Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.
O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.
Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.
Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéi
a de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o pais onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia.

(Cristovam Buarque)
(*) Cristovam Buarque, 58, doutor em economia e professor do Departamento de Economia da UnB (Universidade de Brasília), foi governador do Distrito Federal pelo PT (1995-98). Autor, entre outras obras, de "A Segunda Abolição" (editora Paz e Terra).
5 DE SETEMBRO - DIA DA AMAZÔNIA -
Saudações Florestais !
4 comentários:
Ola!Silvana
amiga, que forma deliciosa de contar histórias, sou capaz de ficar horas a ler seus causos, contos ou ditos populares, Parabéns!!!
seus alunos devem ficar fascínados..., bons livros de bons autores faz a diferença na formação de um cidadão crítico na sociedade.
Bjos no coração, e bom final de Domingo,
Teresa Grazioli
Silvana
Estou fascinada com este seu cantinho, com este lindo pedaço do nosso Brasil, com os textos, as fotos, a forma como são feitas as apresentações.
Sou, a partir de agora, seguidora e presença constante neste excelente blog.
Um abraço
Dulce
... Foi desse jeito que ouvi dizer... e eu digo que pelo que vi e senti aqui ouviste dizer maravilhas pelos contos, histórias, imagens e sentimentos... Adorei teu Blog, parabéns!
Guria, amei teu blog.
Olha eu eu já morei na amazônia em Tabatinga, e sei o quanto esse povo é bom!
Olha, meu blog é esse:
http://coffieandmovies.blogspot.com/
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