sexta-feira, 11 de setembro de 2009

QUANTO RISO, Ó ! QUANTA ALEGRIA...

- MARCHINHAS DE CARNAVAL -

Sua origem veio de um estilo musical importado para o Brasil, descendente diretamente das marchas populares portuguesas, partilhando com elas o compasso binário das marchas militares, embora mais acelerado, melodias simples e vivas, e letras picantes cheias de duplos sentidos: as marchas portuguesas faziam grande sucesso no Brasil até 1920, destacando-se Vassourinha, em 1912, e A Baratinha, em 1917.
A verdadeira marchinha do carnaval brasileiro começou a surgir no Rio de Janeiro, no inicio do século XX ( tiveram seu apogeu nos anos 20, época em que os compositores faziam uma crônica bem humorada dos costumes da cidade, seus moradores e tipos característicos ), com as composições de Eduardo Souto, Freire Júnior e Sinhô, e atingiu o apogeu com intérpretes como Carmen Miranda, Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas, Jorge Veiga e Black-Out, que interpretavam, ao longo dos meados do século XX, as composições de João de Barro, o Braguinha e Alberto Ribeiro, Noel Rosa, Ary Barroso e Lamartine Babo.Nasceram
 O último grande compositor de marchinha foi João Roberto Kelly.
 Que tal lembrarmos os velhos tempos com algumas  marchinhas mais tradicionais do carnaval?

Chiquita bacana lá da Martinica
Se veste com uma casca de banana nanica

Não usa vestido, não usa calção
Inverno pra ela é pleno verão
Existencialista com toda razão
Só faz o que manda o seu coração.

(Braguinha-Alberto Ribeiro, 1949)
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Lá vai o meu trolinho
Vai rodando de mansinho
Pela estrada além

Vai levando pro seu ninho
Meu amor, o meu carinho
Que eu não troco por ninguém

Upa, upa, upa
Cavalinho alazão
ê ê ê
Não erre de caminho não

(Ary Barroso, 1940)
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Se a canoa não virar olê olê olá
Eu chego lá

Rema rema rema remador
Quero ver depressa o meu amor
Se eu não chego até o sol raiar
Ela bota outro em meu lugar

(Antônio Almeida - 1969)
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Ó jardineira porque estás tão triste
Mas o que foi que te aconteceu
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu

Vem jardineira vem meu amor
Não fiques triste que este mundo é todo seu
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu

(Benedito Lacerda-Humberto Porto, 1938)
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Eu fui ás touradas em Madri
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum
E quase não volto mais aqui
Para ver Peri beijar Ceci
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum
Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha
Queria que eu tocasse castanhola
E pegasse o touro à unha
Caramba, caracoles, sou do samba
Não me amoles
Pro Brasil eu vou fugir
Que é isso é conversa mole para boi dormir
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum.

(Braguinha)
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Quando é tão densa a fumaça
Que o tempo não passa
E a porta do bar já fechou
Quando ninguém mais tem dono
O garçom tá com sono
e a primeira edição circulou
Quando não há mais saudade, nem felicidade
Nem sede, nem nada, nem dor
Quando não tem mais cadeira
tomo uma besteira de pé no balcão
Eis que da porta do fundo
Do oco do mundo
Desponta o cordão

Chegou a turma do funil
Todo mundo bebe
Mas ninguém dorme no ponto
Ah, ah!
Mas ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos
e eles que ficam tontos, morou
Eu bebo sem compromisso
É o meu dinheiro
Ninguém tem nada com isso
Enquanto houver garrafa
Enquanto houver barril
Presente está a turma do funil.

(Braguinha)
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Maria Sapatão
Sapatão, Sapatão
De dia é Maria
De noite é João

O sapatão está na moda
O mundo aplaudiu
É um barato
É um sucesso
Dentro e fora do Brasil

(Chacrinha)
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Olha a cabeleira do zezé
Será que ele é
Será que ele é

Olha a cabeleira do zezé
Será que ele é
Será que ele é

Será que ele é bossa nova
Será que ele é maomé
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é

Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!


(João Roberto Kelly-Roberto Faissal, 1963)
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Linda morena, morena
Morena que me faz penar
A lua cheia que tanto brilha
Não brilha tanto quanto o teu olhar

Tu és morena uma ótima pequena
Não há branco que não perca até o juízo
Onde tu passas
Sai às vezes bofetão
Toda gente faz questão
Do teu sorriso

Teu coração é uma espécie de pensão
De pensão familiar à beira-mar
Oh! Moreninha, não alugues tudo não
Deixe ao menos o porão pra eu morar

Por tua causa já se faz revolução
Vai haver transformação na cor da lua
Antigamente a mulata era a rainha
Desta vez, ó moreninha, a taça é tua

(Lamartine Babo, 1932)
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Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão

Pode me faltar tudo na vida
Arroz feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor
Há, há, há, há!
Isto até acho graça
Só não quero que me falte
A garrafa da cachaça

(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953)
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Se você fosse sincera
Ô ô ô ô Aurora
Veja só que bom que era
Ô ô ô ô Aurora

Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado
Para os dias de calor
Madame antes do nome
Você teria agora
Ô ô ô ô Aurora

(Mário Lago-Roberto Roberti)
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Hei você aí, me dá um dinheiro aí
Me dá um dinheiro aí.
Hei você aí, me dá um dinheiro aí
Me dá um dinheiro aí.


Não vai dar
Não vai dar não
Você vai ver a grande confusão.


Que eu vou fazer, beberndo até cair
Me dá, me dá, me dá, oi
Me dá um dinheiro aí.

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Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim

Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim

Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim

(Noel Rosa-Heitor dos Prazeres, 1935)

5 comentários:

micael disse...

Conhecer o Brasil através do seu blog, encanta-nos.

As imagens que temos, dessa terra que já foi Portugal, são compostas pelos "media" e não correspondem à realidade brasileira.

Ainda bem que, por seu intermédio e de outro blogs (amigos brasileiros), ficamos a conhecer o Brasil autêntico.

Bom fim de semana

Micaeel e Conceição

Dona Poesia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dona Poesia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dona Poesia disse...

Nossa! Nada contra, mas de repente vc deu uma guinada radical em seu blog...música de carnaval é história da música, não é folclore...e citar índios americanos e Mahatma Gandhi é meio estranho,vc saiu do Brasil e pulou pra América do Norte e a Índia... Enfim,isso pode desvirtual o perfil de seu blog. Vc como professora sabe tudo isso, mas achei bom dar minha opinião. Desculpe, é minha opinião.
Talvez vc tenha resolvido guardar material para um livro...Nesse caso, seria melhor dar início a outro blog, né??
É que seu blog é tão bonito e temático...

Dona Poesia disse...

olha os outros coments tive que excluir pois o teclado falhou e saiu faltando letras, tá??