quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ô POVO SURPERTICIOSO !

As origens das crendices e superstições são tão antigas quanto a própria humanidade. No Brasil, chegaram com os portugueses, mesclaram-se às crenças dos indígneas e posteriormente a dos africanos escravos. E com o decorrer do tempo foram incorporadas à cultura brasileira juntamente com as crenças de outros imigrantes que aqui aportaram.

O homem ancestral, não encontrando explicação para alguns fenômenos da natureza ou origem das coisas, buscava em sua imaginação alguma explicação mágica. O medo e a dúvida foram os grandes geradores de crendices, e as tentativas de neutralizar estes medos e presságios geraram uma série incalculável de crenças que o povo possui.

Para o folclore, crendice é toda aquela crença em coisas que a lógica não explica, e a superstição é essa mesma crença quando envolve o medo de conseqüências. Por exemplo: Virar a vassoura atrás da porta para a visita ir embora é uma crendice; acreditar que o gato preto dá azar é superstição, pois envolve o medo do azar. De forma simplificada pode-se dizer que sempre se diz 'não presta' é superstição, quando apenas se acredita, sem medo, é crendice.

Crendices gerais:


    * Comer frutas com grãos no Ano Novo (uva, romã, etc) para ter sorte e fortuna durante o ano todo que está começando.
    * Ferradura atrás da porta afasta o mau olhado.
    * Sal no fogo afasta visitas.
    * Varrer os rastros de uma pessoa afasta-a para sempre.
    * Derramar açúcar traz sorte.
    * Quando o grilo canta dentro de casa é sinal que se receberá dinheiro.

Crendices e superstições ligadas a namoro, noivado e casamento.

    * A jovem que pega o buquê da noiva será a próxima a casar.
    * Varrer os pés de moça solteira, não casa naquela ano.
    * Moça que abre sombrinha dentro de casa fica "para titia".
    * Quando a fumaça do cigarro forma um círculo é por que a pessoa amada está pensando na outra .

Ligadas à gravidez, ao nascimento ou recém-nascido:

    * Não deve pular cerca, senão a criança nascerá aleijada.
    * Quando a grávida tem desejo e não é atendida, a criança nasce de boca aberta ou fica "babão", e quem não atende fica com terço.
   * Criança que ri dormindo está sonhando com os anjinhos.
    * Para passar soluço do nenê, deve-se colocar na testa do mesmo um fiapo de lã, de preferência vermelho; colar com a saliva da mãe.

Superstições gerais:

    * Xícara virada com a boca para baixo atrasa a vida.
    * Chinelo ou sapato virado provoca a morte da mãe.
    * Enrolar as meias enrola a vida.
    * Espelho quebrado dá sete anos seguidos de azar.
    * Varrer a casa à noite atrai desgraças.
    * Apontar para as estrelas faz nascer verrugas nos dedos da mão.

A Lua

A grande maioria de nossas crendices herdamos de Portugal, onde o povo - apesar de religioso - acredita em muitas coisas que a lógica ou a racionalidade não explicam. No meio rural é crença generalizada que a lua tem influência direta em toda a atividade humana, especialmente na lavoura, na pecuária, no clima, nas chuvas e até mesmo na vida do homem. 
Para quem lida com plantações, as fases da lua devem ser cuidadosamente observadas. 
Exemplos:

Legumes de cabeça (repolho, alface e outros) devem ser transplantados na minguante e as folhosas (couve, radiche, espinafre, etc) na nova.

Quem cria aves deve cuidar para que o nascimento dos pingos não ocorra na minguante. Se forem colocados no "choco" na minguante, os ovos "goram" e perde-se a ninhada. A influência da lua e das tempestades é neutralizada por um prego enferrujado ou pedaços de carvão colocados no ninho.

Para o cabelo crescer rapidamente deve ser cortado na nova, crêem alguns, outros acreditam que na nascente. É consenso que quem tem muito cabelo e não quer que cresça logo, deve corta na minguante.

Não se deve deixar as fraldas do recém-nascido no varal à luz do luar, pois este terá cólicas. Se isto acontecer, a mãe com o filho nos braços o mostra para a lua e reza esta oração "Lua, luar, me deste este filho e me ajuda a criar".

A MORTE:

    * Não se deve costurar roupa no corpo de uma pessoa, por que essa pessoa pode morrer muito breve, "só se costura no corpo mortalha de defunto". Se for necessário, proceder a costura dizendo "eu te coso vivo e não morto".
    * Dormir com os pés virados para a porta da rua é agouro de morte.
    * Doente que muda de cabeceira na cama está às portas da morte.
    * Dormir sobre a mesa chama a morte.
    * Treze pessoas sentadas à mesa ocasionará a morte de uma delas, geralmente da última que chegou.
    * Cachorro que uiva à noite, coruja que pia em cima da casa, ou borboleta preta (bruxa) entrando na residência é sinal que a morte anda rondando alguém da família.
    * Para que um defunto não inche, deve-se colocar uima chave na sua mão.

Sobre doenças:

    * Urinar contra o vento dá gonorréia.
    * A urina do sapo cega.
    * Mijar em cima de tijolo quente é bom para urina presa (anúria).
    * Uma ferradura afixada numa porta evita que a doença entre na casa.
    * encharcar um pedaço de pão com a saliva de cirnaça acometida de coqueluche e dando-o para um cão comer, a doença transfere-se para o animal.

Sobre mau-olhado, azar, olho-grande

    * Matar um grilo traz azar.
    * Matar um urubu atrasa a vida.
    * Um colar feito com sete cabeças de alho previne contra o mau-olhado.
    * É mau agouro colocar tições em forma de cruz no fogo.

Outros assuntos:

    * Para obter um sono leve basta colocar sob o travesseiro um esporão de quero-quero.
    * Menino que brinca com fogo, mija na cama.
    * Urinar na água é o mesmo que mijar na cara da madrinha.
    * Botar sal no fogo é atraso na vida.
    * Cobra não morde mulher menstruada por que, se o fizer, morrerá.
    * Mulher grávida não deve portar uma chave no seio, pois se assim proceder, a criança pode nascer com lábio leporino.
    * Se a gestante apresentar a barriga arredondada, nascerá uma mulher; se mostrar-se pontuda, virá um homem.
    * Pendurando-se uma aliança em fio de cabelo da gestante, se o seu movimento for para a frente e para trás, virá um menino; se for lateral, nascerá uma menina.

O que não se deve fazer:

    * Colocar duas vassouras juntas num canto da casa - porque faz com que haja briga na família.
    * Guardar espelho quebrado - por que dá azar, dá peso, atrai desgraças.
    * Passar por baixo de escada - pelos mesmos motivos acima.
    * Casar em agosto - porque é o mês do desgosto. O casamento não será feliz.
    * Duas pessoas lavarem as mãos ao mesmo tempo - porque prejudica uma delas.
    * Por sal no fogo - afugenta as visitas.
    * Matar sapo - traz chuva.
    * Dar e tornar a tomar - porque fica corcunda ou fica aleijado.
    * Comer na panela - se é moça solteira, choverá no dia do casamento. se é rapaz solteiro, idem. Se já forem casados, estão provocando a miséria.
    * Comer com chapéu na cabeça - porque o diabo se ajunta à mesa.
    * Comer peixe e carne misturados - além de falta de respeito, faz mal.
    * Deixar chinelo emborcado dentro do quarto.
    * Apontar ou contar estrelas - por que cria verrugas.
    * Sair montando em cavalo de pelo branco em dia de tempestade - por que o pelo branco do cavaloa atrai os raios.
    * Ter pica-pau em casa - porque é ave agourenta .

O que se deve fazer:

    * Usar ou colocar debaixo da cama uma vara de cipó - para afugentar cobras de dentro de casa e não permitir que entrem no quarto.
    * Matar imediatamente a galinha que cantar como galo - para evitar desordens em casa.
    * Para ter sorte e evitar mau olhado - deve-se usar um galhinho de arruda atrás da orelha.
    * Ao passar por um gato preto pela frente da pessoa, esta deverá dar três pancadas ou com o pé no chão, ou com a mão esquerda numa parede, para conjurar o azar .
Fonte de pesquisa:
Ribeiro,  Paula S. "Folclore: similaridades nos países do Mercosul" - Martins Livreiro.

11 comentários:

Dulce disse...

Silvana

Tomei a liberdade de colocar no "Em Prosa e Verso" um link para o seu blog, com uma das fotos que tem aqui.
Passe lá para ver e, se não concordar, eu retiro.

Mandei resposta do seu ultimo comentario por e-mail - não consegui adiciona-la ao meu msn

beijo

Dona Poesia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dona Poesia disse...

Que blog lindo! super temático. E as nossas crianças indígenas como são belas!
Vou seguir vc.
Ah, obrigada pela visita, adorei .

Anabela disse...

Ca em Portugal tambem existe a crença que se um par de namorados forem padrinhos de batismo em namoro,esse namoro vai acabar,nao da em casamento...,se uma mulher gravida for madrinha de batismo,a criança dela nasce muda...,se um bébé quando nasce tiver o sono trocado,o pai tem de sair com ele pela porta da entrada do predio e quando voltar tem de entrar por outra porta,por exemplo pela garagem,trocando as voltas,troca o sono...,confesso que nao acredito em nenhuma mas esta di fim,ahahaahh,espero ter dado umas dicas,bjs,adoro o teu blog

Dulce Braga disse...

Por indicação da minha xará vim aqui espiar...fiquei apaixonada!
Parabéns

Rosan disse...

Silvana.
Adorei esta postagem sobre supetições.
confesso que a anos atraz até me preocupava com algumas de tanto ouvir minha mãe falar.
hoje não crei mais nisso e dei boas risadas, lendo a postagem.
Bjos.

Ana Martins disse...

Olá Silvana,
Concordo com você, mas creio que com o decorrer dos anos as superstições e crendices tendem a acabar.

Grata pela sua visita, volte sempre que desejar.

superstições

JR disse...

Sabe Sil ,aqui em Floripa(cultura açoriana)é cheio de lendas que parecem verdadeiras.
Muitas bruxas e outras coizitas mais ,vc adoraria viver aqui ,é linda a nossa ilha,apesar de estar chovendo pra caramba agora .
Dá uma chegadinha no meu portal e pega um axé pra voce amiga.
Bjs

Davi Machado disse...

Olá
teu blog é bem original
gostei dos posts, este sobre crendices e supertições é muito bom!
fiquei pensando agora na fumaça dos meus cigarros rsrs

adorei o post sobre o Patativa, poucos conhecem a figura desse poeta!

beijos a ti e carinhosos abraços

Gislene disse...

OI, SILVANA!
TEU BLOG É LINDO, VIU!
OLHEI COM MAIS CALMA AS FOTOS, EME ENCANTEI COM TANTA BELEZA!
ME ENCANTO TAMBÉM DE LER TEUS TEXTOS, CHEIOS DE CURIOSIDADES DESTE BRASIL TÃO DIVERSO! OLHA QUE JÁ ME VI FAZENDO E ATÉ ENSINANDO SUPERSTIÇÕES AOS MEUS FILHOS, É ALGO INCONTROLÁVEL, QUE NÃO CONSIGO ESQUECER, PARECE QUE FICA MARCADO EM NÓS...
BEIJOS
GISLENE.

Dona Poesia disse...

É muito bom que se continue pesquisando e levando adiante o folclore e a cultura popular. Se não fossem os historiadores pesquisadores, como Câmara Cascudo, que sempre se preocupou com os contos que eram repassados oralmente, muitas dessas histórias deliciosas teriam se perdido no passado.
Eu mesma ouvia muitos contos de medo e assombração, quando era pequena, e hoje leio os livros de Câmara Cascudo e revejo esses contos lá, não mais na oralidade, mas postos no papel.
Aqui em minha cidade tivemos uma excelente folclorista, ela pesquisou muito e também lançou um livro sobre os assunto.
Seu nome era Guaraciaba Vanim, tenho um livro escrito por ela, só nao me recordo onde está esse livro.
Da minha infância eu guardei duas deliciosas superstições: Não se devia deixar tesoura aberta, em forma de "xis" e jamais o chinelo deveria ser deixado "emborcado", ou seja, virado para baixo, pois isso trazia azar. Também havia uma assim: nao devemos usar roupas ao avesso, acho que o significado era: A pessoa que veste roupa pelo avesso vai ter um dia todo atrapalhado, acho que era isso.
Continue com sua pesquisa, é muito legal não deixar morrer as tradições populares.