que estiver coçando for a direita, tome cuidado: é provável que perca uma grande quantia. 
 . Coceira na sola do pé significa viagem ao exterior. 
 . Ter um elefante de enfeite  sobre um móvel qualquer, sempre com a tromba erguida mas de costas para a porta de entrada, evita a falta de dinheiro. 
 . Uma figura que garante carteira cheia é o Buda. Ele deve ficar em cima da geladeira, sobre um prato cheio de moedas.
 . Viu uma estrela cadente? Faça um pedido rápido, porque, segundo a crença, é garantia de que ele vai se realizar.
 . Quem comer muito à noite tem pesadelos.
. Passar debaixo da escada é má sorte.
. Quebrar um espelho, dá sete anos de azar.
. Colocar bolsa no chão faz o dinheiro acabar.
 Existem algumas crenças para tentar adivinhar: pedir a futura mamãe que mostre a mão uma delas. Se ela estender com a palma para baixo, será menino. Se a palma estiver para cima, nascerá uma menina. Isso sem contar com a linguagem do ventre: se for pontudo e saliente, sinal de que um menino está para chegar. Arredondado e crescendo para os lados? Menina à vista.
São tantas, cada uma mais curiosa do que a outra. Uma delas é a tradição de jogar arroz nos noivos. Ela teria começado na China há 2.000 anos. O arroz, na cultura chinesa, significa fartura. Por isso, se o casal se casa com uma chuva de arroz, ele nunca vai passar necessidades. Isso nasceu de um chinês muito rico na época que resolveu fazer o casamento da filha debaixo de uma chuva de arroz e as pessoas passaram a fazer igual.

 Ufa ! Cansei.
São tantas, difícil de lembrar.
Se você conhece alguma, então aumente a lista.

Eu confesso que a história  do chinelo virado me acompanha até os dias de hoje.
Mas quem não tem medo de perder os seus pais ?

Fonte: O Guia dos Curiosos.
(Desconheço a autoria das fotos publicadas acima)

quinta-feira, 25 de março de 2010

O HOMEM QUE BOTAVA OVO !?

Quem tiver o seu segredo,
Não conte a mulher casada,
Esta conta ao seu marido,
O marido aos camaradas...


Em algum lugar lá pelo interior desse Brasil, um marido tinha uma mulher que gabava-se em saber guardar segredo. Vivia dizendo que as outras eram saco rasgado e ninguém podia confiar senão no juízo dela.
Tanto se gabou e se gabou que o marido pensou em fazer uma experiência para ver se a mulher era mesmo segura de língua.
Uma noite, voltando tarde para casa, o homem trouxe um grande ovo de pata, que é muito maior do que os da galinha, e deitou-se na cama. Lá para as tantas da madrugada, acordou a mulher, todo assustado e, pedindo que ela guardasse todo segredo, contou que acabara de pôr um ovo!
A mulher só faltou morrer de admiração, mas o marido mostrou o ovo e ela acreditou, jurando que nem ao padre confessor havia de dizer o que soubera.
Ora muito bem. Pela manhã, assim que o marido saiu para o trabalho a mulher correu para a vizinha e, pedindo segredo de amiga, contou que o marido pusera um ovo na cama e estava todo aborrecido com essa desgraça.
A vizinha prometeu que ninguém saberia, mas passou o dia contando o caso, ao marido, aos vizinhos, aos conhecidos, sempre pedindo segredo.
E, como quem conta um conto aumenta um ponto, toda vez que a história passava adiante o ovo ia mudando de número. Primeiro era um, depois dois, deppois três... e ao anoitecer o homem já pusera meio cento de ovos.
Voltando para casa, o marido encontrou-se com um amigo e este lhe disse que havia novidade naquela rua.
- Qual a novidade ?
- Não soube ? Uma coisa bem esquisita! Imagine que um morador nesta rua pôs, penso eu, quase um cento de ovos, seu mano ! Diz que está muito doente e que cada ovo tem duas gemas. É mesmo o fim do mundo.
O marido não quis saber quem estava de vigia. Entrou em casa, chamou a mulher, agarrou uma bengala e passou-lhe a lenha com vontade, dando uma surra de preceito, que a deixou de cama, toda moída e com panos de água e sal.
Depois o homem saiu contando como o caso começara e a mulher ficou desmoralizada.

E você,  acaso sabe guardar segredo ?

quarta-feira, 24 de março de 2010

O FASCÍNIO IRRESISTÍVEL DA MULHER: IARA.

Quantas Yaras - com I ou com Y- não existem por aí que sequer sabem a história que se esconde sob seu nome ? Em Tupi, Yara significa a "mãe das águas". Sua estória está ligada ao fascínio próprio da mulher.
A Iara é uma dos mitos mais conhecidos da região amazônica. É uma linda mulher morena, de cabelos negros e olhos castanhos.
Exerce grande fascínio nos homens, pois aqueles que a vêem banhar-se nos rios, não conseguem resistir aos seus encantos e se atiram nas águas. Os que assim o fazem, nem sempre voltam vivos. Os que por um milagre sobrevivem, voltam assombrados falando em castelos e cortes de encantados. É preciso muita reza e pajelança para tirá-lo do encantamento.
Alguns descrevem Iara como tendo uma cintilante estrela na testa, que funciona como chamariz que atrai e hipnotiza os homens.
Acredita-se também que ela tem forma de peixe na parte inferior, outros dizem que é apenas um vestido, ou uma espécie de saia, que ela veste por vaidade e para dar a ilusão de ser metade mulher, metade peixe. Em certos locais, dizem que Iara é um boto-fêmea.
Ela também encanta os homens só para levá-os para o fundo do rio. Em outros lugares dizem ser a própria cobra-grande.
Bem, se é mentira ou verdade, esta foto foi tirada por mim quando passeava de barco pelo rio Amazonas.

Eu juro que ela estava lá.

segunda-feira, 22 de março de 2010

DIA MUNDIAL DA ÁGUA.


A simbologia da água, nas antigas culturas, acha-se ligado à fecundidade.
Na tradição judaico-cristâ a água simboliza, em primeiro lugar, a origem da criação: quando havia o caos, o Espírito de Deus flutuava pelas águas. Portanto, "o seu destino é preceder a criação". A água é mãe e matriz, por conseguinte ela é um símbolo materno uma vez que nos liga ao nascimento.
Elemento indispensável para a vida dos homens, dos animais e das plantas, é usada como meio de limpeza física e na purificação cultural; é a fonte de regeneração e de renovação.
A água também tem um simbolismo duplo: é a fonte de vida e a fonte de morte, é criadora e é destruidora. Quando agitadas significam "o mal e a desordem"; quando calmas "a paz e a ordem". Essa dualidade é revelada nas águas de rios que podem ser  "correntes benéficas ou dar abrigo aos monstros".
Nelas, portanto, podem habitar os peixes ( símbolos do elemento água e, entre outros, do alimento eucarístico) como podem habitar monstros e outros seres fabulosos, criaturas imaginárias à semelhança do homem ou antropomórficas e/ou zoomórficas. Pode-se dizer que esses seres, embora acintosos para os homens, agem de modo positivo para com o ambiente aquático.
Para a população ribeirinha, "as águas têm um falar" que só eles decodificam porque possuem olhos e ouvidos "simbólicos" e, de todas as ligações que tiram de suas águas, eles atribuem não só à Iara, à Mãe D'Água, ao Caboclo D'Água, ao Negro D'Água, ao Minhocão, mas, também, a espíritos de índios, antigos habitantes do lugar e ancestrais de alguns moradores de hoje que, acreditam eles, permanecem nas suas margens protegendo o rio.
E enquanto ai permanecerem e atuantes, as águas continuarão a fluir limpas e claras, cheias de vida.

Fonte:
http://jano.nide.com.br/index.php/uniciencias/article/viewFile/

(Desconheço a autoria da foto publicada acima).

sábado, 20 de março de 2010

DIA DO CONTADOR DE HISTÓRIAS.

“Os pais narrativos serviam-se  de seu poder de dizer coisas significativas a seus filhos, dia após dia, até perceberem que eles estavam deixando de dar  ouvidos.
Era hora de deixá-los falar por si mesmos. 
O amor entre eles continua –
mas seu poder acabou”



-ranqueles- 
(índios sul-americanos dizimados no final do séc. XIX).
...........................................

O NASCIMENTO DO AMOR
- Lenda Kaxinauá -

Há muito tempo...na época dos avós dos nossos avós
Numa aldeia Kaxinawá no ocidente da Amazônia brasileira
O primeiro homem e a primeira mulher ...olharam para o céu.
Olharam...olharam...olharam...e viram...o sol e viram...a lua
Olharam... olharam...olharam e perceberam...o sol e a lua entreolhavam-se.
O primeiro homem e a primeira mulher entreolharam-se...
Com curiosidade...
Era estranho o que tinham entre as pernas...
Olharam-se... olharam-se...olharam-se...
O homem perguntou à mulher... te cortaram?
Não... sempre fui assim,
Respondeu a mulher.Ali havia uma chaga aberta!
Então o homem convidou-a a sentar-se.
Não te preocupes
não te preocupes
não te preocupes
Eu te curarei... eu te curarei...
Não comas mandioca
não comas banana-da-terra
não comas nada que se abra ao amadurecer...
Eu te curarei...
O homem saiu, foi à floresta.
Retornou com umas raízes, uns galhos e uns cipós...
Preparou um unguento e passou no corpo da mulher.
Não te preocupes
não te preocupes
Eu te curarei.
Beijou-a. Saiu. Foi à floresta.
Retornou. Trouxe folhas, ervas e flores.
Preparou um chá e deu para mulher beber...
Repetia. Não te preocupes
            não te preocupes
            eu te curarei
Saiu. Foi à floresta.
Retornou eufórico, saltitando e gritando.
Encontrei! Encontrei!
Acabara de ver um macaco curando a macaca na copa de uma árvore...
Convidou-a para um abraço, dizendo: é assim, é assim...
Abraçou-a fortemente.
Dos corpos entrelaçados exalou um perfume de cipó,
galhos, raízes, folhas, ervas e flores...
Com tal fulgor
Que o sol e a lua
Envergonhados
Esconderam-se...formando o primeiro eclipse...
Mas, o homem e a mulher continuavam abraçados.
É assim... é assim...
Com tal fervor
Que até os deuses
Morreram de vergonha
Mas... o homem e a mulher continuaram.
É assim... é assim...


HOJE É DIA DO CONTADOR DE HISTÓRIAS:

PARABÉNS PARA  NÓS OUTROS !
Afinal, sempre temos uma história para contar. 

(Desconheço a autoria da foto publicada acima).

quarta-feira, 17 de março de 2010

A LENDA DO JOÃO-DE-BARRO.

Contam os índios que, há muito tempo, numa tribo do Sul do Brasil, um jovem se apaixonou por uma moça de grande beleza. 
Melhor dizendo: apaixonaram-se. 
Jaebé, o moço, foi pedi-la em casamento. O pai dela então perguntou:
- Que provas podes dar da tua força para pretenderes a mão da moça mais formosa da tribo? - As provas do meu amor! - respondeu o jovem.
O velho gostou da resposta, mas achou o jovem muito atrevido. Então disse:
- O último pretendente de minha filha falou que ficaria cinco dias em jejum e morreu no quarto dia.
- Eu digo que ficarei nove dias em jejum e não morrerei. Toda a tribo se espantou com a coragem do jovem apaixonado. O velho ordenou que se desse início à prova. Enrolaram o rapaz num pesado couro de anta e ficaram, dia e noite, vigiando para que ele não saísse nem fosse alimentado.
A jovem apaixonada chorou e implorou à deusa Lua que o mantivesse vivo, para ser o seu amor.
O tempo foi passando, passando ... e certa manhã, a filha pediu ao pai:
- Já se passaram cinco dias. Não o deixe morrer! O velho respondeu:
- Ele é arrogante. Falou nas forças do amor. Vamos ver o que acontece.
E esperou até a última hora do novo dia e então ordenou:

- Vamos ver o que resta do arrogante Jaebé.
Quando abriram o couro da anta, Jaebé saltou ligeiro. Seus olhos brilhavam e seu sorriso tinha uma luz mágica. Sua pele estava limpa e cheirava a perfume de amêndoa. Na aldeia todos se espantaram, e ficaram mais estupefatos ainda quando o jovem, ao ver a sua amada, pôs-se a cantar como um pássaro, enquanto o seu corpo, aos poucos, ia se transformando em um corpo de pássaro. E exatamente naquele momento os raios do luar tocaram a jovem apaixonada, que também se viu transformada em pássaro.
Então, ela saiu voando atrás de Jaebé, que a chamava para a floresta, onde desapareceram para sempre. Contam os índios que foi assim que nasceu o pássaro joão-de-barro. A prova do grande amor que uniu esses dois jovens está no cuidado com que constroem a sua casa e protegem os seus filhotes. 
  E os homens amam o João-de-barro, porque lembram da força de Jaebé: uma força que vinha do amor e foi maior que a morte!

(Fonte: Ayala, Walmir. Moça Lua e outras lendas. Ediouro Publicações S.A.).

segunda-feira, 15 de março de 2010

E FOI ASSIM QUE AS ESTRELAS SURGIRAM.

Era um tempo de grande seca para as tribos. Não havia alimento sobrando. As índias reunidas saíram em busca de comida para os maridos e os filhos.
Procuraram por todo o lugar e nada. Não viam caça, nem fruto, nem nada para comer.
No dia seguinte resolveram levar junto um grupo de curumins, quem sabe não dariam sorte?
E deu certo.
Logo acharam um grande milharal em que as espigas não haviam sido atingidas totalmente pela seca. Ali, puderam encher os cestos com espigas amarelinhas.
As crianças também ajudaram na colheita do  milho, mas a fome era grande e logo, sem que as mães percebessem,voltaram para tribo carregando uma boa parte das espigas colhidas.
Chegando na aldeia, pediram logo para a avó fazer um bolo. Ela fez e não demoraram a devorar tudinho, sem deixar qualquer pedaço  para a velha, que também estava há dias sem qualquer refeição. Só restaram mesmo algumas migalhas que os pássaros, também famintos, devoraram num piscar de olhos.
Quando terminaram a farra e de barriga cheia, ficaram envergonhados com a atitude egoísta que tiveram. Como podiam ter comido tudo sozinhos quando todos ainda estavam com fome?
Com medo do castigo que lhes seriam imposto, as crianças trataram logo de  fugir. Pediram para o colibri que amarrasse no céu o maior cipó que encontrasse, e por ele começaram a subir.
Quando notaram o sumiço dos curumins, as índias ficaram preocupadas e voltaram correndo para a aldeia. Ao chegarem, viram os curumins subindo o cipó.
Assustadas, elas começaram a subir também os cipós para salvá-los, mas eles estavam cada vez mais alto.
Como o cipó não era lá era lá muito forte, acabou rompendo com o peso, e as índias caíram no chão, transformando-se em onças. Os curumins, que já estavam no céu, não conseguiram mais voltar.
Assim, durante a noite, quem olhasse para o céu ainda podia ver os pontinhos brilhantes dos olhinhos dos curumins, transformados em grandes estrelas.

domingo, 14 de março de 2010

ANHANGÁ, O PROTETOR DA CAÇA.

Anhangá é um espírito que vaga pela mata como um fantasma ou assombração. Sua presença pode ser detectada por um assobio e depois disso, o animal que estava sendo caçado, desaparece como por um encanto.
Esse ser encantado e morador das florestas, pode assumir  a forma de diferentes animais mas, segundo os moradores da região amazônica, uma delas parece ser a mais preferida: a do cervo garboso com os olhos de fogo e uma cruz na testa ou um grande veado branco que desvia o caçador de seu objetivo. Anhangá além de enganar os caçadores desviando o tiro de sua arma, provoca febre e visões em quem o vê. Assim como o curupira, Anhangá é considerado o protetor da vida na floresta.
Segundo a crença popular, qualquer pessoa atacada por um animal selvagem pode se salvar gritando:
- "Valha-me Anahngá!".
Também se pode compactuar  com o Anhangá, prometendo tabaco em troca da embiara prometida.

Rios e matas,
passarela da ilusão,
muitas são as máscaras
do desfile de assombração

Caçador, muito cuidado
com o que irás caçar,
se for branco, veado,
é melhor não atirar.

Se de seus olhos afogueados
nem lhe deite um olhar,
pois é alma do outro lado,
é o encantado Anhangá.

Se quiseres  boa caça,
faz à ele um agrado:
na ponta de uma vara,
deixa um pouco de tabaco,
os fósforos e a mortalha,
para que faça  seu cigarro.

Anhangá quando fuma,
deixa de assoviar,
caçador vai à caça,
foi o trato com Anhangá.
Anhangá, Anhangá, Anhangá!
Anhangá, Anhangá, Anhangá !

( 3 Coelho)

sexta-feira, 12 de março de 2010

A PISADEIRA.

A Pisadeira é  uma velha de chinelos que aparece nas madrugadas para pisar na barriga das pessoas, provocando muita dor e falta de ar. Ela vive pelos telhados sempre à espreita esperando você deitar. Como já  dizia a minha santa vozinha (que Deus a tenha lá e eu aqui) : "a velha só vem quando alguém dorme de estômago muito cheio".

"Esta é ua muié muito magra, que tem os dedos cumprido e seco cum cada unhão! Tem as perna curta, cabelo desgadeiado, quexo revirado pra riba e nari magro munto arcado; sombranceia cerrado e zóio aceso... Quando a gente caba de ciá e vai durmi logo, deitado de costa, ele desce do teiado e senta no peito da gente, arcano... arcano... a boca do estámo... Purisso nunca se deve dexá as criança durmi de costa."

(Cornélio Pires. Conversas ao pé do fogo)

Eu descobri que existe até uma oração contra a Pisadeira, registrada por Benedito Cleto. Anota logo. 
A reza diz assim:

"São Vicente com São Simão me disse que a pisadeira tem a mão furado.
São Vicente com São Simão me disse que a pisadeira tem os olho arregalado.
São Vicente com São Simão me disse que a pisadeira tem o beiço arrevirado.
São Vicente com São Simão me disse que a pisadeira tem o dente arreganhado..."

Você que tem por hábito comer e logo deitar, muito cuidado.
A Pisadeira está na espreita  e pode visitar você.
É até melhor mudar o rumo dessa prosa, antes que a talzinha escute que estamos falando dela.
Sabe com é...atrai.

" CRUZ CREDO, PÉ DE PATO MANGALÔ TRÊS VEZES ! "

quinta-feira, 11 de março de 2010

O LAMENTO DO URUTAU.

O uratau é um pássaro solitário e de hábitos noturnos que dificilmente se deixa ver. Pousado na ponta de um galho seco, fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite seu canto tenebroso assemelhado a um lamento humano.
 Por este motivo, o povo também o chama de “mãe-da-lua”. Seu grito talvez seja o mais assustador de todos entre as aves.
- “Meu filho foi, foi, foi…” - interpreta o povo.
Por causa de seu grito, o uratau é muitas vezes associado a maus presságios, mas segundo a mitologia tupi-guarani, é uma ave benfazeja.

Segundo a lenda, uma moça guarani chamada Nheambiú, apaixonou-se profundamente por um bravo guerreiro tupi chamado Cuimbaé, que caíra prisioneiro dos guaranis. 
Nheambiú pediu a seus pais que consentissem o casamento com Cuimbaé. Todos os insistentes pedidos foram negados, com a alegação que os tupis eram inimigos mortais da nação guarani. Não podendo mais suportar o sofrimento, Nheambiú saiu da taba. 
O cacique mobilizou seus guerreiros na procura da filha e, após uma longa busca, a jovem índia foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, tal qual uma estátua de pedra, sem dar nenhum tipo de sinal de vida. 
O feiticeiro da tribo alegou que Nheambiú perdera a fala para sempre, a não ser que uma grande dor a fizesse voltar a ser o que era antes. 
Então a jovem recebeu todos os tipos de notícias tristes, a morte de seus pais e amigos, mas ela não dava nenhum sinal. Até que o pajé falou “Cuimbaé acaba de ser morto”. 
No mesmo instante a moça, lamentando repetidas vezes, tomou vida e desapareceu dentro da mata. 
Todos que ali estavam transformaram-se em árvores secas, enquanto que Nheambiú tomou a forma do pássaro uratau e ficou voando, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda de seu grande amor.

Eu conheço uma outra variação desta lenda, muito linda por sinal.

Saudações Florestais !

quarta-feira, 10 de março de 2010

"FAMILIÁ", O DIABINHO DA GARRAFA,

"Familiá", nos sertões mineiros, é o mesmo que "diabinho familiar" onde as crônicas de Portugal nos contam  que São Cipriano ( feiticeiro afamado que depois se converteu ao cristianismo ) ensinava como fazê-lo, com os olhos de um gato preto colocados dentro de um ovo de galinha preta e posto para chocar na esterqueira.
Essa lenda logo chegou ao Brasil e, em 1591, já era assinalada sua presença  na Bahia.
O nome na viagem através do tempo, deixou de ser " diabinho familiar" para se tornar "famaliá".
O capetinha conservado dentro de uma garrafa, é figurinha fácil de se encontrar nas feiras norte-nordestinas, comprado pela gente simples como curiosidade ou  até mesmo como amuleto.
Vimos recentemente esta mesma lenda sendo recontada na novela "Paraíso", da Rede Globo de Televisão, onde a personagem Sr. Eleutério (interpretado por Reginaldo Farias) , mantem um "familiá" guardado no fundo de sua gaveta como um amuleto, atribuindo a ele toda riqueza que acumulou no decorrer dos anos.
Mesmo sendo combatido pelos religiosos de todas as denominações, o mito resiste bravamente até os dias de hoje, dizem que é por conta da força do diabinho.

Quem sabe ?
 
Eu ouvi dizer  que o "Familiá" é fruto de um pacto, que o senso comum afirma  que pode  ser feito  com o diabo. Este pacto consiste, na maioria das vezes  de uma troca: a pessoa pede riqueza em troca da alma ao cramunhãozinho. 
Para se fazer um, deve-se matar um gato preto, tirar-lhe os olhos e colocar cada um dentro de um ovo de galinha preta, guardando tudo dentro de estrume equino.
Passado um mês, nascerá o diabinho, sempre em forma de pequeno lagarto que deverá ser alimentado com ferro ou aço moído.
Os possuidores do "Famaliá" terão muito poder e, se você pedir, poderá arranjar-lhe dinheiro em qualquer quantidade.
Só que  tudo nessa vida tem seu preço, não é verdade ?
E  no final das contas a  pessoa já terá o seu  lugar no inferno, juntinho ao capiroto.

Duvida ?