sábado, 10 de outubro de 2009

O MILAGRE DE SÃO BENEDITO.


A igreja do Rosário construída por Chico Rei e sua gente no cimo da encosta, em Ouro Preto, é singela e o seu interior pode ser chamado de humilde.
O altar-mor, em estilo barroco, ornado de volutas e flores estilizadas, o púlpitos bem talhados, a Via-Sacra em água-forte, os altares laterais obedecendo à forma comum das colunas torcidas com folhagens e anjos, solicita logo à entrada a admiração do visitante.

Das imagens que lá são veneradas, a mais curiosa é a de São Benedito, o santo negro que professou num convento da Sicília.
Ninguém deixa de notar que ele exibe um tufo de rosas nas dobras do burel. Esse particular está ligado à uma lenda que corre mundo.
E explica a forma inédita por que ali foi representado o milagroso franciscano.

O humilde frade era despenseiro do convento. Mas, como bom franciscano, confundia a despensa dos seus irmãos com a sacola dos esfomeados que vinham pedinchar diante da porta da casa de Deus.
 Não sabia dizer não. Ficava aflito sempre que ouvia um pobrezinho de Cristo dizer que ainda não tinha comido um bocado de pão.
Por isso, costumava desencaminhar o melhor da despensa para acudir à fome dos deserdados da terra.

Mas à hora das refeições, os frades, coitados, só encontravam à mesa o caldinho ralo, as folhas de hortaliça e os bocados de pão de rala.
Por causa disso, passaram a reprovar a conduta do frade. E o superior, zeloso da boa ordem conventual, teve de chamar à sua presença o negro, aconselhando-o a moderar um pouco os excessos da sua caridade, sob pena de matar de fraqueza os santos religiosos…

Ele, porém, por mais que se esforçasse, não conseguia mudar de conduta. Sempre que podia, apanhava alguns comestíveis, metia-os nas dobras do burel e lá ia, disfarçadamente, levá-los aos mortos de fome. Mas aconteceu que numa dessas escapulidas, no comprido e umbroso corredor do convento, encontrou-se com o superior.
 Sentiu-se surpreendido em pecado e não soube o que fazer.

- Que levas aí, na dobra do teu manto, irmão Benedito?

- Rosas, meu senhor.

– Ah! Mostra… Quero ver de que qualidade são!

Benedito, confuso, trêmulo, desdobrou o burel franciscano. E, em lugar dos alimentos suspeitados, apresentou aos olhos pasmos do superior uma braçada de rosas.

VERDADE !

17 comentários:

Anne Lieri disse...

Silvana,que blog maravilhoso!Adorei a história de São Benedito!Parabéns pelo belo texto e obrigada pela sua visita!Já sou sua seguidora e voltarei a te visitar!Bjs,

Claudinha disse...

Silvana!
Adoro ouvir histórias. Bem contadas, então, nem se fala! Adorei o jeito como tu fazes as narrativas!
Bjão!

Carlos Albuquerque disse...

Amiga Silvana!
Mais uma história linda de mais, escrita por quem sabe muito bem fazê-lo. Já pensou em publicar os seus textos em livro? Avance, vc merece que o mundo leia o que escreve.
PS - a braçada das rosas fez-me lembrar a lenda da Rainha Santa Isabel, aqui em Portugal.
BFS
Beijos e um abraço

Anônimo disse...

Adorei o seu blog vou voltar

Abraço

Cascais ,10-10-2009 Portugal

Carlota Joaquina

Gina disse...

Silvana, é muito falado, mas não conhecia que milagre era esse, legal!
Bjs.

welze disse...

conheci pessoalmente essa igreja e na minha cozinha tem uma imagem de São Benedito, e não é por acaso.

magna disse...

oie sil que hisória em?!amei e sabe eu acredito eu em milagres!bjuss e um bom fim de semana!!!

Marjory disse...

Nossa!! Que coisa mais linda este blog. Fiquei de boca aberta!!
Agradeço seu carinho Silvana e retribuo no maior e mais intenso amor prometendo tb sempre te visitar. Estou começando ainda... e com certeza você muito me inspira com sua força de vontade, e todo seu taleno, que resulta nesse seu maravilhoso trabalho
Colocarei seu blog nos meus favoritos.
Um grande beijo e que as cores cintilantes do Universo sorriam pra vc.

Marjory disse...

Nossa!! Que coisa mais linda este blog. Fiquei de boca aberta!!
Agradeço seu carinho Silvana e retribuo no maior e mais intenso amor prometendo tb sempre te visitar. Estou começando ainda... e com certeza você muito me inspira com sua força de vontade, e todo seu taleno, que resulta nesse seu maravilhoso trabalho
Colocarei seu blog nos meus favoritos.
Um grande beijo e que as cores cintilantes do Universo sorriam pra vc.

São Coelho disse...

OLá Silvana
Vim no seu rasto. Adorei tb o seu cantinho nesse lado do Atlântico. Este oceano e a net uniram-nos. Vou continuar a seguir o seu rasto pq adoro os temas que aborda.
São Coelho (Lume & Ar), Lisboa, Portugal

Rosa Carioca disse...

É mesmo, Carlos Albuquerque. Basta trocar o frade pela Rainha Santa Isabel e pelo fato do episódio ter acontecido em Janeiro, pleno Inverno por cá, época em que não nascem rosas...
Não é à-toa que somos PAÍSES-IRMÃOS.

Tetê disse...

Oi Silvana!Saudações Florestais!Muito interessante isso... e não duvido que tenha sido mesmo verdade! Obrigada pela visita! Bjks Tetê - EcoBlog

Teresa disse...

Ola!Silvana
amiga, como sempre, você trás estes contos e de uma forma fantástica, já disse e repito és minha contadora de histórias e estórias.
bjos no coração e fique com o mestre a iluminar seu final de semana.
Teresa Grazioli

Lucimar disse...

Parabéns, Silvana pelo belíssimo blog.
Lucimar

alegria de viver disse...

Olá querida
Gosto de conhecer estas histórias, muito legal.
Com carinho BJS.

angela disse...

bonita historia e como sempre bem escrita.
beijos

Daniel Savio disse...

Hua, kkk, ha, ha, achei um pouco engraçado...

Pois pensa bem, um santo acudindo alguém que estava mentido (mesmo que era para ajudar os pobres)...

Meio que entra em conflito o que esperamos de justiça para o que seria um santo mesmo.

Fique com Deus, menina Silvano.
Um abraço,